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Estados Unidos: FED dá o dito por não dito quanto à taxa de juro diretora

Neste episódio de Business Middle East, vamos decifrar a política monetária da Reserva Federal norte-americana e adecisão de manter inalteradas as

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Estados Unidos: FED dá o dito por não dito quanto à taxa de juro diretora

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Neste episódio de Business Middle East, vamos decifrar a política monetária da Reserva Federal norte-americana e adecisão de manter inalteradas as taxas de juro e o impacto dessa política no Médio Oriente.

O destino da taxa diretora oscila entre as declarações controversas dos responsáveis do banco central dos Estqdos Unidos. Em dezembro último a intenção era o aumento da taxa. Logo a seguir, em janeiro, a espera foi a palavra de ordem e agora a FED defende a necessidade de manter a taxa inalterada por um período mais longo.

O otimismo moderou-se depois das declarações oficiais, enquanto começaram a surgir dúvidas sobre a real possibilidade de aumento da taxa diretora. Ao mesmo tempo surgem sinais negativos nos mercados do Médio Oriente.

Os responsáveis da Reserva Federal norte-americana mostram-se reticentes em avançar com a decisão de aumentar a taxa de juro diretora. Dizem agora que talvez seja melhor não alterar nada durante um certo tempo. Pouco depois de ter anunciado a intenção de subir o juro em junho próximo, o banco central dos Estados Unidos recuou para uma posição mais cautelosa, com estimativas de uma subida lá mais para o fim do ano.

A surpresa é que, pela primeira vez na última década, os responsáveis da política monetária indicam que os fatores internacionais, como a desaceleração da economia e a queda dos preços do petróleo afetam as perspetivas de crescimento económico dos Estados Unidos.

Os últimos indicadores económicos nacionais levaram a FED a concluir que será preciso mais tempo para que a taxa de inflação volte a aproximar-se dos 2%.

A última declaração oficial tinha deixado uma nota positiva que levou na semana passada Wall Street a terminar em alta.

Decisões da FED afetam economias do Golfo

O cenário era diferente no Médio Oriente, o que fez com que a mudança para um tom mais negativo por parte da FED tenha levado os mercados do golfo a acumularem perdas.

“A Arábia Saudita, por exemplo, sofreu perdas de 1.14%, seguida do Egito com 0.59%. Abu Dabi e o Qatar também cairam mas menos severamente, com -0.12% e-0.52% respetivamente”.

Os analistas económicos dizem que os mercados do Médio Oriente estão a ser afetados pelos movimentos dos bancos centrais ao nível internacional e particularmente da FED. As tensões geopolíticas na região e principalmente a queda dos preços do petróleo também contribuem para as mudanças que estão a afetar as economias um pouco por todo o mundo.

Risco de deflação faz a FED recuar

Como todas as semanas, falamos com Nour eldeen Al-Hammoury, responsável pela estratégia de mercado na ADS Securities em Abu Dabi, para uma análise mais aprofundada sobre as implicações da política da FED.

Daleen Hassan, Euronews: Olá Nour. A FED deu mais um passo atrás rapidamente. Parce que há uma certa indecisão por parte dos responsáveis. Porquê?

Nour eldeen Al-Hammoury: “Chamámos a atenção para isto aqui na Euronews em dezembro passado, na edição anterior do Business Middle East. Tínhamos dito na altura que a economia global e particularmente a economia americana não estavam no bom caminho. É por isso que não estamos surpreendidos com o passo atrás da FED. De facto, atualmente não há pressão inflacionista nos Estados Unidos, antes pelo contrário, há desinflação, que poderá conduzir à deflação especialmente porque os preços do petróleo continuam baixos e, por enquanto, não há sinais de retoma desta queda brutal do preço do petróleo.

Para além disso, não devemos esquecer que cerca de 88% dos indíces económicos de fevereiro dos Estados Unidos são dececionantes. Só 12% são positivos. Por isso, não há razões para uma subida da taxa proximamente.

E: Apesar da continuidade dos dados negativos, porque é que a FED tencionava aumentar as taxas de juro em junho? Poderá isto pôr em causa a credibilidade do banco americano?

N.E. H: A FED apostou em potenciais indicadores para a previsão de aumento da taxa. Estes movimentos são feitos com base em previsões. Contudo, aqui na ADS Securities nós chamámos a atenção para o abrandamento da economia americana assim que a FED parasse com a flexibilização quatitativa, que é o que estamos a ver agora e já tínhamos visto aquando da primeira e da segunda vez que essa política monetária foi aplicada a seguir à crise financeira.

Mas a Reserva Federal tenta sempre manter a credibilidade garantindo alguma segurança, tendo cuidado com as palavras e utilizando linguagem condicional. Por exemplo, quando diz coisas como “Se os indíces económicos continuarem a subir poderemos aumentar a taxa brevemente. O que quer dizer que se os indíces forem negativos, como está a acontecer agora, a FED pode, facilmente, mudar de política sem pôr em causa a sua credibilidade”.

E:”Vejamos o que se passa com os mercados do Médio Oriente. Porque é que houve uma reação negativa na semana passada a seguir à reunião da FED. Há outros fatores?

N.E.H : Pela primeira vez em mais de dez anos, a FED faz referência aos desenvolvimentos internacionais, incluindo a Ásia, a Europa e os Estados Unidos, assim como a queda do preço do petróleo.
Isto teve, claro, um enorme impacto aqui no Médio Oriente. Depois do anúncio da FED, houve uma certa volatilidade nos mercados , um pouco perdidos com a questão da taxa de juro e as bolsas encerraram no vermelho por várias razões: A primeira é que todas as divisas das economias da região estão indexadas ao dólar, ao mesmo tempo que os índices económicos da região do golfo não foram encorajadores e muitas empresas não alcançaram as expetativas financeiras e o valor das ações caiu.

Para além disso, os desenvolvimentos recentes da tensão entre o Egito e o grupo Estado Islâmico fazem crescer receios de uma nova guerra regional.