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Reino Unido: um crescimento sustentável?

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De  Euronews
Reino Unido: um crescimento sustentável?

<p>Quando o Governo de coligação chegou ao poder, há cinco anos, alguns peritos perguntavam se o Reino Unido se tinha tornado, uma vez mais, no doente da Europa. O primeiro-ministro, David Cameron, prescreveu cortes na despesa, aumento de impostos e congelamento dos salários da função pública.</p> <p>Agora que a recessão está ultrapassada, o crescimento fixou-se nos 2,8% no ano passado. De acordo com a <span class="caps">OCDE</span>, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico, é mais rápido do que em qualquer outro país do G7.</p> <p>Mas será que a Grã-Bretanha está realmente em alta de novo?</p> <p>Os preços das casas estão a subir, estimulando a confiança do consumidor e o desemprego caiu para os 5,6%. Trata-se do nível mais baixo desde julho de 2008, de acordo com os últimos números oficiais. </p> <p>Tudo parece bem encaminhado, até porque estes factos se verificam num contexto de austeridade da coligação.</p> <p>Soumaya Caines, do Instituto de Estudos Fiscais, um tink tank independente, analisa: “Em 2009-2010, o endividamento representava 10% da economia. O que o Governo fez foi tomar algumas decisões bastante dolorosas. Reduziu significativamente o endividamento com cortes na despesa pública e registou-se aumento de impostos. Claro que essas mudanças se traduziram em menos comparticipações em algumas casas. A curto prazo, se se cortar a despesa ou aumentar impostos, isso pode atuar como um entrave para a economia. Mas se não se fizesse coisa alguma as finanças públicas não estariam num caminho sustentável.”</p> <p>O Instituto de Estudos Fiscais diz que quem quer que forme o próximo Governo terá de terminar o trabalho de reduzir o endividamento para níveis sustentáveis.</p> <p>E em relação aos empréstimos dos cidadãos comuns? O Banco de Inglaterra diz que, no ano passado, a dívida não garantida aumentou para 239 mil milhões de libras. Em 2008, ano em que a crise financeira atingiu o Reino Unido, era de 234 mil milhões.</p> <p>É um cocktail potencialmente letal de taxas de juro baixas, dívida de estudantes, empréstimos baratos e cartões de crédito.</p> <p>“Debaixo de muito deste crescimento, podemos perceber que o motor não está completamente afinado. Muito do que vemos é impulsionado pelo consumo. As pessoas, ou pelo menos uma grande parte da população, ainda têm casas que compraram e com as quais tiveram muito lucro. Isto deixou-as satisfeitas ao ponto de saírem e gastarem talvez um pouco mais do que deviam. Se olharmos para coisas como o investimento em negócios, que permite crescer no futuro, em vez de apenas agora, esse crescimento não se está a produzir à taxa que talvez gostássemos. E ainda existem preocupações, significativas, com a taxa de produtividade da economia do Reino Unido”, explica Peter Urwin, da Universidade de Westminster.</p> <p>Uma vez mais, o setor dos serviços financeiros e dos negócios do Reino Unido ajudou ajudou a Grã-Bretanha a crescer. No ano passado, os serviços representaram 79% da produção económica do país.</p> <p>Durante muito tempo, o setor dos serviços da Grã-Bretanha foi dominante e o número é quase idêntico ao de França. É uma tendência que se refletiu no mundo Ocidental, atendendo ao facto de que os produtores procuram o fabrico mais barato em outras latitudes.</p> <p>Mas uma das grandes promessas do Governo de coligação foi a de reequilibrar a economia para que o país não estivesse excessivamente dependente do mundo da finança.</p> <p>Muitos dizem que a Grã-Bretanha já não faz coisa alguma. A manufatura representa, na verdade, 10% da economia. As marcas voltaram-se para o mercado de topo, empregando menos pessoas no setor do que anteriormente.</p> <p>A Brompton Bicycle, por exemplo, vende 45 mil bicicletas por ano, 80% no exterior. O diretor administrativo da empresa, Will Butler-Adams, diz que a ação de reequilíbrio do Governo levará tempo: “As pessoas pensam que nos negócios aparece alguém, que pagam cerca de um milhão de libras e que de repente essa pessoa tem de inverter o rumo da empresa em seis meses. Dizem o mesmo em relação aos políticos. Que vão aparecer mas que querem as coisas solucionadas em dois ou cinco anos. É um absurdo.<br /> Nos anos 70 e 80 não havia interesse no setor da manufatura, que foi espremido. Esse trabalho foi desenvolvido por outros, não no Reino Unido. Agora, graças à Jaguar Land Rover, que está a injetar muito dinheiro nos cofres britânicos, existe um sentimento transversal a vários partidos que dizem que a manufatura é ótima. Lembram como se está a fazer dinheiro e que se pode fazer mais. Isso que dizer que existe um reconhecimento. Mas temos um problema. A falta de pessoas a estudar na área. Há falta de infraestruturas. A cadeia de suprimentos não existe como não existe também uma varinha mágica. Será precisa toda uma geração para trazer as coisas de volta.” </p> <p>O próximo primeiro-ministro irá certamente deparar-se com grandes desafios económicos. Cortes adicionais na despesa poderão sufocar as principais fontes de crescimento na economia.</p> <p>E com a crise da dívida na zona euro a ensombrar o principal mercado britânico de exportações, ainda há um longo caminho a percorrer até que o novo Governo possa afirmar que a recuperação está completamente assegurada.</p>