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Rússia fornece gás aos separatistas ucranianos e Washington faz ameaça

A resistência separatista pró-russa mantém-se bem viva e ativa no leste da Ucrânia apesar do cessar-fogo negociado na semana passada e posto em

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Rússia fornece gás aos separatistas ucranianos e Washington faz ameaça

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A resistência separatista pró-russa mantém-se bem viva e ativa no leste da Ucrânia apesar do cessar-fogo negociado na semana passada e posto em prática a partir das zero horas de domingo. O presidente ucraniano Petro Poroshenko já pediu a intervenção de capacetes azuis das Nações Unidas (ONU) na região e os Estados Unidos voltaram a fazer-se ouvir, com o dedo apontado a Moscovo.

A Rússia anunciou quinta-feira ter recomeçado a fornecer gás natural à Ucrânia. O presidente da Gazprom, Alexei Miller, alegou que a reabertura da torneira pela empresa semipública russa se enquadra “no contrato em vigor” com a Naftogaz, a congénere ucraniana. Só que o fornecimento limita-se às estações de Prokhorovka e Platovo, ambas situadas nos territórios controlados pelos separatistas ucranianos de Donetsk e Luhansk.

A empresa de gás ucraniana apressou-se a reagir e garantiu que não irá pagar este fornecimento anunciado pela Rússia. “A Naftogaz não pagará, porque não temos qualquer hipótese de controlar quanto gás será enviado para esses territórios, nem qual será a sua utilização”, declarou Andriï Kobolev, o administrador da companhia nacional ucraniana, precisando que a empresa retomou o fornecimento de gás ao leste da Ucrânia, interrompido devido aos combates. A decisão da Gazprom de fornecer gás ao leste rebelde ucraniano é “inaceitável e contrária ao contrato existente”, acrescentou Kobolev.

Pouco antes do anuncio da Gazprom, o primeiro-ministro russo havia admitido que a Rússia poderia fornecer gás aos territórios separatistas da Ucrânia “por razões humanitárias”. Dmitri Medvedev revelou ter pedido ao Ministério da Energia russo e à Gazprom que preparassem propostas de fornecimento “para dar respostas às necessidades dessas regiões”. “As pessoas não podem passar frio”, terá dito o chefe de Governo russo.

Devido ao conflito que opõe as duas empresas desde o ano passado, na sequência do afastamento de Viktor Ianukovich da presidência há exatamente um ano, o fornecimento de gás russo à Ucrânia foi suspenso e só deveria ser retomado quando a Naftogaz pagasse à Gazprom a alta fatura em atraso, o que ainda não se verificou.

O Departamento de Estado norte-americano, entretanto, “condenou a persistência dos ataques dos separatistas apoiados pela Rússia em Debaltseve, Mariupol e noutros locais do leste da Ucrânia, violando o cessar-fogo e ignorando os acordos de Minsk”. “Se a Rússia e os separatistas continuarem a violar os acordos que assinaram haverá um preço a pagar e um isolamento adicional”, ameaçou Washington através da porta-voz da diplomacia, Jennifer Psaki.

Imagens recebidas desde o leste da Ucrânia revelam, por fim, a alegria de alguns soldados ucranianos por terem conseguido escapar com vida de Debaltseve, a cidade vista como importante ponto estratégico pelos rebeldes, que, por outro lado, celebraram com euforia a tomada de controlo desta localidade situada entre Donetsk e Luhansk.