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Espetro da bancarrota paira novamente sobre a Grécia

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Espetro da bancarrota paira novamente sobre a Grécia

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Com o FMI a recusar prazos suplementares à Grécia e depois de a Standard & Poor’s ter voltado a degradar a nota grega – que passa de B- para CCC+ e com perspetiva negativa -, o espetro da bancarrota paira uma vez mais sobre Atenas.

A agência de notação prevê que o país fique sem dinheiro em meados de maio. Um cenário que preocupa o economista Napoleon Maravegias: “Se estou preocupado? Obviamente que sim – e não apenas enquanto economista – e penso que todos os cidadãos gregos se preocupam. De cada vez que temos um revés quando queremos fechar um acordo com nossos credores, as coisas tornam-se mais difíceis e o mercado começa a ‘secar’.”

Apesar dos resultados de março, nos quais a Grécia apresenta um excedente primário de 1,7 mil milhões de euros, os mercados são prudentes, como explica o corretor Takis Zamanis: “Os mercados estimam que estamos à beira da bancarrota. Esta é a opinião que, nas últimas semanas, tem prevalecido nos mercados, e isso vê-se nas elevadas taxas de juro e na forma como as transações são levadas a cabo.”

A degradação da nota grega levou a mais um aumento dos juros. Os títulos a três anos estão agora nos 27% quando há um ano se negociavam a 3,375%.

Symela Touchtidou, correspondente da euronews em Atenas, recorda: “Foi há exatamente um ano que a Grécia tentou um primeiro regresso aos mercados. Na altura, os investidores acolheram esse passo com uma certa confiança e taxas de juro relativamente baixas. Após esta nova degradação, tudo isso parece muito distante.”

Na realidade, nas ruas de Atenas, para os cidadãos comuns e mesmo para os comerciantes, o que parece distante são as flutuações das notas atribuídas pela agências de notação – e com as quais já ninguém parece preocupar-se muito:

“De qualquer forma, estamos fora dos mercados. Certo? Isso é um facto. Que nos degradem a nota ou não, vai dar ao mesmo. Por isso, não me preocupo nada. Já estivemos na bancarrota várias vezes nos últimos meses”, diz, displicentemente, Takis Giannopoulos, empregado de uma florista.

Uma bancarrota que o primeiro-ministro quer evitar a todo o custo. Alexis Tsipras diz-se “firmemente otimista” de que um acordo com os credores estrangeiros será alcançado até ao final de abril.