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O (des)acordo ortográfico

Depois de muita polémica, algumas alterações e de um período de transição de seis anos, o acordo ortográfico de 1990 (AO90) passou a ser obrigatório em Portugal a partir do dia 13 de maio. No Brasil,

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O (des)acordo ortográfico

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Depois de muita polémica, algumas alterações e de um período de transição de seis anos, o acordo ortográfico de 1990 (AO90) passou a ser obrigatório em Portugal a partir do dia 13 de maio. No Brasil, as novas regras aplicam-se obrigatoriamente a partir do próximo ano.

O AO90 é o resultado de um longo processo conduzido pela Academia Brasileira de Letras e pela Academia das Ciências de Lisboa. O acordo foi assinado em Lisboa, no final de 1990, por representantes oficiais de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe. Em 2004, Timor-Leste aderiu ao acordo depois de recuperar a independência.

O projeto é uma tentativa de unificar a grafia do Português, com o objetivo de acabar com duas normas ortográficas distintas – uma no Brasil e outra nos restantes países em que o Português é língua oficial – e de dar visibilidade e prestígio internacional à língua portuguesa.

A nova grafia começou a chegar faseadamente às escolas portuguesas no ano letivo 2011-2012. Os documentos do Estado começaram a seguir o acordo em janeiro de 2012.

Angola e Moçambique, os dois países africanos com mais falantes de Português, ainda não ratificaram o tratado. Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste já ratificaram o acordo mas a sua aplicação é ainda embrionária.

Que mudanças?

Mas, o que muda? Basicamente, a maneira de escrever algumas palavras.
Uma das principais alterações é que as consoantes não pronunciadas são removidas. Há também mudanças no uso do hífen e dos acentos, muitos dos quais desaparecem. Os meses e as estações do ano passam a ser escritos com letra minúscula inicial.

Globalmente, a nova grafia privilegia o critério fonético em detrimento do etimológico (da origem das palavras).

Aqui ficam alguns exemplos:

Alterações à norma ultilizada em Portugal e nos PALOP (pt-PT)
acção – ação
acto – ato
afecto – afeto
aspecto -aspeto
respectivo – respetivo
infecção -infeção
óptimo – ótimo
concepção – conceção
recepção – receção
intersecção – interseção
intercepção – interceção
asséptico- assético
Egipto – Egito
adoptar – adotar
há-de – há de
hão-de – hão de

Alterações à norma ultilizada no Brasil (pt-BR)
lingüiça – linguiça
pingüim – pinguim
freqüência – frequência
assembléia – assembleia
idéia – ideia
européia – europeia
enjôo – enjoo
vôo – voo

Na internet existem várias páginas onde se pode verificar as mudanças na escrita da língua:

FLIP

Portal da Língua Portuguesa (Fundação para a Ciência e Tecnologia) – Vocabulário Ortográfico Português

Porto Editora – Infopédia

Academia Brasileira das Letras – Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa

Na rede, encontram-se também inúmeras críticas ao acordo:

Alguns jornais, como o Público, decidiram não aplicar o novo acordo.

Uma das línguas mais faladas no mundo

A reforma inspira-se no potencial do Português, na verdade uma das cinco línguas mais faladas no mundo.

Nos países em que o Português é língua oficial vivem mais de 260,5 milhões de pessoas. O número estimado de falantes de Português ronda os 400 milhões.

Precedentes

Na China, em meados do século passado, os carateres tradicionais foram simplificados e, hoje, esse alfabeto é uma das formas padrão de escrita contemporânea do chinês. A simplificação foi decidida pelo governo da República da Popular da China para promover a alfabetização.