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Grécia desperada por dinheiro

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Grécia desperada por dinheiro

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A Grécia está desesperada por dinheiro. Atenas tem até dia 20 de abril para encontrar uma solução. Segundo a Reuters esta é a data em que ou o Governo chega a acordo com os parceiros europeus ou declara a bancarrota do país.

O executivo lançou uma operação de perdão de juros aos contribuintes que pagassem as dívidas fiscais até esta sexta-feira.

Miltos Ballis deve 8 mil euros mas ou paga os impostos ou alimenta a família.

“Eles estão a pensar em recolher dinheiro de todos os lados. Se se tiver dinheiro paga-se, se não escolhe-se os filhos… Eu vou pagar algum, o que puder, mas os meus filhos são mais importantes, estão acima de tudo, como em qualquer família grega… Costumávamos ter um rendimento mas depois vieram os primeiros cortes, para mim e para a minha esposa, não conseguimos lidar com isso e começa a recessão”, conta.

A Grécia está ainda a recorrer às reservas financeiras de fundos públicos de pensões mas terá de os repor e o relógio não para.

“Acabou o tempo, não só para aqueles que queriam aproveitar este regime favorável mas também para o Governo. Encurralado por cofres vazios, está à espera destes rendimentos para pagar obrigações tanto nacionais como estrangeiras, nas próximas semanas.”

Ainda é cedo para avaliar o êxito desta medida de perdão de juros aos contribuintes que resolveram pagar dívidas antigas ao fisco.

Há um caso que remota a 1977, como confirma a diretora do departamento de informática do ministério das Finanças, Sofia Sexperidou. “Existem casos de dívidas muito antigas. A avaliação final será feita na próxima semana. Teremos as informações finais dos bancos na terça ou quarta-feira.”

Os gregos devem ao Estado cerca de 73,9 mil milhões de euros, cerca de 40% do PIB. Se uns pensam que os contribuintes deixaram de pagar para que as dívidas prescrevessem, outros apresentam outra justificação.

“Os gregos nunca tiveram uma cultura de não pagamento. Sempre foram pessoas que cumpriram as obrigações. É um facto, mas as dificuldades dos últimos anos fizeram-nos pensar se deveriam, ou não, pagar os impostos”, assegura o conselheiro fiscal, Antonis Mouzakis.

O Governo de Alex Tsipras anunciou, esta semana, uma reforma fiscal que estará concluída no segundo semestre de 2015.