Última hora

Última hora

"Europe Weekly": Grécia, energia e défice francês em destaque

Nesta edição do "Europe Weekly" destacamos o facto do governo de Atenas ter enviado a lista de reformas que vai levar a cabo em troca da continuação da ajuda europeia e que foi aceite pelos 19 países

Em leitura:

"Europe Weekly": Grécia, energia e défice francês em destaque

Tamanho do texto Aa Aa

Nesta edição do “Europe Weekly” destacamos o facto do governo de Atenas ter enviado a lista de reformas que vai levar a cabo em troca da continuação da ajuda europeia e que foi aceite pelos 19 países da zona euro.

Point of view

No final, os encargos para a Grécia serão reduzidos em aproximadamente 50%.

Nos últimos dias, o conflito entre a Rússia e a Ucrânia voltou a estender-se ao fornecimento de gás. Os europeus recebem 15% do gás através dos gasodutos da Ucrânia, pelo que poderão sofrer cortes.

É neste contexto muito tenso que a Comissão Europeia (CE) propôs uma nova estratégia energética comum, que revemos no programa.

Mas além da Grécia, três outros países estavam na mira de Bruxelas por causa das contas públicas, mas conseguiram contornar a situação. A Itália e Bélgica foram poupadas a processos por incumprimento, apesar de terem dívidas públicas de 132% e 106%, respectivamente.

Mas a decisão mais notável diz respeito à França que apesar de muitas derrapagens orçamentais, voltou a ver alargado o prazo para cumprir a meta do défice.

“A dívida grega é muito alta e deve ser reescalonada”

Para melhor explicar essas questões orçamentais, a correspondente da euronews em Bruxelas, Audrey Tilve, entrevistou Bruno Colmant, economista belga, autor de vários livros e professor na Escola Solvay de Bruxelas.

Audrey Tilve/euronews (AT/euronews): “Como interpreta a brandura da CE em relação à França? É a terceira vez que recebe mais tempo para cumprir a meta do défice. Justifica-se?”

Bruno Colmant/economista (BC/economista): “Penso que se justifica. Não devemos falar de brandura mas de realismo. A situação económica deteriorou-se na zona euro nos últimos três anos, entrámos em deflação e, portanto, é normal que a Comissão seja mais flexível em relação aos países que enfrentam grandes défices orçamentais. Penso que também seria um erro exigir disciplina fiscal numo momento de lento crescimento e, em particular, de deflação”.

AT/euronews: “Falemos dos outros dois países que foram avaliados esta semana: Itália e Bélgica. Ambos têm dívidas públicas enormes, sobretudo a Itália que está logo a seguir à Grécia. Como explica que a CE não esteja muito preocupada com essas dívidas?”.

BC/economista: “Os casos da Itália e da Bélgica são extremamente diferentes. A Itália tem, efetivamente, uma dívida pública de cerca de 130% da riqueza nacional, mas essa dívida é maioritariamente detida pelos bancos italianos. Logo, a Itália não é um risco sistémico para a zona euro. A Bélgica tem a economia na boa direção, com taxas de crescimento razoáveis e, especialmente, uma dívida pública que é financiada com taxas de juros extremamente baixas para a população belga. Estes dois países não são um problema em termos de contaminação da zona euro”.

AT/euronews: “Voltando à Grécia, que é um caso especial e que está sob assistência financeira desde 2010. Para obter uma extensão por mais quatro meses, comprometeu-se com uma série de reformas, incluindo aumentar a cobrança dos impostos. Quanto tempo será preciso até que o Estado grego possa viver das suas receitas fiscais e será que os parceiros europeus lhes vão dar esse tempo?”.

BC/economista: “Os parceiros europeus vão concerteza dar todo o tempo que for necessário porque a dívida grega é maioritariamente detida por outros países europeus. Seria estranho que esses países exigissem esforços impossíveis para a Grécia, porque tal colocaria em causa que viessem a ser reembolsados da dívida pública grega. Penso que vai demorar quatro a cinco anos até que a Grécia tenha um sistema fiscal coerente. Mas não devemos ter ilusões: em última análise, a dívida grega é muito alta e deve ser reescalonada. Eu defende um corte na ordem dos 50%, o que corresponde à percentagem de desvalorização do dracma, a moeda usada pela Grécia se não tivesse aderido à zona euro”.

AT/euronews: “Está dizer que metade da dívida grega deve ser perdoada?”.

BC/economista: “Sim, penso que metade da dívida grega deverá ser perdoada”.

AT/euronews: “Contudo, não é isso que dizem os mais inflexíveis quanto ao cumprimento das regras”.

BC/economista: “A Alemanha tem uma linha muito dura e exige o pagamento da dívida, mas essa dívida deverá ser amortizada num prazo mais longo. É impossível para a Grécia cumprir o atual prazo para o reembolso. Logo, dentro de um ou dois anos, essa dívida vai ter uma maior maturidade, ou mesmo tornar-se perpétua. No final, os encargos para a Grécia serão reduzidos em aproximadamente 50%”.