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Sarkozy está de volta à ribalta francesa; PS recua, Le Pen marca território

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De  Maria Joao Carvalho
Sarkozy está de volta à ribalta francesa; PS recua, Le Pen marca território

<p>O regresso da <span class="caps">UMP</span> de Sarkozy marcou estas eleições departamentais em França. A Frente Nacional conseguiu um terceiro lugar significativo. </p> <p>A <span class="caps">UMP</span> teve 45,03% dos votos, o PS com os partidos de esquerda 32,12% e a Frente Nacional de Le Pen com 22,23%.</p> <p>A segunda volta nestas eleições deu a Nicolas Sarkozy, líder da aliança com os centristas, 66 departamentos., contra os 30 socialistas. </p> <p>Jamais, na V República, a direita tinha conseguido tal resultado. </p> <blockquote class="twitter-tweet" lang="en"><p>An alliance of conservative parties was the clear winner in France’s local elections, trouncing the Socialists. <a href="http://t.co/8Uoq5pvsWa">http://t.co/8Uoq5pvsWa</a></p>— New York Times World (@nytimesworld) <a href="https://twitter.com/nytimesworld/status/582459703948664832">March 30, 2015</a></blockquote> <script async src="//platform.twitter.com/widgets.js" charset="utf-8"></script> <p>Nicolas Sarkozy, ex-presidente da República, líder da <span class="caps">UMP</span>:</p> <p>- Vamos acelerar a preparação do projeto para a alternativa republicana.É um projeto absolutamente inovador e será ca condição absoluta para reequilibrar o país e interromper o declínio em que mergulhámos em três anos do socialismo mais arcaico da Europa.</p> <blockquote class="twitter-tweet" lang="en"><p>La carte de France des cantons au lendemain du second tour des élections départementales <a href="http://t.co/dKe9632Zgs">pic.twitter.com/dKe9632Zgs</a></p>— Simon Buisson (@simonbuisson) <a href="https://twitter.com/simonbuisson/status/582436044953554944">March 30, 2015</a></blockquote> <script async src="//platform.twitter.com/widgets.js" charset="utf-8"></script> <p>A <span class="caps">UMP</span> progrediu como um incêndio, ganhando força em todo o país. Os socialistas, pelo contrário, recuaram. Apenas resistem no sudoeste. A Frente Nacional concentra-se principalmente no norte e no sudeste da França. Esta foi a quarta derrota seguida dos socialistas, no poder desde 2012. Impossível fugir do que salta à vista, mas, mesmo assim, Manuel Valls, primeiro-ministro considerou que o colapso se deve à dispersão de votos e não à reprovação das políticas do executivo:</p> <p>- A esquerda, demasiado dispersa, demasiado dividida na primeira volta, recuou bastante, apesar dos balanços positivos a nível departamental.</p> <p>A Frente Nacional confirma a implantação no país, mas Marine Le Pen, prejudicada pelo sistema eleitoral maioritário a duas voltas, que favorece os partidos com capacidade para estabelecerem alianças entre a primeira e a segunda votação, não conseguiu conquistar sequer a maioria num departamento. <br /> No entanto teve quase tantos votos como os socialistas (4,1 milhões a FN e 4,3 milhões o PS). </p> Marine Le Pen – O objetivo está à vista. Chegar ao poder e colocar em prática as nossas ideias para reequilibrar a França, lhe devolver a liberdade, a seguraça e a prosperidade . <blockquote class="twitter-tweet" lang="en"><p>Retrouvez mon allocution à l'issue des résultats du 2nd tour des élections <a href="https://twitter.com/hashtag/d%C3%A9partementales2015?src=hash">#départementales2015</a> : <a href="http://t.co/kX391YzWjE">http://t.co/kX391YzWjE</a> <a href="https://twitter.com/hashtag/FN?src=hash">#FN</a> <a href="https://twitter.com/hashtag/UMPS?src=hash">#UMPS</a></p>— Marine Le Pen (@MLP_officiel) <a href="https://twitter.com/MLP_officiel/status/582451462443298816">March 30, 2015</a></blockquote> <script async src="//platform.twitter.com/widgets.js" charset="utf-8"></script> <p>No país das reivindicações, os franceses estão céticos e afastaram-se dos representantes: apenas um em cada dois votou. Em Lyon e Paris, as funções dos conselhos departamentais são exercidas por outros orgãos.</p> <h3>O advento do tripartidarismo</h3> <p>Jean Yves Camus, obrigada pela sua presença. O senhor é o diretor do Observatório dos radicalismos políticos, especialista da extrema-direita. A Frente National tornou-se no partido com os resultados mais analisados na sequência de cada sufrágio. Vimos muitas interpretações divergentes nestas eleições departamentais. Que análise faz do resultado? </p> <p><strong>Tudo depende se olharmos para o número de cantões conquistados ou para o número de votos obtidos pela Frente Nacional nesta segunda volta. Em termos de cantões podemos dizer que entre 40 e 50 é um bom resultado. Mas quando olhamos para as percentagens, departamento por departamento, apercebemo-nos que em muitos casos a Frente Nacional está muito próxima da aliança <span class="caps">UMP</span>-<span class="caps">UDI</span> e às vezes até consegue mais votos. Visto deste prisma, há uma discrepância entre o resultado e o número reduzido de mandatos que a Frente Nacional consegue ganhar com o sistema maioritário a duas voltas. Seja como for, o grande problema é que com um resultado de 25 por cento estamos já numa lógica de tripartição da vida política, ou mesmo no advento do <em>tripartidarismo</em>, como evocam todos os observadores.</strong></p> <p>Precisamente, essa a questão seguinte. Ainda podemos falar de uma configuração bipartidária ou assistimos ao nascimento do <em>tripartidarismo</em>?</p> <p><strong>O modo de sufrágio com um sistema maioritário a duas voltas torna o <em>tripartidarismo</em> muito complicado. Seria necessário generalizar o método proporcional, como nas eleições presidenciais. Temos portanto um quadro institucional que foi desenhado para uma bipolarização esquerda-direita e a Frente Nacional que avança a cada eleição e o resultado é que aos poucos temos três forças políticas dominantes e não as duas que partilham o bolo em proporções mais ou menos semelhantes. A prazo podemos assistir a uma grande recomposição da vida política francesa.</strong></p> <p>A vitória incontestável da direita é um sinal decisivo para as presidenciais de 2017 ou tudo pode mudar?</p> <p><strong>Estamos longe de 2017 e ainda não temos o nome dos candidatos, com exceção da Frente Nacional que parte com uma ligeira vantagem porque não têm primarias agendadas. Não há contestação no interior do partido. A eleição permanece aberta à direita e em qualquer dos casos, atualmente, Marine Le Pen não vence as presidenciais. Falta apenas saber com que resultado ela vai perder. No entanto, temos a certeza que ela não vai perder pelos mesmos números que o pai, Jean-Marie Le Pen perdeu em 2002. Não vamos ter 82 por cento contra 18 por cento. O intervalo vai ser seguramente menor.</strong> </p> <p>Que ensinamentos pode a esquerda retirar da quarta derrota eleitoral consecutiva?</p> <p><strong>A esquerda hoje tem duas opções. A primeira é a que o primeiro-ministro anunciou no domingo à noite e que consiste em dizer que o governo está no bom caminho, que é preciso manter a direção e esperar que os resultados, nomeadamente os números do desemprego e do poder de compra, sejam positivos e visíveis aos olhos dos eleitores. Falta exatamente um ano para alcançar estas metas porque depois entramos em campanha. Há outra opção, expressa pelos descontentes da esquerda e que passa por mudar de direção porque esta política é errada. Portanto, mudança de rumo e deixar de pensar que um dia vão recolher os frutos de uma política da qual discordam.</strong></p>