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Migração ilegal: UE pede ajuda à ONU e Cavaco Silva quer "28" mais comprometidos


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Migração ilegal: UE pede ajuda à ONU e Cavaco Silva quer "28" mais comprometidos

A União Europeia (UE), através da responsável pela diplomacia dos “28”, formalizou esta segunda o pedido de ajuda às Nações Unidas (ONU). Os “28” pretendem dar seguimento a uma operação militar que inclui a localização, desmantelamento das redes de traficantes e destruição dos barcos usados pelos “facilitadores” das travessias clandestinas no Mediterrâneo, as quais já provocaram só este ano a morte a quase 2000 pessoas.

A operação pode ter de agir em águas internacionais ou águas territoriais, por exemplo, da Líbia. Para tal, é imprescindível o aval do Conselho de Segurança da ONU.

“2015 parece já pior que o ano passado e considerando que, em 2014, cerca de 3300 migrantes morreram a tentar entrar na União Europeia por mar, isto diz-nos que três em cada quatro pessoas que morreram a atravessar uma fronteira no mundo morreram no Mediterrâneo. Três em cada quatro pessoas…”, sublinhou a chefe da diplomacia da UE, reforçando: “Já não é só uma emergência humanitária, é também uma crise de segurança porque, em alguns casos, as redes de traficantes estão ligadas ao financiamento de atividades terroristas, o que contribui para a instabilidade numa região já de si instável o suficiente.”

Portugal recebe cimeira da União para o Mediterrâneo

O apelo de Federica Mogherini em Nova Iorque coincidiu com uma cimeira que termina esta terça-feira em Lisboa dos presidentes parlamentares da União para o Mediterrâneo, organização que integra os “28” da UE mais 15 da bacia mediterrânica, como Marrocos, Líbia, Turquia, Egito, Israel, Jordânia ou a Síria.

Numa receção em Belém aos representantes da União para o Mediterrâneo, o Presidente da República portuguesa considerou que a imigração, o asilo e os direitos humanos deviam estar no topo da agenda europeia, num “tempo desafiante” que requer cooperação e diálogo com os países do sul do Mediterrâneo.

“São temas de grande preocupação para todos nós, temas que deviam estar no topo da agenda da União europeia, no topo da agenda das nossas nações”, afirmou Aníbal Cavaco Silva, sublinhando que “este diálogo é fundamental” assim como “fundamental é esta parceria entre os dois lados do Mediterrâneo.”


O chefe de Estado português sublinhou ainda o caráter especial e único da Assembleia Parlamentar da União para o Mediterrâneo, considerando que se deve aproveitar esta oportunidade de diálogo e parceria para enfrentar os problemas e encontrar soluções para evitar a repetição de tragédias no Mar Mediterrâneo. “Isso exige diálogo e cooperação”, insistiu.

Numa curta intervenção, a presidente do parlamento português (AR), Assunção Esteves, aproveitou a audiência concedida por Cavaco Silva para dar conta do trabalho que está a ser desenvolvido na II cimeira de presidentes dos parlamentos da Assembleia Parlamentar da União para o Mediterrâneo.

Assunção Esteves adiantou que as conclusões do encontro serão posteriormente remetidas para a Comissão Europeia, Parlamento Europeu e Conselho Europeu. A presidente da AR referiu que deverão ser formalizadas 10 medidas concretas de curto e médio prazo. “Temos de reforçar os nossos esforços”, concretizou.


No decorrer da cimeira, por fim, falou o o primeiro-ministro português. “As tragédias que se têm repetido no Mediterrâneo são profundamente revoltantes e merecem a mais séria reflexão, quer dos países de destino, quer dos países de origem e de trânsito”, defendeu Pedro Passos Coelho, para quem é também “importante” ter “presente a justiça moral inerente a uma política de imigração mais aberta e os benefícios económicos e sociais de médio prazo que dela podem resultar”.

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