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Pio XII: "Papa de Hitler" ou "Papa dos Judeus"?

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Pio XII: "Papa de Hitler" ou "Papa dos Judeus"?

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O filme “Shades of Truth” (“Sombras da verdade”), da realizadora Liana Marabini, retoma a polémica história do Papa Pio XII que esteve à frente da

O filme “Shades of Truth” (“Sombras da verdade”), da realizadora Liana Marabini, retoma a polémica história do Papa Pio XII que esteve à frente da Santa Sé entre 1939 e 1958. Acusado por uns de ser o “Papa de Hitler” – pelo suposto silêncio durante o Holocausto – para outros é considerado o “Papa dos Judeus” por alegadamente ter salvado a vida de milhares de pessoas.

A realizadora acredita na segunda hipótese e quis reabilitar a imagem de Pio XII: “Às vezes, não queremos ver a verdade porque ela nem sempre é cómoda. O que a maior parte das pessoas acreditou – e ainda acredita – é que ele era o Papa de Hitler. Isso é falso e quis fazer este filme independente que financiei com a minha produtora para esclarecer este capítulo escondido e cheio de sombras.”

De acordo com a Fundação Pave the Way, com sede nos Estados Unidos e criada por um judeu, o Papa agiu nos bastidores para impedir a prisão de milhares de judeus. Por outro lado, Pio XII teria conseguido que 550 instituições e colégios religiosos ficassem isentos de inspeções nazis, permitindo salvar muitas vidas.

“Afirmei que ele era o Schindler do Vaticano mais foi um erro porque o Schindler apenas salvou oito mil judeus enquanto ele salvou um milhão. Comparei-o a Schindler pela coragem, pelos riscos que correu para ajudar os judeus e salvá-los da morte”, acrescentou Liana Marabini.

O assunto é polémico e, em 2002, já tinha inspirado o filme “Amen” do realizador Costa Gavras que sustentava a tese contrária.

Shades of Truth de Liana Marabini é exibido este domingo em Cannes à margem do festival.