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Amnistia Internacional apela a operação humanitária para salvar vidas no mar

1700 pessoas morreram no mar Mediterrâneo desde o início do ano, cem vezes mais que no mesmo período do ano passado.

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Amnistia Internacional apela a operação humanitária para salvar vidas no mar

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Mil e setecentas pessoas morreram no mar Mediterrâneo desde o início do ano, cem vezes mais que no mesmo período do ano passado. A denúncia foi feita pela Amnistia Internacional, esta quarta-feira, em Bruxelas.

Na véspera da cimeira extraordinária de chefes de Governo da União Europeia para debater a crise migratória do Norte de África para as costas europeias, a ONG apresentou o relatório
Europe’s sinking shame: The failure to save refugees and migrants at sea” (« A vergonha profunda da Europa: falhanço em salvar refugiados e migrantes no mar »).

O número de migrantes a atravessar o mar também registou recordes em 2015. Só a Itália chegaram 24 mil pessoas.

Para a Amnistia Internacional, o fim da operação italiana de vigilância, busca e salvamento « Mare Nostrum » contribuiu para o aumento do número de mortes no mar.

“O que verificamos é que cada vez mais os barcos comerciais são chamados a intervir porque é o direito do mar que os obriga a agir quando algo está a acontecer perto de onde se encontram. Mas estes barcos não estão de todo preparados para isto, têm uma tripulação reduzida mesmo que sejam muito grandes, e não têm o material necessário para o resgate”, declarou à euronews Philippe Hensmans da delegação belga da Aministia Internacional

A operação « Mare Nostrum » terminou no final do ano passado. Tinha um orçamento de nove milhões de euros e patrulhava uma área que se estendia a 100 milhas náuticas para Sul de Lampedusa.

A missão foi substituida pela operação Tritão, a cargo da Agência Europeia de Fronteiras (Frontex), que está limitada à patrulha de fronteira até 30 milhas náuticas das costas de Itália e de Malta – muito aquém de onde a larga maioria dos barcos de migrantes e refugiados ficam em risco.

A Amnistia Internacional apela ao arranque imediato de uma operação humanitária para salvar as vidas no mar, com uma frota adequada de barcos e apoio aéreo.

“O que precisamos é de uma verdadeira política de asilo, abrir as fronteiras terrestres, aumentar os locais de realojamento, mais vistos humanitários e uma abordagem mais aberta para o reagrupamento familiar”, disse Iverna McGowan, a diretora da Amnistia Internacional Bélgica.

A ONG acusa também a União Europeia de ser pouco solidária com os sírios, tendo apenas acolhido 40 mil dos quase quatro milhões de refugiados. Só a Alemanha recebeu 30 mil.