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Sismo no Nepal: Aldeia de Katteldada sem ajuda mas em Balua já se joga futebol

Equipas de reportagem chegaram até duas aldeias na região de Gorkha, próximo do epicentro do sismo de sábado. São mais duas histórias do maior drama da atualidade

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Sismo no Nepal: Aldeia de Katteldada sem ajuda mas em Balua já se joga futebol

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O drama humanitário está a agravar-se no Nepal a cada hora que passa. Em particular, no distrito central de Gorkha, onde se situou o epicentro do forte sismo que, no passado sábado, arrasou com o país. Duas aldeias estão a ter sorte distintas, mas nenhuma se pode dizer realmente com sorte.

Katteldada ainda espera pela chegada de ajuda. A frustração contra a falta de apoio do Governo nepalês a esta aldeia está a criar frustração entre os residentes. Professor em Katteldada, Shim Bahkta Kattel garante haver interesses a influenciar o envio de ajuda para a aldeia: “Muitos países estrangeiros estão a enviar ajuda para o Nepal. Mas por causa da corrupção, nós aqui não estamos a receber nenhuma.”

Balua, por outro lado, está a ter… menos azar, no meio desta tragédia. Camiões enviados pela organização Programa Mundial de Alimentos chegaram esta quinta-feira à aldeia.

Uma sexagenária de Balua, ainda assim, diz ser “muito difícil conseguir comida”. “A minha casa foi destruída. Fiquei sem nada”, acrescenta Sukhmaya Tamang, acompanhada de uma criança, que a ajuda a exprimir-se.

Algumas das pessoas em Balua são oriundas de outras aldeias também afetadas pelo sismo. Houve quem caminhasse dois dias até chegar a esta aldeia, de onde, por enquanto, ainda não é possível aos veículos de ajuda avançarem mais para o interior da zona atingida.

Mas mesmo em Balua ainda há quem garanta não ter recebido alimentos. É o caso de Karna Bahadur, uma anciã que ter´cerca de 70 anos. Perguntámos-lhe se tinha comida. “Não. Não tenho nada”, responde-nos.

Mais de 1.700 membros de 54 equipas de resgate oriundas de 22 países estão a trabalhar no Nepal, na assistência às vítimas. São ajudados, adianta o gabinete das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários, por 147 cães treinados para encontrar pessoas debaixo dos escombros.

Ainda há locais inacessíveis e muito por descobrir, no Nepal. Entre alguns finais feolizes, a expetativa é que a tragédia se agrave. O balanço oficial de mortos já passa dos 6.000. A estimativa é que ultrapasse a fasquia dos 10.000. As equipas de emergência garantem ser imprescindível que o Governo do Nepal e todos os organismos envolvidos na ajuda ao país consigam arranjar mais alimentos, mais medicamentos e mais abrigos para as próximas semanas.

As chuvas fora de época que se fazem sentir na região e as condições higiénicas em degradação rápida impõem um trabalho em contrarrelógio. A reconstrução de latrinas e a limpeza das carcaças de animais mortos têm de avançar igualmente, para que se evite um outro drama sanitário para as 1,4 milhões de pessoas que perderam tudo nas zonas mais afetadas por esta catástrofe.

As Nações Unidas estimam, por fim, que 1,7 milhões de crianças necessitam de ajuda urgente. Na aldeia de Balua, ainda assim, as crianças já conseguem abstrair-se do que drama que assola o país. Algumas ensaiaram mesmo um jogo de futebol, que pode ver no final da reportagem em vídeo que lhe mostramos em cima.