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Aivaras Abromavicius: A dura tarefa de evitar a bancarrota na Ucrânia

Aivaras Abromavicius é o ministro da Economia da Ucrânia. É lituano e foi nomeado num esforço do governo de Kiev para trazer ao país o conhecimento e

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Aivaras Abromavicius: A dura tarefa de evitar a bancarrota na Ucrânia

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Aivaras Abromavicius é o ministro da Economia da Ucrânia. É lituano e foi nomeado num esforço do governo de Kiev para trazer ao país o conhecimento e a experiência internacional. Abramavicius tem a dura tarefa de implementar as reformas económicas exigidas pelo Fundo Monetário Internacional, para salvar o país da bacarrota.

Sergio Cantone, Euronews: Que tipo de reformas está pronto a implementar?

Aivaras Abromavicius: “As principais reformas são sobre a regulamentação para tornar mais fáceis os negócios no país, melhorar o clima de investimento, para que possamos começar a ter investimento direto. A segunda é a reforma do tecido empresarial do estado. Temos 1900 empresas e muitas estão a ser geridas por entidades privadas, com lucros para privados e não para o estado. Temos um plano para mudar isto, para dar transparência às direções das empresas e tornar estas empresas rentáveis.

E: Um dos grandes problemas do país em termos de reforma é o bloqueio da administração pública. Todas as pessoas que estiveram relacionadas com o regime anterior bloqueiam as reformas e a transparência. O que tenciona fazer?

A.A: “No que diz respeito às pessoas que trabalham para o governo na área da administração pública, há um grande problema. Há um enorme problema de salário. Com as atuais taxas de câmbio, os salários cairam para menos de 200 dólares por mês e isto cria, obviamente, condições para a corrupção. Quando os salários são muito baixos, a tentação do dinheiro que circula é muito grande. Por isso, quero fazer uma reforma administrativa que permita reduzir consideravelmente os efetivos e aumentar os salários para os que ficam. No meu ministério esperamos reduzir os efetivos em 50% este ano e claro que vamos tentar encontrar uma forma de aumentar os salários para os que ficam, para passarmos a um período em que as pessoas tenham salários decentes para sustentar as famílias”.

E: . O que vai fazer para se livrar deste sistema económico e político de poder representado pelos oligarcas e que é, de resto, comum na maior parte dos países da ex-esfera soviética?

A.A: “Nós já não temos grandes oligarcas no país, porque com este nível de declinio económico e depreciação da moeda, as oligarquias tornaram-se em pequenas e médias empresas…”

E: Sim, mas a maior parte do dinheiro deles está no estrangeiro e convertido em dólares…

A.A: “Sim, mas com o declínio da economia, muitas empresas têm grandes dívidas e uma liquidez próxima de zero, por isso a influência dos oligarcas já não é o que era no passado. Acabámos com os intermediários no neóocio do gás e agora compramos mais gás à Europa do que à Rússia e aí não temos intermediários, é tudo feito de uma forma transparente. Já não há RosUkrEnergo, nem Fyrtash no mercado e, obviamente, isso é um passo importante para a sociedade e para os negócios neste país. Já não toleramos a corrupção no negócio do gás”.

E: Pode recordar-nos quem é Fyrtash?

A.A: “Creio que era um conhecido comerciante de gás que comprava à Gazprom e vendia à Ucrânia e a Ucrânia tem duas tabelas de preços, pelo menos para o gás. Uma para a população, com preços muito baixos completamente subsidiados e outra para a indústria, a preço de mercado, o que cria enormes margens para a corrupção e uma das reformas principais a realizar é a reforma do setor energético com a divisão da Naftogaz em pelo menos três empresas, com a possibilidade de investimento estrangeiro no país e, claro, vamos ter que aumentar as tarifas do gás que estão muito baixas”.

E: Porque é que demora tanto tempo a privatização das infraestruras de transporte do gás, que são tão importantes estrategicamente para o país, para a Rússia e também para a União Europeia?

A.A: “Penso que vender ativos à Rússia está fora de questão neste momento, porque sabemos as relações que temos com a Rússia e a sociedade não iria tolerar isso e, obviamente, o governo não está a planear fazer nada desse género. No que respeita à venda de ativos do gás defendemos que durante a guerra, os preços não serão suficientemente altos e não representam encaixes suficientes para o orçamento do estado. Portanto, queremos limpar as empresas do estado, ordená-las, mudar a forma como poderão ser privatizadas e, quando chegar a altura, quando as condições do mercado melhorarem, tentaremos vendê-las a investidores estratégicos”.

E: É verdade que por causa das reformas solicitadas pelos organismos internacionais, o preço do gás vai subir cerca de 300%?

A.A: “As tarifas do gás vão aumentar substancialmente, sem dúvida. O preço final vai ser definido pela agência nacional para os preços do gás e da eletricidade e a posição do governo é a de que os ricos não devem benificiar dos preços baixos, o que é o caso atualmente. A posição do governo é a de aumentar as tarifas do gás, o máximo possível para as aproximar dos preços de mercado e os pobres serão subsidiados. Os pobres terão que apresentar uma declaração de rendimentos e candidatar-se aos subsídios. É tudo o que terão que fazer para serem totalmente compensados pelo aumento”.

E: Pode dizer-nos o que é, para si, um pobre e como define o limiar da pobreza?

A.A: “Sim. Com o atual declínio económico, o número de pobres no país está a aumentar consideravelmente e o número dos que vão obter os subsídios sobe em flecha. Vai ser um desafio enorme para o ministério dos Assuntos Sociais gerir isto, mas estamos prontos para isso. Os efetivos serão reforçados e vamos instalar mais computadores e sistemas de gestão e toda a gente que pedir os subsídios, vai ter os subsídios”