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Ferdinand Piëch: A queda do patriarca da Volkswagen

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Ferdinand Piëch: A queda do patriarca da Volkswagen

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Os investidores saudaram a demissão do patriarca e acionista Ferdinand Piëch do conselho de supervisão da Volkswagen. Esta segunda-feira, as ações chegaram a subir 5%.

Ferdinand Piëch demitiu-se no fim de semana, quando completava 78 anos. Perdeu o braço-de-ferro com os outros acionistas, incluindo o primo Wolfgang Porsche. De saída está também a atual esposa Ursula, cuja nomeação para o conselho de supervisão, há três anos, foi controversa.

Piëch, neto de Ferdinand Porsche, o inventor do “Carocha” , tinha os carros no sangue. Fez cair muitos dirigentes do grupo, que controlou e influenciou durante duas décadas.

Ao longo dos anos promoveu a expansão, através de inúmeras aquisições. A Volkswagen, maior construtor automóvel europeu, conta hoje com 12 marcas, produz desde motos a camiões, tem 600 mil empregados em todo o mundo e um volume de negócios de 200 mil milhões de euros.

Alguns analistas falam do fim de uma “grande era”. É o caso de Stefan Bratzel, perito do setor automóvel. Bratzel acrescenta: “Há um vazio de poder que terá de ser preenchido. Nos próximos anos terá de ser criado um novo equilíbrio de poder e ninguém sabe como tudo vai acabar. Mas haverá certamente um equilíbrio de poder sem a forte posição de Piëch. Iremos ver se vai tornar-se numa Iminência parda ou retirar-se por completo”.

Ferdinand Piëch perdeu o braço-de-ferro que ele próprio criou com o presidente executivo e antigo braço direito, Martin Winterkorn.

Há analistas que consideram que a saída do patriarca abre as portas às mudanças que a Volkswagen precisa. O grupo tem melhorar a rentabilidade na divisão principal e reduzir os custos.

A nova estratégia e o substituto de Piëch deverão dominar a assembleia-geral do grupo em maio.

O cargo de Piëch é ocupado, provisoriamente, por Berthold Huber, antigo presidente do sindicato IG Metall.