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Tensão racial nos Estados Unidos

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Tensão racial nos Estados Unidos

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O ano de 2014 foi aquele em que as tensões raciais se reavivaram nos Estados Unidos. Apesar de ter o primeiro presidente negro da sua história, há 6 anos, elevaram-se os protestos contra o racismo em 170 cidades, o que evoca as manifestações históricas dos anos 60.

A polícia norte-americana está a ser acusada de racismo contra os negros.

Shanee Thomas, enfermeira, dá voz aos receios de todos: – Tenho medo pelos meus filhos. À medida que crescem, não sei o que lhes dizer sobre a polícia, se a devem chamar, em caso de problema, porque os agentes não estão aqui para nos protegerem.

O sentimento de desconfiança da comunidade afro-americana aumentou com a morte de Michael Brown, em Ferguson, no Missouri, por um polícia branco, no dia 9 de agosto de 2014. A perícia, pedida pela família, revelou que o jovem, desarmado, sofreu o impacto de 6 balas, quatro num braço e duas na cabeça, conforme foi noticiado pelo “El Pais”:
http://brasil.elpais.com/brasil/2014/08/18/internacional/1408393124_372696.html .

Clinton Stancil, pároco local, enquadra o “caso”: http://dw.de/p/1CwUw : – Isto não é apenas sobre Ferguson. Tem acontecido em todas as cidades da América. Os jovens negros têm sido marginalizados, desumanizados em cada cidade dos Estados Unidos, por isso considero que o caso Ferguson, com o jovem Mike Brown, apenas deu visibilidade à questão de fundo.

O próprio presidente, que evita a identificação com uma comunidade só, incumbiu o ministro da Justiça, Eric Holder, de proceder a um inquérito a nível federal.

“Barack Obama”: http://www.portugues.rfi.fr/americas/20141209-em-entrevista-obama-diz-racismo-nos-eua-nao-vai-acabar-do-dia-para-noite reconheceu que, o que se passou em Ferguson, em 2014, não foi um caso isolado:

- Temos de reconhecer que a situação em Ferguson conduz a desafios mais amplos, que ainda enfrentamos como nação. O facto é que, em muitas partes deste país, constata-se uma desconfiança profunda relativamente à aplicação da lei e às comunidades de cor. Parte do problema resulta do legado da discriminação racial neste país.

Um grande júri decidiu, em novembro de 2014, não constituir arguido o autor dos tiros – agente Darren Wilson – e ilibou-o da acusação de violação dos direitos civis de Michael Brown, por falta de provas do departamento de Justiça.

Mas o mesmo relatório é conclusivo quanto às práticas continuadas de atos racistas por parte da polícia de Ferguson.