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Nigéria: Mais de 70 cadáveres em cidade recuperada ao Boko Haram

Mlitares do Chade, que integram aliança internacional contra os "jihadistas" africanos, falam em mais de 100 mortos, entre degolados, fuzilados e decapitados

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Nigéria: Mais de 70 cadáveres em cidade recuperada ao Boko Haram

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Mais de 70 cadáveres foram contabilizados numa descoberta macabra realizada por militares do exército do Chade no norte da Nigéria. Os militares, que integram a força internacional que combate os “jihadistas” do grupo Boko Haram, localizaram um vasto número de corpos numa área reduzida à saída da cidade de Damasak, no nordeste nigeriano, próximo da fronteira com o Níger.

Os soldados do Chade admitem que os cadáveres poderão ser mais de 100. Alguns apresentam sinais de terem sido degolados, outros fuzilados e pelo menos um foi encontrado decapitado. O estado mumificado dos corpos devido à exposição ao ar seco da região deixa perceber que as mortes não serão recentes.

“Os corpos foram encontrados espalhados por baixo de uma ponte. A matança aconteceu há cerca de dois meses e é obra do Boko Haram”, acusou o coronel Azem Bermandoa Agouna.

O Boko Haram manifestou há algumas semanas fidelidade ao grupo Estado Islâmico, que tem vindo a espalhar o terror no Iraque e na Síria. Os africanos pretendem instaurar um califado no norte da Nigéria e, à imagem do grupo do Médio Oriente, têm-se afirmado pelo terror e em especial na Nigéria, mas também já atacaram nas zonas fronteiriças dos Camarões, do Níger e do Chade, o que levou estes três países a juntarem-se numa aliança militar com as forças nigerianas para combater os “jihadistas.”

No início deste ano, o Boko Haram controlava cerca de 20 distritos, numa área nigeriana similar ao território da Bélgica. Com a ofensiva da coligação internacional iniciada no início deste mês, os “jihadistas” africanos terão perdido o controlo de 17, mas na última quinta-feira fonte da Reuters reportou o assassínio pelo Boko Haram de pelo menos 10 pessoas na cidade nigeriana de Gamboru, junto aos Camarões, numa demonstração que o grupo continua ativo apesar da forte repressão da aliança.

A Nigéria vai entretanto ser palco de eleições presidenciais no próximo sábado (28 de março). O presidente Jonathan Goodluck tem sido muito criticado pela alegada passividade com que tem enfrentado a insurreição islamita que nos últimos seis anos já matou mais de 13.000 pessoas.

O ainda chefe de Estado diz-se, contudo, “muito otimista”. “Não precisaremos de mais de um mês para recuperar todos os territórios que caíram nas mãos dos islamitas”, afirmou, numa entrevista à BBC divulgada sexta-feira, o presidente do país mais populoso e com a maior economia de África. A concorrer contra Jonathan Goodluck, nestas presidenciais, está Muhammadu Buhari, reconhecido pela firmeza com que liderou as forças armadas nigerianas na década de 80 do século XX.