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Plano Europeu de Desenvolvimento e Crescimento: A nova esperança para o emprego

Todos nós, pelo menos uma vez, já conversámos com os nossos amigos ou familiares sobre o estado da economia europeia e o que poderia ser feito para

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Plano Europeu de Desenvolvimento e Crescimento: A nova esperança para o emprego

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Todos nós, pelo menos uma vez, já conversámos com os nossos amigos ou familiares sobre o estado da economia europeia e o que poderia ser feito para melhorar a situação. Esta semana, Real Economy foi descobrir os planos da Comissão Europeia para o crescimento económico da Europa e falar com o vice-presidente, Jyrki Katainen sobre o tão falado Plano de Investimento. Até que ponto é realista e responde às necessidades das PME’s, que desesperam por ajuda financeira para se desenvolverem e criarem empregos.

O objetivo do plano é aumentar o investimento financeiro com dinheiro privado, e com investimento público em projetos geradores de crescimento sem criar nova dívida pública.

Vejamos como deve funcionar:
Pensemos no pacote de investimento da União como um cofre vazio. No cofre há uma garantia de 16 mil milhões de euros da União Europeia que deverá ser reforçada com os oito mil milhões de fundos já existentes. Do Banco Europeu de Investimento (BEI) vêm mais 5 mil milhões.

O ponto de partida, em teoria, será, então, de 21 mil milhões – os 16 mil milhões da União mais os cinco mil milhões – com possibilidade de outras contribuições dos estados membros e dos respetivos bancos.

Tendo como base contas feitas no passado, a Comissão estima que os 21 mil milhões podem potencialmente multiplicar-se até 315 mil milhões. Isto é, cada euro de fundos públicos deve alavancar 3 euros como dívida subordinada. Isto significa que a União Europeia, enquanto credor, será a última a ser reembolsada.

Os investidores privados serão incentivados
a participar no projeto na perspetiva de que cada três euros terão que transformar-se em 15, (devem investir 12) mas os investimentos serão classificados como dívida senior, ou seja, serão os primeiros credores a serem pagos.

Se tudo isto funcionar, 240 mil milhões de euros irão para o investimento estratégico e 75 mil milhões para as PME’s.

Junta-se agora a nós o vice-presidente da Comissão Europeia, e responsável pelas áreas do Crescimento, Emprego, Investimento e Competição, Jyrki Katainen.

O senhor tem estado a apresentar o Plano de Investimento… Que reações tem tido por parte da comunidade de investidores e até que ponto este plano é realista?

Jyrki Katainen: As reações têm sido muito encorajadoras, especialmente da parte dos que poderão investir na Europa, que se interessam pelas novas oportunidades que estamos a oferecer. Há basicamente três elementos: o financiamento das Pequenas e Médias Empresas e de projetos de alto risco, a segunda parte é uma plataforma de projetos e a última depende das iniciativas do mercado em várias áreas.

MS: Daqui a quanto tempo o plano poder ser apresentado a outros países, outras regiões do mundo?

JK: Vai estar pronto rapidamente. Tudo deve estar a funcionar no final de junho. E podemos começar a aumentar os empréstimos às PME’s até antes disso. Uma vez que tudo esteja pronto, ficarei muito feliz de visitar vários países do mundo e mostrar a outras pessoas as novas oportunidades na Europa.

Porque estamos a falar de economia real, vamos descer ao terreno, às PME’s que é suposto beneficiarem com este plano e aos investidores privados. Guillaume Desjardin foi até Espanha para ouvir a perspetiva dos empresários.

Wilbur é um dos 7,000 porcos que Josu Garaialde’ tem uma exploração de 7 mil porcos em Basatxerri, que se transformam nos famosos presuntos bascos todos os anos.

O problema desta empresa – criada há 15 anos e com 14 empregados – não é a procura crescente dos produtos. É a dificuldade de acesso ao financiamento que bloqueia o seu crescimento.

Queremos procurar formas de nos comercializarmos diretamente, integrar-nos em cadeias de restaurante, cadeias de talhos, produzir, buscar novos produtos, novos mercados. Se tivéssemos financiamento adequado, teríamos possibilidade de crescer”, afirma Garaialde.

Como para os presuntos de Josu, para mais de 20 mil milhões de PME’s na Europa o acesso ao financiamento é um caminho longo e dificil. O elevado nível de desemprego em Espanha tornou tudo mais complicado. 2, 25 milhões de PME’s empregam mais de 7,6 milhões de pessoas. Estes números obrigaram o governo basco a criar um Parque Tecnológico mesmo antes da crise. Nele, as empresas trabalham juntas para a troca de sinergias e para conseguirem créditos.

José Miguel Corres, o responsável do Parque, explica que “ O problema é que sozinhas, na sua própria atividade são demasiado pequenas em muitos casos para terem acesso a crédito”.

Para ajudar Josu a promover a empresa, a Comissão Europeia e o seu plano de investimento vai ter que conseguir transformar cada um dos seus euros em 15 . Mas, estarão os investidores prontos a cooperar? Poderão eles multiplicar os pães suficientes para alimentar a fome das PME’s? Numa palavra: Será que funciona?. Foram estas as questões colocadas a Pedro Sanchez, responsável do Banco Sabadell, no País Basco.

«Há muita liquidez no mercado, o que estão à espera é que haja projetos viáveis para poderem investir e, por conseguinte, para projetos de PME’s cujo nível de risco se tornou muito alto. Pensamos que se uma start-up ou um empresário têm um projeto e se a garantia do risco está coberta, encontra muito mais investidores dispostos a investir e mesmo eu, claro”, afirma.

Para José Miguel Corres, o projeto europeu é ambicioso, porque “O sistema bancário tem dinheiro, o que está a faltar é a confiança”.

A falta de confiança está a ser colmatada, de alguma forma, pelo Programa de Flexibilização Quantitativa (QE) do BCE,
que injecta dinheiro no sistema. O efeito disto é que os bancos podem arriscar mais e emprestar dinheiro às Pequenas e Medias Empresas como a de Josu.

Mas voltemos à conversa com o O vice-presidente, Katainen:

MS: Falamos de confiança dos investidores, da confiança das pessoas no Euro, na Europa – Pensa que isto será suficiente para angariar o capital que a Comissão pretende alcançar?

JK: A situação varia de país para país. No próximo ano o crescimento médio será de 2% quer na zona euro quer por toda a União Europeia. Mas claro que os estados membros têm que cumprir a sua parte e prosseguir o caminho das reformas, porque elas são bastante necessárias para impulsionar o investimento.

MS: Pensa que o programa de flexibilização quantitativa vai tornar o Plano de Investimento mais fácil de vender para si?

JK: Tem sido muito útil e estabilizou a situação. Se olharmos para a política monetária, se juntarmos um euro fraco e um petróleo barato, tudo junto cria um estímulo tremendo para a economia da zona euro.Cabe aos governos fazer as reformas.
Se olharmos para Itália, por exemplo, vemos que tem um ambicioso plano de reformas. Também Espanha, Portugal e a Irlanda são muito bons exemplos de que reformando a sociedade podemos conseguir mais emprego.

MS: Creio que muita gente estará preocupada com a indefinição disto tudo. Concretamente, que fundos dos já existentes vão ser sacrificados? Especifique com projetos se puder…

JK: Nós ainda não conhecemos os projetos. Depende do setor privado – porque o novo fundo vai financiar apenas o investimento privado e o investimento de parcerias publico-privadas. O ratio é muito elevado especialmente quando se financiam Pequenas e Médias Empresas. Tem havido algumas questões… porque é que estamos a utilizar números tão grandes quando falamos de médias, mas é baseado nos dados históricos dos empréstimos do Banco Europeu de Investimento (BEI). Na verdade os cálculos são abaixo da média histórica do BEI. Ninguém pode garantir estes dados mas é a melhor informação que temos atualmente.

MS: Com que rapidez é que o dinheiro vai chegar ao terreno, às pessoas?

JK: As pessoas vão começar a ver a diferença já esta primavera, através do investimento das PME’s. O BEI já disse que, antes mesmo do fundo estar a funcionar, vai aumentar os empréstimos para as PME’s. As PME’s estão no terreno e se tiverem financiamento para expandir os negócios, vamos começar a ver mais empregos.

Vejamos agora algumas opniões que fomos recolhendo acerca do Plano de Investimento.

Angel Gurria, Secretário-geral da OCDE
“Ainda não temos uma integração económica europeia… uma rede energética, uma rede de telecomunicações. Façamos isso e os nossos 315 mil milhões transformam-se em 3 biliões”.

Min Zhu, Vice-diretor do FMI:
“Precisamos de transparência, de reformas estruturais, de reformas reguladoras – por exemplo a reforma do mercados dos produtos, a reforma do mercado do trabalho, do setor dos serviços, tudo isto é muito importante em apoio ao Plano de Investimento”.

Mark Rutte, Primeiro-ministro holandês:
“Isso pode ajudar, a partir do momento em que tenhamos a certeza que o dinheiro será gasto em projetos que promovam o crescimento. Não deve ser feito em vez do investimento que cabe ao países. Isto deve ser investimento de crescimento – motor de inovação”.

Jean Paul Fitoussi, Professor Emérito do Instituto de Estudos Politicos de Paris

“Estamos num momento particularmente perigoso para a Europa.. E se querem fazer tudo o possível pelo euro e pela sobrevivência da Europa é preciso mudar radicalmente as políticas atuais”.

MS: Pego nesta ideia para lhe perguntar: Até que ponto as políticas da Europa são flexíveis?

JK : Flexibilidade existe quando se fala de políticas fiscais. Temos apenas alguns paísses com meios para estimular as respetivas economias. Mas o melhor estímulo que cada estado membro pode realizar são as reformas para maior flexibilidade do mercado do trabalho e do ambiente dos negócios”.

MS: Os mercados interconectados são muito importantes…

JK: Sim, exatamente. Na verdade há poucas áreas na União Europeia em que o mercado não esteja ainda harmonizado. Por exemplo o mercado digital, ainda não está harmonizado e isto seria muito importante para as PME’s.
– Pode-se facilmente comprar gravatas noutro país, mas não se pode comprar facilmente conteúdos digitais. É isso que temos que harmonizar, o regime dos direitos de autor, precisamos de ver se teremos de harmonizar mais os impostos sobre o valor acrescentado e as leis de proteção dos dados também deveriam ser mais harmonizadas. Eu acredito firmememte neste mercado único enquanto tento atrair investidores para a Europa.

MS: Quanto tempo será necessário para chegar a um acordo, tendo em conta que, com 28 países, pode haver bloqueios..

JK: Não é fácil. Vai demorar algum tempo, mas espero que consigamos criar um novo mercado digital, um mercado energético mais harmonizado e um mercado de capitais também mais harmonizado na Europa no prazo de três anos.

MS : A última questão senhor Katainen: O que é que lhe tira o sono? A deflação? A Grécia? A falta de crescimento? O Plano de Investimento?

JK : Digamos que é o Plano de Investimento, porque há muito trabalho para fazer e isso pode significar a mudança. Não vai mudar o mundo, sozinho não poderá fazer tudo, mas vai ajudar os investidores privados a investirem na Europa, a investirem em empregos reais e na criação de projetos por toda a Europa.