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Quando o Carnaval é sinónimo de trabalho

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Quando o Carnaval é sinónimo de trabalho

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“Eu não tenho jeito nenhum para desenhar. Por isso, sempre achei que nunca iria fazer nada relacionado com Moda. Mas depois descobri este curso

“Eu não tenho jeito nenhum para desenhar. Por isso, sempre achei que nunca iria fazer nada relacionado com Moda. Mas depois descobri este curso. Fazemos styling, preparamos vitrines, organizamos sessões fotográficas. Eu nunca diria a uma pessoa que ela está mal vestida. Se ela acha que fica bem… Eu também uso roupas extravagantes, mas é do que eu gosto e sou feliz assim.”

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Os vestidos são enormes, ficam guardados em armazéns. É uma loucura o secretismo em torno deles.

Para quem, como Tamsin, pretende conhecer o mundo da Moda por dentro, que melhor do que um estágio no qual pode ajudar a criar alguns dos vestidos mais impressionantes do mundo? Tamsin frequenta um curso de Moda que inclui um programa de mobilidade chamado MAKE. Ela e outros cinco estudantes vieram da Irlanda até Tenerife para ajudar a fazer os vestidos das candidatas a Rainha do Carnaval. Trata-se de estágios que recebem o apoio do programa Erasmus + da União Europeia. “Somos entre 25 e 30 pessoas a trabalhar em duas fantasias. Também temos a ajuda do grupo de estudantes irlandeses”, explica o designer Daniel Pagés.

Desde 2010, o Galway Technical Institute já proporcionou experiências profissionais noutros países a mais de 350 estudantes das mais variadas áreas. Mary Breheny , uma das participantes, não esconde o entusiasmo: “Eu sempre tive um grande fascínio pela Moda. No ano passado, descobri esta oportunidade do Carnaval… tudo me chamava para aqui. Os vestidos fantásticos, tudo.”

Para Tamsin Nolan, é o fascínio: “Nós colamos jóias para criar os padrões. Os vestidos são enormes, ficam guardados em armazéns. É uma loucura o secretismo em torno deles. São tão, tão reluzentes…”.

O conceito de mobilidade sublinha a importância da imersão dos estudantes em culturas diferentes. Mariví Gracia, coordenadora do MAKE, aprofunda a ideia: “São estágios profissionais. Os jovens integram-se num contexto de trabalho, adaptam-se a uma equipa e a uma forma diferente de fazer as coisas. Os horizontes alargam-se, a imaginação é estimulada, assim como a capacidade de adaptação a diferentes equipas de trabalho.”

Estes estudantes têm ainda uma outra oportunidade que não é propriamente comum: podem partilhar o seu trabalho com milhões de pessoas.“Este projeto é ainda mais gratificante porque, no final, eles podem olhar para o trabalho que fizeram num palco onde é escolhida a Rainha do Carnaval de Tenerife. Vão assistir a algo de único que pertence à nossa cultura”, afirma Mariví.

Cathal O’Doherty, outros dos estudantes, fala de uma experiência inesquecível: “Chegar aqui e ver todos estes vestidos feitos à mão… É inacreditável. A quantidade de coisas que fizemos… As plumas, as jóias que tinham de ser colocadas naquele sítio exato… Sinceramente, foi a melhor experiência da minha vida.”

Mesmo que, no final, as suas candidatas não tenham ganho, do balanço desta experiência saem claramente vencedores.