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Sarkozy está de volta à ribalta francesa; PS recua, Le Pen marca território

O regresso da UMP de Sarkozy marcou estas elei4ões departamentais em França. A Frente Nacional conseguiu um terceiro lugar significativo. A UMP teve

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Sarkozy está de volta à ribalta francesa; PS recua, Le Pen marca território

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O regresso da UMP de Sarkozy marcou estas eleições departamentais em França. A Frente Nacional conseguiu um terceiro lugar significativo.

A UMP teve 45,03% dos votos, o PS com os partidos de esquerda 32,12% e a Frente Nacional de Le Pen com 22,23%.

A segunda volta nestas eleições deu a Nicolas Sarkozy, líder da aliança com os centristas, 66 departamentos., contra os 30 socialistas.

Jamais, na V República, a direita tinha conseguido tal resultado.

Nicolas Sarkozy, ex-presidente da República, líder da UMP:

- Vamos acelerar a preparação do projeto para a alternativa republicana.É um projeto absolutamente inovador e será ca condição absoluta para reequilibrar o país e interromper o declínio em que mergulhámos em três anos do socialismo mais arcaico da Europa.

A UMP progrediu como um incêndio, ganhando força em todo o país. Os socialistas, pelo contrário, recuaram. Apenas resistem no sudoeste. A Frente Nacional concentra-se principalmente no norte e no sudeste da França. Esta foi a quarta derrota seguida dos socialistas, no poder desde 2012. Impossível fugir do que salta à vista, mas, mesmo assim, Manuel Valls, primeiro-ministro considerou que o colapso se deve à dispersão de votos e não à reprovação das políticas do executivo:

- A esquerda, demasiado dispersa, demasiado dividida na primeira volta, recuou bastante, apesar dos balanços positivos a nível departamental.

A Frente Nacional confirma a implantação no país, mas Marine Le Pen, prejudicada pelo sistema eleitoral maioritário a duas voltas, que favorece os partidos com capacidade para estabelecerem alianças entre a primeira e a segunda votação, não conseguiu conquistar sequer a maioria num departamento.
No entanto teve quase tantos votos como os socialistas (4,1 milhões a FN e 4,3 milhões o PS).

Marine Le Pen – O objetivo está à vista. Chegar ao poder e colocar em prática as nossas ideias para reequilibrar a França, lhe devolver a liberdade, a seguraça e a prosperidade .

No país das reivindicações, os franceses estão céticos e afastaram-se dos representantes: apenas um em cada dois votou. Em Lyon e Paris, as funções dos conselhos departamentais são exercidas por outros orgãos.

O advento do tripartidarismo

Jean Yves Camus, obrigada pela sua presença. O senhor é o diretor do Observatório dos radicalismos políticos, especialista da extrema-direita. A Frente National tornou-se no partido com os resultados mais analisados na sequência de cada sufrágio. Vimos muitas interpretações divergentes nestas eleições departamentais. Que análise faz do resultado?

Tudo depende se olharmos para o número de cantões conquistados ou para o número de votos obtidos pela Frente Nacional nesta segunda volta. Em termos de cantões podemos dizer que entre 40 e 50 é um bom resultado. Mas quando olhamos para as percentagens, departamento por departamento, apercebemo-nos que em muitos casos a Frente Nacional está muito próxima da aliança UMP-UDI e às vezes até consegue mais votos. Visto deste prisma, há uma discrepância entre o resultado e o número reduzido de mandatos que a Frente Nacional consegue ganhar com o sistema maioritário a duas voltas. Seja como for, o grande problema é que com um resultado de 25 por cento estamos já numa lógica de tripartição da vida política, ou mesmo no advento do tripartidarismo, como evocam todos os observadores.

Precisamente, essa a questão seguinte. Ainda podemos falar de uma configuração bipartidária ou assistimos ao nascimento do tripartidarismo?

O modo de sufrágio com um sistema maioritário a duas voltas torna o tripartidarismo muito complicado. Seria necessário generalizar o método proporcional, como nas eleições presidenciais. Temos portanto um quadro institucional que foi desenhado para uma bipolarização esquerda-direita e a Frente Nacional que avança a cada eleição e o resultado é que aos poucos temos três forças políticas dominantes e não as duas que partilham o bolo em proporções mais ou menos semelhantes. A prazo podemos assistir a uma grande recomposição da vida política francesa.

A vitória incontestável da direita é um sinal decisivo para as presidenciais de 2017 ou tudo pode mudar?

Estamos longe de 2017 e ainda não temos o nome dos candidatos, com exceção da Frente Nacional que parte com uma ligeira vantagem porque não têm primarias agendadas. Não há contestação no interior do partido. A eleição permanece aberta à direita e em qualquer dos casos, atualmente, Marine Le Pen não vence as presidenciais. Falta apenas saber com que resultado ela vai perder. No entanto, temos a certeza que ela não vai perder pelos mesmos números que o pai, Jean-Marie Le Pen perdeu em 2002. Não vamos ter 82 por cento contra 18 por cento. O intervalo vai ser seguramente menor.

Que ensinamentos pode a esquerda retirar da quarta derrota eleitoral consecutiva?

A esquerda hoje tem duas opções. A primeira é a que o primeiro-ministro anunciou no domingo à noite e que consiste em dizer que o governo está no bom caminho, que é preciso manter a direção e esperar que os resultados, nomeadamente os números do desemprego e do poder de compra, sejam positivos e visíveis aos olhos dos eleitores. Falta exatamente um ano para alcançar estas metas porque depois entramos em campanha. Há outra opção, expressa pelos descontentes da esquerda e que passa por mudar de direção porque esta política é errada. Portanto, mudança de rumo e deixar de pensar que um dia vão recolher os frutos de uma política da qual discordam.