Última hora

Última hora

Punk finlandês vai mostrar outra face das doenças mentais na Eurovisão

Em leitura:

Punk finlandês vai mostrar outra face das doenças mentais na Eurovisão

Tamanho do texto Aa Aa

Os Pertti Kurikan Nimipäivät vão participar na 60.a edição do Festival Internacional da Canção. Os finlandeses entram em palco, na primeira meia-final, a 19 de maio

O Punk é um género musical nascido nos anos 70 entre Londres e Nova Iorque que surgiu como um grito de revolta contra o sistema social e político instalado. O Punk não morreu, o Punk resiste. Em pleno século XXI, na Finlândia, foi reinventado pelos Pertti Kurikan Nimipäivät como uma chamada de atenção para as pessoas afetadas por problemas mentais como autismo ou síndroma de Down.

O grupo desfruta de enorme sucesso entre portas, onde é conhecido pelas iniciais PKN. A partir de 19 de maio, a banda conta passar a ser conhecida à escala mundial e ajudar a aumentar a consciencialização global para os problemas que afetam as pessoas que se debatem com problemas mentais.

Todos os membros dos PKN sofrem de um problema mental, seja autismo ou síndroma de Down. Este quarteto especial vai representar a Finlândia na 60.a edição do Festival da Canção da Eurovisão, que se vai disputar em Viena, capital da Áustria.

Os PKN ganharam a final do Festival da Canção da Finlândia com o tema “Aina mun pitää”, que significa “Eu tenho sempre de…”. Vão ser a primeira banda Punk a concorrer na Eurovisão. Mas como será recebido em Viena este género de música muito associado a revoltas e à anarquia?

“Pensamos que vai ser bem recebido. Tal como qualquer outro género de música”, antevê Sami Helle, o baixista. Kari Aallon, o vocalista, diz que é preciso é “experimentar.”

E se, por acaso, ganharem o festival? “Vamos celebrar”, promete Kari. Sami acrescenta: “E nós sabemos bem como celebrar.”

O síndroma do Punk

Os PKN são as estrelas do documentário “The Punk Syndrome” (“Kovasikajuttu”, no original, e “O Síndroma do Punk”, em português), lançado em março de 2012, tendo passado por variados festivais internacionais, incluindo no ano passado o South by Southwest, de Austin, nos Estados Unidos.

Pouco depois, “o documentário foi disponibilizado na internet, em “streaming” (visualização através da internet), com legendagem em oito idiomas diferentes, incluindo português”:https://vimeo.com/ondemand/punksyndrome. O aluguer virtual do filme custa 2,84 euros por um período de 48 horas.

“O Síndroma do Punk” conta-nos a história de como estes quatro “punkers” finlandeses se juntaram numa oficina de trabalho gerida pela Lyhty, uma organização finlandesa sem fins lucrativos de apoio a adultos com problemas de desenvolvimento mental.

The Punk Syndrome (Kovasikajuttu) – Trailer from Mouka Filmi on Vimeo.

Os PKN formaram-se em 2009 e são vistos como uma das atuais melhores bandas Punk da Finlândia, desfrutando de grande sucesso por todo o país. Esse boa recetividade permitiu-lhes ganhar o Festival da Canção da finlândia e carimbar o passaporte para a final da Eurovisão, em Viena.

Apesar dos problemas mentais, na música estes quatro fantásticos do Punk revelam grande atitude e determinação. Os PKN têm uma agenda de concertos preenchida a partir de junho, por palcos finlandeses, mas para já há que preparar bem a presença em Viena, onde vão começar por disputar a primeira meia-final, a 19 de maio (a portuguesa Leonor Andrade compete na segunda meia-final, a 21 de maio, com o tema “Há um Mar que nos Separa”).

O documentário ajudou a abrir uma janela muito particular para o mundo das doenças mentais, mas a Eurovisão pode escancarar a porta para a consciencialização global. A final está marcada para 23 de maio.

Kari, a voz dos Pertti Kurikan Nimipäivät, é ambicioso e espera mesmo ganhar o festival. Pertti, o guitarrista, desconfia que será a Grécia a ganhar.

Only five days left before the plane lifts off. Band is already planning that what they are going to do if they have any spare time in Vienna.

Posted by Pertti Kurikan Nimipäivät on Terça-feira, 5 de Maio de 2015

PKN has received some feedback about the track being "too short" for the Eurovision Song Contest. We asked the band if…

Posted by Pertti Kurikan Nimipäivät on Terça-feira, 24 de Março de 2015