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Eleições britânicas: os partidos do absurdo

Primam pela excentricidade, defendem as propostas mais insensatas, vestem-se de super-heróis, dizem os maiores disparates a par de críticas

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Eleições britânicas: os partidos do absurdo

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Primam pela excentricidade, defendem as propostas mais insensatas, vestem-se de super-heróis, dizem os maiores disparates a par de críticas certeiras. Os partidos do absurdo continuam a manter a tradição e estiveram presentes na campanha para as legislativas desta quinta-feira no Reino Unido.

Elemento tradicional na cena política britânica, os pequenos partidos do absurdo representam no fundo o papel do bobo da corte – atraem principalmente os votos de protesto e nunca conseguem grandes resultados, mas sob uma aparência de loucura são provavelmente a válvula de escape essencial à higiene mental da política britânica.

Os restantes partidos políticos não lhes poupam críticas, acusando-os de minar o prestígio do sistema democrático, mas adotam por vezes e colocam em prática algumas das suas propostas programáticas, como demonstram exemplos do passado – a preocupação ambientalista defendida pelo Partido Verde foi integrada posteriormente pelas formações políticas maiores, quando perceberam que a questão cativara os eleitores durante a campanha eleitoral.

Uma das estrelas mais conhecidas desta constelação original, o Partido Oficial Furioso Alucinado (Official Monster Raving Loony Party), conseguiu ver adotadas propostas suas como o passaporte para os animais e a abertura dos pubs 24/24 horas.

O Partido Oficial Furioso Alucinado está na cena política britânica há décadas, com o lema “Vote pela insanidade”, com os seus candidatos “tarados” – como se apresentam, e em defesa do seu “manicfesto” – em alusão a “manicómio”.

Da sua longa lista de postulados, o OMRLP fez história com ideias como camuflar os penhascos brancos de Dover pintando-os de azul, abolir o número 13 por ser de má reputação, instalar airbags na Bolsa para prevenir o próximo choque financeiro ou instalar ar condicionado no exterior para combater o aquecimento climático. Mas acima de tudo, o partido promete não fazer política. De acordo com o seu líder, Alan “Howling Laud” Hope, o OMRLP quer “realizar tudo aquilo que os restantes partidos prometem e nunca fazem”.

No capítulo da excentricidade, Alan “Howling Laud” Hope não fica a grande distância de outro famoso anti-político britânico, Barry Kirk. Mais conhecido como “Capitaine Beany”, nom de guerre que evoca os tradicionais “baked beans”, os feijões brancos cozidos em molho de tomate que os seus compatriotas adoram, há 25 anos que Kirk concorre às eleições enfiado na sua fatiota de super-herói, com uma capa rosa-laranja. Nesta campanha, decidiu trocar esta indumentária por fato e casaco da mesma cor e promete que vai vestir-se assim quando ganhar um lugar no parlamento.

Para aqueles que possam pensar ser tudo isto demasiado alucinante, existe o Partido da Realidade (Reality Party), fundado pelo percussionista Mark Berry, do grupo de rock alternativo “Happy Mondays”. O Partido da Realidade fez campanha contra a austeridade e a utilização do fraturamento hidráulico para a extração de gás de xisto.

Em sinal de simpatia pela posição do partido de Berry contra manifestações de islamofobia na política britânica, uma mesquita de Londres pintou um slogan a favor do Reality Party. A mesquita faz parte de uma organização de caridade, UK Islamic Trust, e foi chamada a retirar a pintura.

O comboio dos partidos britânicos do absurdo tem muitas carruagens. Originais, variadas, umas mais bizarras que outras, desde o Class War Party, ao Keep It Real Party, passando pelo The Whig party, o Christian Party Proclaiming Christ’s Lordship ou pelo The True English (poetry) party)p.php