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Itália detém 24 suspeitos de gerir rede de migração ilegal no Mediterrâneo

A justiça italiana deteve 24 pessoas por suspeitas de pertencerem a uma rede de “facilitadores”, o nome pelo qual são conhecidos os traficantes que

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Itália detém 24 suspeitos de gerir rede de migração ilegal no Mediterrâneo

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A justiça italiana deteve 24 pessoas por suspeitas de pertencerem a uma rede de “facilitadores”, o nome pelo qual são conhecidos os traficantes que gerem as mortíferas rotas de migração ilegal pelo Mediterrâneo. Os detidos farão parte de uma rede que prometia levar pessoas de forma clandestina desde África até ao norte da Europa e que teria organizado pelo menos 15 viagens desde maio de 2014.

A procuradoria de Palermo, que revelou a detenção, relatou ainda que esta rede prometia o “El Dorado” europeu aos migrantes desesperados a troco de 1.500 a 2.000 dólares (1.400 a 1.850 euros). As vítimas da extorsão seriam oriundas na maioria da Eritreia, do Sudão e da Somália, embarcavam perto de Zuwarah, na Líbia, rumo à Sicília, em Itália.

A rede funcionava como uma autêntica agência de viagens. Segundo o relatório do inquérito da procuradoria de Palermo, citado pelos meios de comunicação italianos, centenas de migrantes eram embarcados em navios em mau estado e os traficantes abandonavam-nos em alto mar depois de terem lançado pedidos de ajuda, contando com os serviços de salvamento italianos para os recolher.

Sobreviventes do naufrágio de sábado

De Malta, entretanto, partiu rumo a Catânia um barco transportando sobreviventes do trágico naufrágio de sábado à noite, no qual poderão ter morrido mais de 900 pessoas, de acordo com uma testemunha.

Sarah Tyler, da organização não-governamental Save the Children, estava em Catânia, à espera dos sobreviventes, lamentou não haver crianças entre os que escaparam e apontou o dedo à União Europeia.

“Só na última semana, mil pessoas morreram no Mediterrâneo. São quase tantas como as que morreram no Titanic e 31 vezes mais do que no Costa Concordia. Esta é uma tragédia que podia ter sido evitada se a União Europeia tivesse retomado a missão de busca e salvamento”, atirou a ativista humanitária.

Saikou Jallow é um migrante ilegal ganês. Ele sobreviveu à perigosa travessia do Mediterrâneo e está agora a ajudar o movimento de apoio humanitário Sant’Egidio. “Esta viagem não é nada fácil. Representa um enorme risco. Colocarmo-nos assim em risco, não é fácil. Deixo um aviso aos meus irmãos e irmãs que querem seguir os meus passos: é melhor ficarem onde estão. Não se arrisquem a cruzar este mar. Atravessar este mar é um grande risco”, alertou Jallow.

As tragédias no Mediterrâneo, no entanto, sucedem-se. Esta segunda-feira, um barco sobrelotado de migrantes ilegais encalhou ao largo da ilha grega de Rhodes. Pelo menos três pessoas, incluindo uma criança, morreram.

Durante o dia, surgiram ainda relatos que outros dois barcos estariam em apuros no Mediterrâneo e equipas de socorro estariam a tentar localiza-los. De acordo com a Organização Internacional para as Migrações, um barco estaria mesmo a afundar-se com cerca de 300 pessoas a bordo e no qual pelo menos 20 já teriam morrido.