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Uma vida melhor para sobreviventes de AVC e doentes com Alzheimer

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Uma vida melhor para sobreviventes de AVC e doentes com Alzheimer

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Esta semana, em Futuris, apresentamos-lhe o projeto europeu CogWatch. Está a ser desenvolvido em Birmingham, no Reino Unido

Uma consequência comum dos AVC é a incapacidade da pessoa que sobrevive a um destes acidentes vasculares cerebrais de conseguir manter a normal ordem sequencial dos movimentos. Mesmo a dos mais rotineiros.

Point of view

Não se trata do que não podemos fazer. É o que podemos fazer que interessa. Se não conseguirmos hoje, voltamos a tentar amanhã

Este género de deficiência é difícil de diagnosticar, mas afeta de forma significativa a capacidade do doente em viver na própria casa sem depender de outros.

Using Intelligent Objects in Stroke Rehabilitation

Posted by CogWatch on Segunda-feira, 13 de Fevereiro de 2012

Há algum tempo Rita Upton e Stephen Wright sofreram AVC e sobreviveram. Alguns cientistas trabalham, agora, com eles para tentarem minimizar as consequências desses episódios na vida de ambos.

“Eu estava numa cadeira de rodas há cerca de quatro ou cinco meses. Fiz alguma reabilitação, passei a usar um andarilho e depois os fisioterapeutas puderam-me a andar de bengala. Eu estava liberta. Nada me iria parar. Nada”, relembra Rita.

“O meu AVC apenas me afetou a aptidão física. O meu cérebro está tão rápido como antes. Sempre pensei de forma muito rápida e ainda é assim, muito rápido. Mas nem sempre, contudo, consigo exprimir-me à mesma velocidade que penso”, lamenta, por seu turno, Stephen Wright.

Os problemas após o AVC vão surgindo. Os efeitos podem incluir a incapacidade de reconhecer um som comum, como o toque…

Posted by Associação Avc on Terça-feira, 31 de Março de 2015

Estudioso do intelecto humano na Stroke Association, um organismo britânico que trabalha na prevenção de AVC, Gary Randall explica-nos que os “problemas típicos” num sobrevivente de um acidente vascular cerebral “relacionam-se com erros cometidos nas sequências, em fazer as coisas na ordem errada”.

“Um paciente pega, por exemplo, num saquinho de chá. De imediato, coloca-o no açucareiro, ignorando por completo a chávena que é suposto usar. Depois, retira outro saquinho de chá e repete o erro”, refere Randall, exeplicando um dos tipos de erros cometidos pelos pacientes mesmo quando tentam fazer algo que já repetiram quiçá milhares de vezes ao longo da vida.

A Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (Departamento de Informática) está a colaborar com a Alzheimer…

Posted by ALZHEIMER PORTUGAL on Segunda-feira, 6 de Abril de 2015

Cientistas do projeto europeu de pesquisa Cogwatch testaram um método de reabilitação personalizado ao domicílio. É destinado a pacientes a sofrer dos sintomas referidos atrás. Os investigadores desenharam objetos do quotidiano, mas deram-lhes “inteligência” através de sensores e de uma ligação sem fios a um aparelho central. O engenho permite identificar os erros cometidos e ensina os pacientes a completarem tarefas simples como, por exemplo, o simples processo de preparar e beber uma chávena de chá.

“Os testes mostraram-nos que podemos ajudar as pessoas a cometer menos erros e a serem mais rápidos a completar as tarefas diárias”, concluiu Gary Randall.

A Universidade de Birmingham serviu de “oficina” para o desenho e montagem parciais dos componentes eletrónicos que compõem este engenho de reabilitação para pessoas com dificuldade de coordenação de movimentos. Os objetos inteligentes possuem sofisticados sensores capazes de monitorizar de forma autónoma a orientação, o movimento e a intensidade da força. Essa informação é depois transmitida para o aparelho central.

“Quando levanto um jarro, os sensores deixam de estar em contacto com a mesa. É óbvio, por isso, que o jarro foi levantado. O sinal do acelerómetro irá indicar que o jarro está em movimento”, explica Martin Russell, cientista informático na Universidade de Birmingham, prosseguindo: “À medida que movo o jarro na direção da chávena, isso é refletido pelo acelerómetro. Quando inclinar o jarro para deitar leite na chávena, recebo outro sinal característico do acelerómetro a indicar a inclinação.”

Este sistema, que também inclui, entre vários outros objetos do dia-a-dia, escovas de dentes inteligentes, para além dos sobreviventes a AVC também pode vir a ajudar as pessoas com “Alzheimer” ou com lesões cerebrais traumáticas. A expectativa é que este inovador método de reabilitação esteja disponível em menos de dez anos.

“Os terapeutas, normalmente, não vão aos domicílios. Mas este sistema pode ir. Os terapeutas podem observar e monitorizar o que o paciente faz em casa. Isto pode ajudar, mas nunca irá substituir os terapeutas”, garantiu Alan Wing, psicólogo na Universidade de Birmingham e coordenador do projeto Cogwatch.

Rita Upton não parece preocupada por o projeto ainda ter muito tempo pela frente até a poder de facto ajudar numa base rotineira. “Temos apenas que avançar e fazer o que for preciso. Não se trata do que não podemos fazer. É o que podemos fazer que interessa. Se não conseguirmos hoje, voltamos a tentar amanhã”, concretiza esta “lutadora.”