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Dia da Vitória na Rússia: Exuberância de Putin sem principais aliados da II Guerra Mundial

François Hollande, David Cameron e Barack Obama recusaram o convite russo. Angela Merkel adiou para domingo a homenagem aos aliados mortos no conflito

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Dia da Vitória na Rússia: Exuberância de Putin sem principais aliados da II Guerra Mundial

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A Rússia celebrou este sábado com pompa, circunstância e até alguma exuberância os 70 anos da vitória das forças aliadas sobre o nazismo, numa guerra descrita pelos russos como a “Grande Guerra Patriótica”. Vladimir Putin liderou as celebrações.

O líder do Kremlin convidou os chefes de Estado ou de Governo dos três principais aliados da antiga União Soviética durante a II Guerra Mundial, mas todos declinaram, num protesto não oficial pelo papel russo no atual conflito separatista na Ucrânia.

Além do presidente francês François Hollande, do primeiro-ministro britânico David Cameron e do Presidente dos Estados Unidos Barack Obama, também Angela Merkel declinou o convite.

A chanceler alemã, por sua vez, adiou para domingo a deslocação a Moscovo e a homenagem àqueles que ajudaram a Europa a libertar-se do nazismo em 1945.

Ao lado de Putin, nesta celebração, estiveram, ainda assim, outros chefes de Estado bem conhecidos como é o caso dos assumidos “amigos” do Kremlin Xi Jinping, presidente da China, o líder cubano Raul Castro ou Nicolas Maduro, o chefe de Estado da Venezuela.

A comitiva de altos representantes internacionais presentes na Praça Vermelha de Moscovo incluiu líderes de boa parte das antigas repúblicas soviéticas, como a Arménia ou o Cazaquistão.

Os presidentes do Egito, Abdel Fattah Al-Sisi, da Sérvia, Tomislav Nikolic, da Índia, Pranab Mukherjee, ou da África do Sul, Jacob Zuma também marcaram presença na capital russa assim como o secretário-geral das Nações Unidas (ONU), Ban Ki Moon, e o líder da Autoridade Palestiniana, Mahmoud Abbas.

No discurso que antecedeu a exuberante parada militar russa na Praça Vermelha, Putin enalteceu a ação dos aliados na vitória de há 70 anos sobre a Alemanha nazi, mas aproveitou também para criticar a alegada tentativa ocidental de criação de um “mundo unipolar.”

O Presidente da Rússia apelou à criação de uma nova coligação internacional de defesa militar, igual para todos os Estados e adequada às ameaças do mundo atual, no que se pode entender como um projeto de alternativa à Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO), de que Portugal foi fundador em 1949, e que tem mantido uma certa pressão junto de algumas posições militares russas.

A declaração de Putin terminou com um inédito minuto de silêncio pelas vítimas da II Guerra Mundial.

Parada militar “para inglês ver”

A parada militar, podemos dizer, contou com três partes. Primeiro, desfilaram pelotões envergando os uniformes militares pelas forças soviéticas à altura da II Guerra Mundial. Depois, seguiram-se pelotões em representação de algumas das antigas repúblicas soviéticas – curiosa a passagem do pelotão militar arménio colado ao do Azerbeijão, sendo dois países que se mantêm em conflito.

Por fim, a exuberância militar russa com o desfile das mais recentes inovações bélicas às ordens de Vladimir Putin. O destaque, claro, vai para a primeira aparição pública do tanque de última geração Armata T-14, descrito como o melhor do mundo na atualidade, e do sistema lança-mísseis Yars, cujos projéteis, os RS-24, podem transportar múltiplas ogivas nucleares segmentáveis e inclui um dispositivo para iludir outros sistemas antimísseis.

Ao todo, cerca de 200 veículos militares desfilaram pela Praça Vermelha, incluindo os carros anfíbios Kurgabets-25 e sistemas de lança-mísseis S-400 Triumf, e mais de 140 helicópteros e aviões sobrevoaram a parada, incluindo helicópteros KA-52 Alligator, bombardeiros TU-95, caças Su-27 e MiG-29 – alguns voaram numa formação que “desenhava” nos céus o número 70.

Mais de 16 mil soldados participaram neste desfile militar, incluindo 1300 de países estrangeiros, entre eles 110 chineses, que pela primeira vez marcharam na Praça Vermelha. Também estreantes no desfile do 9 de maio foram as cadetes da Escola Militar Feminina russa.

Entre as inovações reveladas pela infantaria russa, foi mostrado o novo uniforme Ratnik e a mais recente versão da famosa espingarda de assalto Kalashnikov, que pode ser usada inclusive debaixo de água.

Após a parada militar, a ilustre comitiva liderada por Vladimir Putin rumou, a pé, ao Jardim Alexander, nas imediaçãoes da Praça Vermelha, onde está localizado o Túmulo ao soldado Desconhecida e ali foram depositadas flores para homenagear os mais de 25 milhões de soldados soviéticos que deram a vida pelo avanço do Exército Vermelho sobre as forças nazis e contribuíram de forma significativa para a vitória dos aliados.