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Grécia: Julgamento do Aurora Dourada começa e é logo adiado

Dirigentes e deputados do partido de extrema-direita foram chamados ao tribunal. Mas a falta de um advogado motivou o adiamento

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Grécia: Julgamento do Aurora Dourada começa e é logo adiado

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Começou esta segunda-feira de manhã, nos arredores de Atenas o julgamento dos dirigentes e deputados do partido neonazi grego Aurora Dourada: Mas de imediato foi suspenso e adiado para 7 de maio porque um dos 69 acusados ainda não tem advogado.

Os detidos, onde se inclui o fundador do Aurora Dourada Nikos Michailoliakos (ausente neste arranque e representado pelo advogado), são acusados de associação criminosa e de ligação ao assassínio de um ativista antifascismo, o músico Pavlos Fyssas, morto em 2013, por um elemento ligado àquela força política de extrema-direita, Giorgos Roupakis, que já confessou o crime. Os acusados arriscam penas que podem ir até aos 20 anos de prisão.

Nas imediações do tribunal-prisão de Korydallos, onde arrancou o julgamento, concentraram-se muitas pessoas manifestarem-se contra os extremistas. Não muito longe, um outro grupo expressou apoio aos detidos.

Por seu turno, o presidente da Comunidade Islâmica grega, Naim Elgkantour, só pede justiça: “À margem de partidos políticos e do Governo, nós queremos que sejam punidos se se provar que cometeram um crime. O mesmo para mim: se eu cometer um crime também devo ser punido.”

Um dos advogados de defesa salientou, por sua vez, que “o julgamento começou com pontos de vista diferentes em termos da sua legitimidade”. Evangelos Galetzas criticou a decisão das “autoridades em juntar no mesmo processo dois casos distintos: a alegada participação em organização criminosa, por um lado, e o assassinato de Pavlos Fyssas, por outro.”

O processo em julgamento resultou de uma investigação com cerca de 15 meses espoletada pelo assassinato do ativista antifascismo, esfaqueado a 17 de setembro de 2013, numa rua de Keratsini, no ocidente de Atenas, onde se esvaiu de sangue até à morte após uma alegada discussão de futebol.

A polícia lançou, na altura, buscas às casas dos membros do partido suspeitos e encontrou armas ilegais, bandeiras nazis e retratos de Adolf Hitler. O partido nacionalista, que tem vindo a ganhar projeção no cenário político grego a reboque de algum euroceticismo a crescer e conta com 17 deputados no parlamento helénico, nega contudo qualquer envolvimento na morte de Fyssas.

Konstantinos Tsellos, da euronews, esteve esta manhã no tribunal e conclui: “Pela primeira vez, na recente história da Grécia, toda a liderança de um grupo parlamentar está no banco dos réus. O Aurora Dourada continua a receber forte apoio do eleitorado. Mas o resultado deste julgamento pode provocar um sismo na política grega.”