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Protestos no Burundi: Polícia desmantela barricadas e deixa pelo menos um morto


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Protestos no Burundi: Polícia desmantela barricadas e deixa pelo menos um morto

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A menos de um mês e meio das eleições presidenciais no Burundi, marcadas para 26 de junho, a controversa decisão do atual chefe de Estado — anunciada há pouco mais de duas semanas e registada na sexta-feira — de se recandidatar a um terceiro mandato continua a provocar vítimas.

Os protestos sucedem-se e este domingo à margem de uma manifestação de mulheres contra Pierre Nkurunziza, a polícia decidiu desmantelar nas ruas da capital algumas barricadas levantadas nas últimas semanas por manifestantes anti-presidente.

A operação policial encontrou resistência. Houve confrontos e, de acordo com testemunhos não confirmados de forma independente, pelo menos mais uma pessoa morreu e uma outra ficou ferida. O balanço de mortos no Burundi, devido aos protestos contra o ainda chefe de Estado, está nos 18 mortos desde 26 de abril, dia em que Nkuruntiza anunciou a recandidatura.

Na origem da violência está a Constituição do Burundi, redigida e ratificada em 2005, após a difícil negociação dos chamados Acordos de Arusha, que colocaram fim à guerra civil no país e abriram caminho à democracia. A lei impede um Presidente de concorrer a um terceiro mandato, mas Pierre Nkurunziza alega que o seu primeiro mandato iniciado em 2005 não conta porque resultou da eleição direta pelo Parlamento e não pelo povo.

A oposição não concorda e os protestos tem-se sucedido desde o anúncio da candidatura. A violência entre polícia e manifestantes tem vindo a agravar-se. Cerca de 50 m il pessoas já fugiram da escalada de violência no Burundi, avançam as Nações Unidas (ONU). O Presidente emitiu, entretanto, um comunicado a condenar o escalara da violência e responsabilizou os partidos da oposição.

Este domingo, pela primeira vez, um grupo de cerca de de 300 mulheres juntou a voz aos protestos contra o Presidente. “Estamos cansadas. Queremos paz. Queremos o respeito pela nossa nação e pelas nossas leis. A nossa Constituição é sagrada. Assim como os Acordos de Arusha. Esses acordos trouxeram-nos a paz depois de 10 anos de guerra, na qual perdemos os nossos filhos e filhas. Não queremos isso nunca mais”, defendeu Ketin Vyabandiyaya, uma das manifestantes.

A manifestação feminina deste domingo, em Bujumbura, decorreu sem problemas, mas a decisão da polícia de desmantelar as barricadas levantadas nas últimas semanas pelos manifestantes em várias outras artérias da capital levou a mais confrontos.

Testemunhas acusam a polícia de recorrer ao uso de armas de fogo contra os manifestantes e terem morto pelo menos uma pessoa e ferido outra. As autoridades desmentem ter aberto fogo.

Sete na corrida com o Presidente

Para as presidenciais de 26 de junho existem, pela primeira vez, oito candidaturas, incluindo a de Pierre Nkurunziza. Três das principais figuras da oposição, Agathon Rwasa (independente pela Frente Nacional de Libertação — FNL), Gerard Nduwayo (União para o Progresso Nacionl — UPRONA) e Jean Minani (Frente pela Democracia no Burundi — FRODEBU Nyakuri), estão na corrida.

Também candidatos são o antigo Presidente Domitien Ndayizeye (coligação RANAC), Jacques Bigirimana (FNL), Jean de Dieu Mutabazi (coligação COPA) e o também ex-chefe de Estado Sylvestre Ntibantunganya (independente).

Este domingo, entretanto, arrancou oficialmente a campanha eleitoral para as eleições municipais no Burundi, que estão marcadas para 26 de maio. O Conselho de Segurança Nacional exigiu no sábado que “os insurgentes parassem de imediato as suas ações”. Domingo ainda houve problemas, mas esta segunda-feira, o Burundi acordou mais calmo.

A Bélgica, por fim, decidiu de recuar no apoio à Comissão Nacional de Eleições de Burundi. O governo de Bruxelas havia aprovado um apoio de 4 milhões de euros, dos quais metade já terá sido mesmo avançada, mas esse apoio foi suspenso esta segunda-feira.

“O vice-primeiro-ministro e ministro da Cooperação para o Desenvolvimento Alexander De Croo decidiu suspender provisoriamente o apoio ao processo eleitoral do Burundi. (…) O vice-primeiro-ministro crê que, nas atuais circunstâncias, o pagamento dos restantes dois milhões de euros deve de ser suspenso”, lê-se num comunicado do governo belga.

Reportagem das Nações Unidas sobre os refugiados do Burundi

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