This content is not available in your region

Acordo histórico com o Irão

Access to the comments Comentários
De  Euronews
Acordo histórico com o Irão

<p>*Conseguiram. Depois de uma maratona de negociações em Lausanne, os negociadores ocidentais e iranianos fizeram um acordo histórico que vai fixar as bases de uma nova ordem mundial. A France 2 faz a primeira reportagem:</p> <p>A foto da aproximação: ao centro, o Irão, entre a China, a França, a Alemanha, o Reino Unido, a Rússia e os Estados Unidos. Depois de oito dias de conversações, num tranquilo palácio, as delegações partem. Acabam de obter um acordo político em grandes linhas aceites por todos.</p> <p>O Irão vai reduzir a produção nuclear. O enriqueciento do seu urânio será diluido ou feito no estrangeiro. O objetivo é afastar, o mais possível, qualquer ameaça de fabrico da arma nuclear. </p> <p>Neste acordo de princípio, Teerão também aceita mais controlos. O país tem 19 mil centrifugadoras, mas só pode ficar com seis mil. Os ocidentais podem e devem verificar. O acordo vai aplicar-se nos próximos 10 anos, pelo menos assim esperam os ocidentais, que vão levantar as sanções económicas que tanto afetam o Irão. Tudo depende do respeito dos compromissos, mas o charme suíço, até ver funcionou. É tempo para a etapa seguinte.</p> <p><strong>John Kerry, conhecido pelos ideais de paz, liderou as negociações, em representação dos Estados Unidos. O presidente Obama saudou, imediatamente o compromisso de acordo, mesmo a ter de enfrentar a fúria dos opositores no Congresso e de Israel. Este é o ângulo da investigação da <span class="caps">TVE</span>:</strong></p> <p>Obama afirmou que o acordo, conseguido em Lausanne, é histórico e prometeu enviar ao Congresso alguns conselheiros da Casa Branca para informar o Capitólio. É um ponto importante porque o Congresso pode colocar sérios obstáculos a Obama. Os republicanos têm a maioria nas duas câmaras e, ao longo de todo o processo sempre desconfiaram das negociação, ameaçando adotar novas sanções contra o regime de Teerão.</p> <p>Para o presidente dos Estados Unidos, trata-se de um acordo preliminar, que responde aos objetivos. Se, em junho, assinarem o acordo definitivo e o Irão o violar, as sanções serão aplicadas novamente. Não é ainda um acordo de confiança, sublinha Obama, pois o nível de inspeções não tem precedentes. O presidente americano declarou que o Irão será o país mais controlado do mundo. Fez questão de informar o primeiro-ministro israelita, Benjamim Netanyhahu do acordo em Lausanne. Netanyahu é, provavelmente, o maior crítico deste processo de negociações. </p> <p>*Barak Obama: – Concluímos um acordo histórico com o Irão; quando for retificado vai impedir a aquisição de uma arma nuclear. Como presidente, tenho a grande responsabilidade da segurança dos americanos e estou convencido de que este este compromisso vai conduzir ao acordo global, positivo para o país, para os aliados e para o mundo.*</p> <p><strong>Foi nas margens de um aprazível lago, na Suíça, que se deu tudo por tudo. Lausanne esteve no centro do mundo, durante alguns dias; os acontecimentos precipitaram-se no fim depois de uma longuíssima espera, como constatou a <span class="caps">RTS</span>:</strong></p> <p>Viveu-se um ambiente de sprint final na última jornada de negociação do programa nuclear em Lausanne. Ao final da tarde, os Media foram convocados de urgência ao centro educativo de <span class="caps">EPEFL</span> para assistir a uma declaração conjunta entre Mohammad Javad Zarif e Federica Mogherini, a chefe da diplomacia europeia. Uma declaração e não um acordo. Uma declaração que explica os progressos da maratona de negociações e que deve conduzir ao texto final de 30 de junho, Até ao fim, imperou a incerteza: cada parte evocava avanços, depois de uma noite em branco para discutir.</p> <p><strong>“Estamos a alguns metros, a dezenas de metros da linha de chegada, mas sabemos bem que são os últimos metros que são os mais difíceis”.</strong></p> <p>Nenhum comentário de John Kerry, enquanto o holmólogo iraniano profere algumas palavras:. </p> <p><strong>“O acordo deve estar finalizado a 30 de junho, se trabalharmos todos bem. Hoje, o que pretendemos é declarar que estamos todos de acordo sobre os meios de resolução dos problemas”.</strong></p> <p>É a declaração mais ansiada no local.</p> <p>Uma espera paciente, o que constituiu o outro acontecimento das negociações de Lausanne. Durante duas semanas, o tempo e a paciência ressentiam-se inexoravelmente, enquanto as palavras se acordavam e as consideraçãos se faziam. </p> <p>Entretanto, no museu olímpico, a 21 de março, John Kerry observava o fato do guarda redes Jim Graig. Pouco depois admirava, no parque, a escultura de Nicky de St PHale. </p> <p>Os jornalistas entretêm-se como podem. Os russos jogam xadrez, os iranianos, surpreendidos pela chuva abrigam-se onde calha. Há que esperar. </p> <p>O chefe da diplomacia chinesa faz jogging enquanto o homólogo norte-americano, tranquilo, faz selfies….</p> <p>A delegação iraniana atravessa as ruas de Ouchi como os Beatles Abbey Road.</p> <p>Aqui o tempo é infinito, quase como um dia sem fim e sem rumo. </p> <p><strong>Os iranianos esperavam, há muitos anos, o mento em que os delegados do país se sentassem à mesa das nações. O caminho pela frente ainda é longo mas Javad Zarif foi acolhido como um herói, em Teerão. A <span class="caps">RSI</span> lembra os anos negros:</strong></p> <p>A história do primeiro reator do Irão começa com o apoio dos que, hoje, o querem fechar: Europa e Estados Unidos.</p> <p>O Xá estava no poder, nos anos 50. O presidente americano Eisenhower promovia o programa «Átomos ppara a paz».</p> <p>Mas a paz entre o Ocidente e o Irão correu mal: em 1979, deu-se a revolução islâmica e o consequente assalto à embaixada americana em teerão com a tomada de reféns.</p> <p>Caiu o o Xá, o novo regime acelerou o programa nuclear, mas sem aliados históricos, com quem todo o contacto foi rompido.</p> <p>O Irão recebeu, então, a ajuda da Rússia para terminar a primeira central nuclear.</p> <p>Duas outras, mantidas secretas durante muito tempo, foram assinaladas, em 2002, por um grupo dissidente iraniano..</p> <p>O ocidente temia que o país já possuísse a bomba atómica. <strong>O governo de Teerão desmentiu e insistia: “as nossas intenções são pacíficas”.</strong></p> <p>Os inspetores da Agência Internacional da Energia Atómica não podiam provar o contrário. Mas <strong>os Estados Unidos estavm seguros de que “o Irão fazia parte do eixo do mal”.</strong></p> <p>Em 2005, Mahmoud Ahmadinejad incarnava esse mal. O novo presidente estava determinado: a energia nuclear era um direito e fez declarações explosivas. </p> <p>O Irão anunciou, em diferentes ocasiões, a instalação de centenas de centrifugadoras para enquiquecimento de urânio. O ocidente reagiu com sanções: a primeira série, em 2006. Nos anos seguintes, foram reforçadas várias vezes. </p> <p>Mas dois novos presidentes chegavam, o que significou o fim do impasse: primeiro Barak Obama, depois Hassan Rohani, um islamista moderado.</p> <p>Um telefonema histórico, em setembro de 2013, pôs fim a 30 anos de tensão. Obama estava pronto para normalizar as relações com Teerão, mesmo sem o acordo de Israel. </p> <p>Houve ronda de negociações em Genebra, Viena, Montreus. Finalmente, a mais recente e crucial, em Lausanne.</p>