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Banco Privado de Andorra sob intervenção por lavagem de dinheiro

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Banco Privado de Andorra sob intervenção por lavagem de dinheiro

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O governo de Andorra vai assumir o controlo do Banco Privado de Andorra (BPA), na sequência da denúncia pelo Departamento do Tesouro dos Estados Unidos de que aquela instituição do Principado estaria a lavar dinheiro de grupos criminosos oriundos da China, da Rússia e da Venezuela.

A denúncia é revelada num comunicado da Rede de Trabalho sobre Crimes Financeiros (FinCEN), do Departamento do Tesouro dos EUA, e teve por base relatórios que caraterizam o BPA como uma “instituição financeira estrangeira de preocupante lavagem de dinheiro primária de acordo com a Secção 311 do ‘US Patrioct Act’ (lei norte-americana de 2001 que permite intervir sobre comunicações pessoais sob suspeita de associação a atos terroristas)”.

O FinCEN revela ter identificado, entre outros indícios suspeitos, um alto funcionário do BPA que terá dado substancial ajuda a Andrei Petrov, um intermediário no branqueamento de capitais de organizações criminosas russas ligadas à corrupção. Suspeito de associação também a Semion Mogilevich, um dos 10 criminosos mais procurados pelo FBI, Petrov foi detido, acrescenta o comunicado, em fevereiro do ano passado em Espanha por um alegado esquema de lavagem de dinheiro.

O BPA é também acusado de ter recebido “exorbitantes comissões para processar transações relacionadas a intermediários venezuelanos para lavagem de dinheiro”. “Esta atividade integrou o desenvolvimento de pequenas empresas fictícias e produtos financeiros complexos para desviar fundos da empresa pública venezuelana Petroleos de Venezuela. O BPA terá processado cerca de 2 mil milhões de dólares de transações relacionados com este esquema de branqueamento de capitais”, acusa o FinCEN.

Foram ainda descobertas atividades com o empresário chinês Gao Ping, também ele já detido em Espanha, em 2012. O asiático terá atuado “em nome de organizações criminais vinculadas ao tráfico de pessoas e desenvolveu uma relação com o BPA para lavar dinheiro em nome dessas organizações e de numerosos empresários espanhóis.”

Na sequência deste caso, o Banco de Espanha anunciou a intervenção sobre o Banco de Madrid, o braço espanhol detido a 100 por cento pelo Banco Privado de Andorra. No Principado, dois membros do Governo foram destacados para a gestão do BPA, de forma a “garantir a continuidade da normal operação na entidade, proteger os clientes e velar pelo bom nome e integridade da praça financeira andorrana”, disse Antoni Martí, o chefe de Governo de Andorra.

O Principado é um reconhecido paraíso fiscal, mas no ano passado assinou com outros países um compromisso de colaboração na investigação de fraudes financeiras, nomeadamente pela troca de informações em matérias fiscais.