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Casa da Música do Porto faz 10 anos e está em festa até domingo

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Casa da Música do Porto faz 10 anos e está em festa até domingo

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Concertos de Tricky, Capícua, Best Youth ou Mário Laginha fazem parte do programa de festas. As velas sopram-se a 15 de abril

Lusa — A Casa da Música lançou quinta-feira o programa das comemorações do 10.º aniversário intitulado “Venham mais dez” e que se prolongou até domingo. Concertos, visitas, oficinas e ensaios abertos fazem parte da agenda de comemorações, com o britânico Tricky e os portuenses Capícua, Best Youth e Mário Laginha entre os artistas convidados. As velas da primeira década desta obra assinada pelo arquiteto holandês Rem Koolhaas sopram-se a 15 de abril.

O programa resulta do trabalho do Serviço Educativo e dos agrupamentos residentes – Orquestra Sinfónica do Porto, Remix Ensemble, Orquestra Barroca e o Coro – e tem início às 10:30, com a atuação dos alunos do Conservatório de Música do Porto, seguindo-se, ao longo do dia, entre outras atuações, os ensaios abertos da Orquestra Sinfónica, da Orquestra Barroca e do Coro Casa da Música.

Já tem os bilhetes para a festa deste fim-de-semana? O concerto da #orquestrasinfonica já está quase esgotado mas há…

Posted by Casa da Música on Quarta-feira, 8 de Abril de 2015


Músicos de agrupamentos ligados à instituição, contactados pela Lusa, afirmaram que a ação da Casa da Música mudou “radicalmente” o Porto, transformando-o num “centro cultural na Europa”, a nível musical.

Filipe Quaresma, com 35 anos e natural da Covilhã, reconhece já se ter sentido aliciado para voltar para o estrangeiro, onde se formou e onde há mais concertos e ‘cachês’ superiores, em particular face aos entraves colocados pela crise financeira.

“Se antigamente ser músico já era visto como um ‘hobby’, agora está muito pior”, referiu Filipe Quaresma, violoncelista da Orquestra Barroca e convidado do Remix Ensemble que colabora com grupos internacionais, mas constata: “Obviamente gosto muito de Portugal, gosto muito de cá viver”.

Aldo Salvetti, natural de Veneza, mudou-se para o Porto há quase 20 anos, onde é atualmente chefe de naipe de oboé na Orquestra Sinfónica. Para o italiano, que facilmente pode ser avistado nas ruas da cidade na sua bicicleta, “o espírito da Casa [da Música] não é um espírito elitista, o espírito da Casa é fazer de uma música elitista acessível a todos”.

Isto porque recorda os conservadorismos existentes nas orquestras tradicionais, que fazem parte de “uma tradição que não foi questionada”, mas que, na Casa da Música, veio a ser “atualizada”.

“A Orquestra Sinfónica é o espelho da sociedade e ela tem de mudar com a sociedade”, refletiu Aldo Salvetti.

A Casa da Música “educou o público”, disse Salvetti, que considera que “o público do Porto já é um público conhecedor do repertório contemporâneo”, pelo que os próprios músicos sentem a sua abertura.

“Acho que a política da Casa é muito interessante e corajosa e contribuiu para fazer do Porto uma cidade com públicos disponíveis”, acrescentou o artista.

10 Postais Musicais | Magnus Lindberg#10anoscasadamusica#10postaismusicaisPara celebrar o seu 10º aniversário, a Casa da Música pediu a 10 compositores de renome mundial com os quais tem uma longa relação de trabalho que concebessem obras de aproximadamente 10 segundos.

Posted by Casa da Música on Quarta-feira, 8 de Abril de 2015


Os dez anos da abertura ao público da Casa da Música quase coincidem com os dez anos de José Pereira no Remix Ensemble, violinista cujas ideias vão ao encontro das palavras de Aldo Salvetti.

“Houve um progresso enorme em termos de aceitação do público”, disse José Pereira, para quem “a Casa da Música é a referência do Porto e do país”, acima até de salas como a Gulbenkian, em Lisboa.

Ainda assim, José Pereira reconhece que os elementos de grupos como o Remix “abdicam de muita coisa”, mesmo sem terem as “melhores condições contratuais”, recordando uma das suas “lutas”, que é a que os opõe aos recibos verdes.


Cronologia dos 10 anos da Casa da Música


A Casa da Música, no Porto, assinala, no dia 15, o 10.º aniversário da abertura oficial, que vai ser celebrado com uma série de eventos durante o mês de abril, sob o título “Venham Mais Dez”.

Ao longo destes 10 anos, a Casa da Música recebeu 4.538.180 visitantes, organizou 408.860 visitas guiadas, acolheu 2.083.065 espetadores e participantes, realizou 2.358 concertos e fez 13.330 atividades culturais.

Principais datas do processo de construção e desenvolvimento da Casa da Música:

1997

07 de novembro — É apresentada a candidatura oficial do Porto a Capital Europeia da Cultura em 2001.

1998

- 28 de maio — Os ministros da Cultura da União Europeia designam o Porto e Roterdão como capitais europeias da Cultura para o ano 2001.

- 01 de setembro — O ministro da Cultura, Manuel Maria Carrilho, anuncia a construção da Casa da Música, no âmbito da Porto 2001.

- 31 de dezembro — É constituída a sociedade, de capitais exclusivamente públicos, Porto 2001, S. A..

1999

- 30 de janeiro — É nomeado Artur Santos Silva para presidir à Porto 2001.

- 08 de março – É definida a localização num terreno municipal na praça Mouzinho de Albuquerque e iniciado o processo da construção.

- 01 de julho — A Comissão Executiva da Porto 2001 adjudica o projeto à proposta encabeçada pelo arquiteto Rem Koolhaas.

- 23 de novembro – Teresa Lago sucede a Artur Santos Silva à frente da Porto 2001, com o pianista Pedro Burmester na equipa.

2002

- 27 de junho — Rui Amaral substitui Teresa Lago na Porto 2001, que neste mesmo ano se passa a designar Casa da Música / Porto 2001.

2003

- 18 de junho — O Jornal de Notícias (JN) publica uma entrevista com Pedro Burmester, na qual o administrador da Porto 2001 afirma que a Câmara Municipal “está mais preocupada com questões (…) que reduzem o Porto a uma aldeia” e desencadeia uma série de reações.

- 20 de junho — O Conselho de Administração da Casa da Música / Porto 2001 desautoriza Pedro Burmester na sequência da entrevista ao JN.

- 24 de junho — Pedro Burmester diz que o conflito com a restante administração é insanável.

- 25 de junho — O Ministério da Cultura demite a administração da Casa da Música em bloco devido a uma “quebra de solidariedade e de confiança” entre os seus membros e nomeia Manuel Alves Monteiro para a presidência da empresa.

- 05 de julho — O Ministério da Cultura anuncia que Pedro Burmester vai permanecer ligado ao projeto da Casa da Música enquanto consultor permanente.

2004

- 12 de fevereiro — A administração da Casa da Música anuncia o fim das obras até dia 30 de novembro.

- 20 de fevereiro — O inglês Anthony Withworth-Jones é anunciado como diretor artístico da instituição.

- 15 de março — Pedro Burmester abandona a posição de consultor.

- 29 de março — Manuel Alves Monteiro anuncia que a abertura da Casa da Música terá lugar no primeiro trimestre de 2005.

- 20 de julho — O Tribunal de Contas atribui a insuficiente planeamento e à má orçamentação do projeto a derrapagem financeira da Casa da Música / Porto 2001, dos previstos 182,3 para 300,9 milhões de euros.

- 16 de setembro — Manuel Alves Monteiro demite-se da administração.

- 17 de setembro — António Fernando Couto dos Santos é eleito novo presidente do Conselho de Administração da Casa da Música, mantendo-se Agostinho Branquinho e Óscar Liberal naquele órgão.

2005

- 20 de janeiro — O Governo aprova a criação da Fundação Casa da Música, a ser presidida pelo empresário José António Barros.

- 14 de abril — A Casa da Música inicia oficialmente atividade com concertos de Lou Reed e dos Clã, cujos bilhetes esgotaram em horas depois de postos à venda, um par de semanas antes.

- 15 de abril — Na inauguração oficial, o Presidente da República, Jorge Sampaio, critica o processo que marcou o nascimento da Casa da Música, considerando-o “nem sempre exemplar”, “rigoroso” ou “transparente”.

- 07 de novembro — O primeiro-ministro, José Sócrates, anuncia o modelo de fundação para a Casa da Música, com um conselho de administração constituído por sete elementos, sendo quatro em representação dos privados a nomear pelo Conselho de Fundadores e três de nomeação pública, entre os quais José Manuel Dias da Fonseca, que passa a presidir.

2006

- 28 de janeiro — Nuno Azevedo é nomeado administrador delegado da Casa da Música.

- 07 de fevereiro — O pianista Pedro Burmester é convidado para diretor artístico da instituição.

2008

- 21 de fevereiro — É extinta a sociedade Casa da Música / Porto 2001.

- 23 de junho — António Jorge Pacheco, até então coordenador da programação, é anunciado como sucessor de Pedro Burmester na direção artística, cargo que mantém atualmente.

2010

- 04 de setembro — A Orquestra Nacional do Porto muda designação para Orquestra Sinfónica do Porto Casa da Música e estreia-se em Viena, Áustria.

2012

- 30 de março — O ex-ministro Valente de Oliveira substitui Artur Santos Silva à frente do Conselho de Fundadores.

- 18 de dezembro — Os administradores da Casa da Música renunciam aos mandatos devido aos cortes anunciados pelo Governo ao financiamento da instituição.

2013

- 22 de março – O Conselho de Fundadores da Casa da Música escolhe novo Conselho de Administração, que mantém dois administradores do demissionário, Teresa Cupertino de Miranda e Dias da Fonseca.

2015

- 27 de março — É anunciada a substituição de Dias da Fonseca, ao fim de três mandatos, no Conselho de Administração da Casa da Música, pelo advogado António Lobo Xavier.