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Quénia: 195 mil euros pela captura do responsável do massacre de Garissa

O Quénia oferece uma recompensa de 20 milhões de xelins quenianos – cerca de 195 mil euros – por informações que levem à captura de Mohamed Mohamud

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Quénia: 195 mil euros pela captura do responsável do massacre de Garissa

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O Quénia oferece uma recompensa de 20 milhões de xelins quenianos – cerca de 195 mil euros – por informações que levem à captura de Mohamed Mohamud, tido como o “maestro” do massacre de quinta-feira na universidade de Garissa, no leste do país, em que morreram mais de 150 pessoas.

O ataque foi reivindicado pelos radicais islâmicos do Al-Shabab, um grupo com ligações à Al-Qaeda, que terá ameaçado este sábado continuar com o derramamento de sangue no Quénia em retaliação pela atividade de tropas quenianas contra rebeldes islamitas no território da Somália.

Mohamed Mohamud, também conhecido como “Kuno”, foi professor no ensino do Corão naquela mesma cidade antes de se ter radicalizado e estará em fuga, adiantam as autoridades quenianas.

Cinco outros suspeitos de ligação ao ataque foram já detidos e interrogados. Quatro deles eram quenianos de origem somali e o quinto será um tanzaniano, informou o Ministério do Interior do Quénia.

O massacre foi realizado por quatro homens, que entraram quinta-feira ao início da manhã pelo espaço da universidade de Garissa, no leste do Quénia, separaram os estudantes muçulmanos dos cristãos e terão começado a fuzilar alguns destes últimos.

O ataque passou a tomada de reféns, num braço de ferro com as autoridades que terá demorado mais de 15 horas, terminando com a morte dos quatro radicais islâmicos, mas também de três polícias e três militares quenianos.

O último balanço indica que terão morrido 152 pessoas no total, a larga maioria – 142 – estudantes. Pelo menos 79 pessoas ficaram feridas. Mais de 500 terão conseguido escapar, uma delas Cynthia Charotich, uma cristã de 19 anos que se manteve escondida ate sábado dentro de um armário. Nem mesmo quando os socorristas a tentaram resgatar ela aceitou ajuda. Somente quando levaram até ela um dos seus professores, Cynthia terá aceitado sair do esconderijo. Tinham passado mais de 48 horas desde o início do ataque.

Houve também quem escapasse aos atacantes, reportou a Sky News, ao manchar a própria roupa com sangue dos colegas alvejados e se fingisse de morto.

Entre os sobreviventes do ataque, reunidos entretanto com familiares em Nairobi, a capital do Quénia, sente-se um misto de alegria e tristeza. “Por muito que me sinta agradecida, desejava que os meus amigos estivessem aqui e pudessem partilhar este momento comigo e com os pais deles”, afirmou Lavenda Mutesi, uma das sobreviventes.

Lydia Mwende também sobreviveu para contar o terror vivido na universidade de Garissa: “Perdi muitos dos meus amigos. O que aconteceu ainda está na nossa memória para que não o possamos esquecer…. Eu não posso voltar lá (à universidade).”

A universidade de Garissa tinha 815 estudantes matriculados, oriundos de todas as zonas do país. A grande maioria vivia na residência do “campus”, que foi tomada de assalto pelos radicais islâmicos.

O Quénia iniciou, entretanto, este domingo, três dias de luto nacional pelas vítimas. “As bandeiras estarão a meia-haste”, disse o presidente queniano, Uhuru Kenyatta, num discurso transmitido pela televisão, no qual deixou uma promessa: “O meu governo responderá o mais severamente possível ao ataque e a qualquer ataque que nos tenha como alvo. Apesar da adversidade, nunca nos curvámos e não desistiremos nunca. Continuaremos a construir uma nação próspera e segura.”