Última hora

Última hora

Mártires de "Maidan" homenageados em Kiev e com Moscovo no alvo

Com o 20 de fevereiro a ser proclamado como o “Dia dos Heróis da Centúria Celestial”, milhares de ucranianos concentraram-se esta sexta-feira em

Em leitura:

Mártires de "Maidan" homenageados em Kiev e com Moscovo no alvo

Tamanho do texto Aa Aa

Com o 20 de fevereiro a ser proclamado como o “Dia dos Heróis da Centúria Celestial”, milhares de ucranianos concentraram-se esta sexta-feira em Kiev, proclamadao em tributo aos mais de 100 compatriotas que deram a vida há um ano pela libertação da Ucrânia do regime pró-russo do então presidente Viktor Ianukovich. Entre o final de janeiro e o dia 22 de fevereiro, na revolução que ficou conhecida como “Maidan”, por estar centrada na Praça da Independência, morreram 122 pessoas : 106 ativistas pela mudança políticas e 16 polícias. Mais de 50 pessoas continuam desaparecidas.

O atual Presidente Petro Poroshenko esteve também no local, ao final da tarde, e discursou. Perante familiares das vítimas, o atual chefe de Governo voltou a apontar o dedo a Moscovo pelas mortes de há um ano e disse que os serviços de informação ucranianos possuem testemunhos de responsáveis judiciais ucranianos que dão conta do envolvimento do conselheiro do Kremlin Vladislav Surkov na organização dos “grupos de francoatiradores”, que viriam a disparar sobre os ativistas durante os protestos de “Maidan.”

Poroshenko garante que os investigadores têm também gravações de conversas entre o então presidente Ianukovich e membros dos serviços de segurança russos, “nas quais preparavam antecipadamente os ataques contra os ativistas.”

Moscovo desmentiu de imediato as acusações de Poroshenko. O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Alexander Lukashevich, descreveu mesmo as alegações do Presidente da Ucrânia como “delirantes e dignas de um hospital psiquiátrico.”

À margem destas trocas de argumentos entre governos, na Praça da Independência voltaram a cair lágrimas pelos mártires que deram a vida pela mudança de regime na Ucrânia. “Estávamos aqui há um ano”, conta uma mulher, ao microfone da euronews, prosseguindo: “Ainda guardo restos de munições que encontrei aqui depois do tiroteio”. “Todos estes homens [que caíram] são nossos filhos”, considerou.

Uma outra sublinhou o propósito de ali estar: “Queremos prestar tributo a todas estas pessoas que ajudaram à nossa libertação e que despertaram o ‘ucraniano’ dentro de nós.”

O dia 20 de fevereiro do ano passado ficou para a história como o mais sangrento da revolução de “Maidan”, que arrancou no final de novembro de 2013, mas teve o período mais violento entre o final de janeiro e o fim da “era” Ianukovich, a 22 de fevereiro, o dia em que o até ali presidente foi destituído pela Rada, o Parlamento ucraniano.

Apenas três elementos das forças especiais antimotim fiéis ao antigo presidente foram detidos, mas apenas dois continuam sob custódia judicial sem grandes esclarecimentos sobre os motivos da prisão. Um jovem confessa-se triste. “Não consigo evitar as lágrimas porque ninguém foi levado à justiça. Não há culpados”, lamentou-nos.

Um ano após o dia mais sangrento da revolução, em que morreram mais de 60 ativistas, muitos deles atingidos por “snipers” (francoatiradores) às ordens do anterior regime ucraniano, vários raios de luz cruzam os céus no meio da Praça da Independência. A correspondente da *euronews” em Kiev, Maria Korenyuk, explica-nos que “os feixes de luz foram colocados na véspera deste aniversário no local onde os ativistas foram mortos”. “Os raios chegam ao céu, simbolizando a ascensão das almas dos manifestantes de ‘Maidan’ que deram a vida pela Ucrânia”, conclui.