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Grécia coloca 1,14 mil milhões de euros de dívida e FMI faz aviso

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Grécia coloca 1,14 mil milhões de euros de dívida e FMI faz aviso

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A Grécia colocou esta quarta-feira 1.137,5 milhões de euros de divida a seis meses a uma taxa de 2,97 por cento, superior em mais de dois décimos (2,75 por cento) do que no anterior leilão comparável.

A procura — de acordo com a Autoridade de Gestão da Dívida Pública Grega (PDMA) — foi superior 1,3 vezes face à oferta inicial de 625 milhões. A mesma relação entre procura e oferta já se havia registado no anterior leilão, onde Atenas colocou 812,5 milhões de euros à já referida taxa de 2,75 por cento.

A Grécia, recorde-se, está em contra relógio para implementar o plano de reformas apresentado há pouco mais de uma semana às instituições credoras e, dessa forma, cumprir o seu lado do acordo de extensão do plano de financiamento.

Face à escassez de investidores estrangeiros interessados na dívida grega, o próprio governo liderado por Alexis Tsipras terá investido neste leilão de dívida, recorrendo a dinheiros públicos, por exemplo, dos fundos de pensões e à tesouraria de diversas entidades para financiar o Estado, numa estratégia de curto prazo que também foi utilizada em 2011 pelo Governo português, semanas antes de pedir o resgate internacional.

O Governo helénico preparou um esquema de acordos de recompra, contratos conhecidos como “repo”, no qual os excedentes de tesouraria de empresas públicas são utilizados em operações devendo esse investimento ser reposto no prazo de duas semanas. De acordo com o apurado pela equipa grega da euronews, só o Banco da Grécia investiu 750 milhões de euros para colmatar a ausência de investidores estrangeiros.

Atenas procura, assim, evitar um incumprimento já em março. Só ao Fundo Monetário Internacional (FMI), por exemplo, a Grécia tem de pagar este mês cerca de 1,5 mil milhões de euros referentes aos planos de resgate internacional de que foi alvo.

A diretora do FMI já avisou, aliás, em entrevista à MSNBC, que o êxito do plano de reformas apresentado pelo ministro grego das Finanças, Yannis Varoufakis, está dependente do quadro em que será implementado. “Nós temos de ver na prática como é que o plano vai ser concretizado”, afirmou Christine Lagarde, admitindo, contudo, que a Grécia “tem feito progressos ao longo dos anos”, mas, avisou, “eles não devem perder agora os benefícios desse progresso e, segundo, eles têm mesmo de proceder a reformas profundas na economia para que ela possa funcionar, para que volte a ser atrativa e para que as pessoas queiram voltar a investir na Grécia.”

O ministro da Economia espanhol admitiu, por fim, que um um novo programa de resgate internacional à Grécia, o terceiro, é possível. “Se a Grécia não puder aceder aos mercados até junho (…) temos de instituir um novo acordo com a Grécia: podemos chamar-lhe acordo, pacto, programa, mas é isso”, afirmou Luis de Guindos, durante um seminário económico em Barcelona, sublinhando que “infelizmente é pouco provável” que Atenas aceda aos mercados.

O Presidente da Comissão Europeia (CE), Jean-Claude Junkcker, garante, ainda assim, ser “prematuro” começar-se a falar de um terceiro programa de resgate para a Grécia e acusou Portugal e Espanha de estarem a ser muito exigentes com o novo governo de Atenas. “A Grécia é um exemplo de que a impressão de a Alemanha estar a liderar a Europa com mão de ferro não corresponde à realidade. Há vários países mais severos que a Alemanha: Holanda, Finlândia, Eslováquia, os Bálticos, Áustria… “, disse Jean-Claude Juncker, em entrevista ao jornal espanhol El Pais, acrescentando que “nas últimas semanas, Espanha e Portugal têm sido muito exigentes em relação à Grécia.”