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Grécia respira de alívio mas... segunda-feira há mais!

A Grécia respirou de alívio ao final da tarde desta sexta-feira, mas o furacão económico continua a rodopiar sobre os cofres do Estado, em Atenas.

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Grécia respira de alívio mas... segunda-feira há mais!

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A Grécia respirou de alívio ao final da tarde desta sexta-feira, mas o furacão económico continua a rodopiar sobre os cofres do Estado, em Atenas. O novo governo liderado por Alexis Tsipras queria mais seis meses de financiamento para lá de 28 de fevereiro, dia em que termina o presente programa de resgate, mas vai ter apenas quatro, até junho. E à condição. Primeiro, há que revelar até segunda-feira as reformas estruturais planeadas e, depois, esperar que as mesmas agradem aos credores.

Não é mau, atendendo os obstáculos que tal desejo teve de ultrapassar nos últimos dias dentro do Eurogrupo, Portugal incluído, mas sobretudo a Alemanha. As ameaças do novo executivo helénico de romper com a denominada “troika” — termo que não se ouviu esta sexta-feira — criaram alguma expectativa negativa em torno da zona euro, com a expressão “Grexit”, que significa a saída da Grécia do Eurogrupo, a ganhar mediatismo.

Para já, esse cenário está afastado e o ministro grego das Finanças era o espelho da confiança após o acordo. “Ninguém nos pede para impor à nossa economia e a sociedade medidas com as quais não concordamos – é a parte bonita deste acordo. Temos agora uma nova moldura, mas vamos respeitar a anterior. Agora vamos concentrar-nos em preparar estas reformas. Estas vão ser as reformas pelas quais vamos ser julgados”, disse Varoufakis, antevendo já a ronda decisiva de segunda-feira — o próximo “mata mata”, na nova gíria futebolística lusófona.

Já ao final da tarde, algum suspense. A televisão grega Skai TV avança que Portugal e Espanha estariam a levantar uma forte resistência ao prolongamento do financiamento à Grécia. Pouco depois, era oficializado o acordo pelo Eurogrupo. De maior obstáculo assumido à extensão do programa, a Alemanha passou a também a aceitá-lo. Mas o responsável pelas finanças alemãs, Wolfgang Schäuble, deixou um aviso: “Enquanto este programa da Grécia não estiver concluído com sucesso, não haverá mais resgates. Nada.”

Cabe agora a Atenas mostrar que nada disto foi em vão, como nos conta a correspondente da euronews em Bruxelas, Efi Koutsokosta: “A bola, agora, está do lado grego. Atenas tem até segunda-feira para apresentar as reformas que pretende implementar. A avaliação destas reformas está prevista para o final de abril. E o pagamento da próxima tranche de financiamento estará dependente desta avaliação.”

O programa europeu de assistência à Grécia deveria ter terminado no fim do ano passado, ao contrário do do FMI, que se prolonga até março do próximo ano. Como a quinta avaliação ao evoluir da situação grega não foi bem-sucedida, devido à falta de 1,7 mil milhões de euros nas contas previstas, a pedido de Atenas o programa foi prolongado até 28 de fevereiro. Mas as tranches ainda em falta foram suspensas até que os objetivos traçados voltem a estar dentro do acordado.

Se este novo prolongamento de quatro meses for confirmado terça-feira, como se espera, Atenas poderá receber os cerca de sete mil milhões de euros em falta no programa de resgate em curso. Mas ainda falta convencer Bruxelas de que as reformas a ser implementadas servem os interesses de todos. Só os 18 parceiros da Grécia na zona euro são credores de mais de 180 mil milhões de euros.