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Business Middle East: os preços do ouro e do petróleo

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De  Nelson Pereira
Business Middle East: os preços do ouro e do petróleo

<p>Nesta edição de Business Middle East, vamos discutir a nova fórmula de fixação dos preços do ouro e, no Business Snapshot, registar declarações vindas do Kuvait, o primeiro país do Golfo a exprimir preocupações sobre a descida dos preços do petróleo.</p> <b>Novo sistema de fixação do preço do ouro</b> <p>Antes tarde que nunca: o “mercado do ouro entrou na era digital“http://pt.euronews.com/tag/ouro/, acompanhando outros metais preciosos no século <span class="caps">XXI</span>.</p> <p>Algumas críticas a este novo sistema de fixação do preço apontam para falta de credibilidade. <br /> No seguimento de várias multas por manipulação do preço do ouro, os intermediários mundiais podem ter agora mais segurança, com um novo sistema eletrónico de fixação do preço.</p> <p>Desde 1919, o preço do metal amarelo era definido por quatro bancos internacionais: Société Générale, Bank of Nova Scotia, <span class="caps">HSBC</span> e Barclays. </p> <p>Em 1994 o Deutsche Bank integrou o grupo, que veio a abandonar vinte anos depois, em maio passado.</p> <p>De acordo com este sistema, os responsáveis destes bancos determinavam o preço através de uma conferência diária. </p> <p>A esta lista de bancos vieram juntar-se o <span class="caps">UBS</span> Suíço e o Goldman Sachs. </p> <p>Um século depois, o novo sistema digital funciona de acordo com o seguinte processo:</p> <p>- Cada ronda dura mais 45 segundos. – Licitações e ofertas são exibidas e atualizadas em tempo real. – A diferença é automaticamente calculada e se se estabelece dentro de 20 mil onças-troy, o preço é fixado.</p> <p>Neste novo sistema, as ordens de compra são separadas entre clientes e as mesas de negociação dos bancos.</p> <p>“Em maio de 2014, a Autoridade de Conduta Financeira do Reino Unido multou o Barclays“http://pt.euronews.com/2014/05/23/supervisao-multa-barclays-por-manipulacao-do-preco-do-ouro/ em 32,1 milhões de euros, por falhas de controlo sobre o preço do ouro, registadas desde 2004 até 2013.</p> <p>O Departamento de Justiça dos Estados investigou até agora dez bancos, por suspeita de manipulação dos preços do ouro. Espera-se que o novo processo venha dificultar manipulações.</p> <p>Para discutir esta questão, falámos com Nour Eldeen Al Hammoury, chefe da estratégia de marketing da <span class="caps">ADS</span> Securities em Abu Dhabi.</p> <p>Na sua opinião, o novo sistema eletrónico permitirá tornar menos vulnerável a manipulações a fixação diária do preço. </p> <p>Nour Al Hammoury lembrou que “As maiores instituições bancárias enfrentaram muitos escândalos relacionados não apenas com ouro, mas também com outras matérias-primas.”, acrescentando que “Os bancos que anunciavam a subida do preço da onça de ouro acima de dois mil dólares, estão os mesmos que agora prevêm a queda do preço abaixo de mil dólares. “</p> <p>“Apesar disto, de acordo com os últimos relatórios do Conselho Mundial do Ouro, os maiores bancos continuam a ser os maiores compradores de ouro. Entretanto, o novo sistema de fixação de preço pode dar mais confiança ao mercado, especialmente se for transparente – é isto que iremos verificar nos próximos tempos.”, sublinhou ainda.</p> <p>De acordo com algumas previsões, a China poderia ter um papel chave no novo sistema de preços. </p> <p>Segundo Nour Al Hammoury, “Desde a crise financeira até hoje, a China tem comprado grandes quantidades de ouro, sendo um dos maiores compradores de ouro nos últimos meses. Se a China aderir ao novo sistema de fixação de preço, a manipulação será menor. Quanto maior o número de participantes, mais difícil será a manipulação que era possível quando um pequeno grupo de bancos fixava o preço.”</p> <b>Business Snapshot</b> <b>Preço do petróleo: o Kuvait toma posição</b> <p>E da cor amarela, vamos para o preto – declarações recentes do ministro do petróleo do Kuvait provocaram questões sobre o impacto real da descida dos preços do petróleo e sobre as limitações à intervenção da <span class="caps">OPEC</span>. </p> <p>O ministro do petróleo do Kuvait, Ali Al-Omair, assumiu um tom de crítica, nas suas declarações da passada semana, afirmando que a descida do preço do petróleo afetará o orçamento do seu país e justificando a ausência de intervenção da <span class="caps">OPEC</span> no nível de produção.</p> <p>“Claro que isto nos afeta, pois o preço do petróleo influencia o nosso orçamento. Dentro da <span class="caps">OPEC</span> não temos outra opção senão manter o atual nível de produção, pois não queremos perder a nossa parte no mercado”, disse aos jornalistas Ali Al-Omair na cidade do Kuvait.</p> <p>O ministro disse ainda que acolheria com agrado qualquer tipo de acordo com produtores fora da <span class="caps">OPEC</span>.</p> <p>Al-Omair é o primeiro ministro do Golfo que faz uma crítica oficial sobre o impacto real da queda de preços do petróleo no orçamento do estado, contrariamente às declarações dos minsitros do petróleo da Arábia Saudita e dos Emiratos Árabes Unidos.</p> <p>96% das receitas públicas do Kuvait dependem do petróleo. O pais anunciou no início do ano um orçamento de austeridade para o novo ano fiscal, incluindo uma redução de 17,8% nas despesas, em comparação com os valores do corrente ano fiscal. Tudo isto está ligado à contínua descida dos preços do petróleo.</p> <p>Pedimos a Nour Al Hammoury um comentário a estas afirmações de Al Omair. </p> <p>“Acredito que esta é mais uma questão politica que económica. Os membros da <span class="caps">OPEC</span> não conseguiram até agora encontrar uma solução. O que está em jogo é decidir quanto deve ser cortado e que percentagem cabe a cada membro se aceitarem baixar a produção.”, disse Nour Al Hammoury, acrescentando que “Entretanto, os comentários do ministro podem significar que na cimeira de junho continuarão sem alcançar um acordo.”</p> <p>Nour Al Hammoury recordou ainda que “O mercado de petróleo foi recentemente confrontado com um novo desafio, com o Irão a prometer aumentar as exportações de petróleo em um milhão de barris assim que as sanções sejam levantadas” e sublinhou que este facto “elevará a oferta a mais um milhão de barris, mantendo a pressão sobre a descida dos preços.”</p> <p>Acompanhe Business Middle East. Aqui estaremos com os temas da atualidade, na edição da próxima semana.</p>