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Bacu: Diálogo Intercultural no Azerbaijão

O mundo tem assistido, nos últimos tempos, ao nascer e ao renovar de guerras e conflitos, em várias regiões do globo. Para discutir e perceber as

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Bacu: Diálogo Intercultural no Azerbaijão

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O mundo tem assistido, nos últimos tempos, ao nascer e ao renovar de guerras e conflitos, em várias regiões do globo. Para discutir e perceber as razões, centenas de líderes religiosos, estudiosos e políticos, reuniram-se em Bacu, a capital do Azerbaijão, no 3° Fórum Mundial para o Diálogo Intercultural, promovido pelas Nações Unidas e pelo Conselho da Europa.

O encontro tem o patrocínio do Presidente azeri, Ilham Aliyev, e é subordinado ao tema “Cultura e desenvolvimento sustentável na agenda para o desenvolvimento pós 2015”. Aqui discutem-se os objetivos alcançados, até agora, em questões relacionadas com o diálogo intercultural, promovendo a compreensão recíproca entre os povos e as nações.

“Temos aqui, hoje, representantes de mais de 100 países. É muito importante que estas pessoas venham ao Azerbaijão para partilhar as suas opiniões pois existem, no mundo, muitos locais com conflitos… Conflitos com sangue… Há batalhas a decorrer na Europa e também na nossa região. Neste caso, o Azerbaijão é como uma ilha sólida na região”, assegura o anfitrião.

Com os extremismos e a violência a aumentar, no mundo, conseguir reunir, no mesmo espaço pessoas de tão diversas proveniências, é já um grande passo.

“Ter na mesma sala imãs, rabis, representantes dos Estados do Golfo… Pessoa de países em guerra, que não falam umas com as outras, é já muito positivo. Para ter um futuro melhor, precisamos de uma melhor educação. Temos de ter valores comuns, valores esses que têm de ser, realmente, praticados. É preciso sair da teoria. Creio que vai ser um caminho longo e difícil, pois, de momento, o mundo não é muito seguro e está muito mais violento do que há 10 anos”, assegura a senadora francesa, Nathalie Goulet.

Os atos de barbárie extrema praticados pelos grupos Estado Islâmico, no Iraque e na Síria, e o Boko Haram, na Líbia e Nigéria, foram também abordados, ficando clara a necessidade de se encontrar uma solução.

O arcebispo de Abuja, John Onaiyekan Archbishop, acredita que na Nigéria “o Boko Haram representa um pequeno grupo de muçulmanos que são fanáticos e terroristas. Os restantes muçulmanos, na Nigéria, são pessoas pacíficas. Mas existirá essa divisão e até que consigamos resolver as divisões internas de cada religião, não podemos lidar com a necessidade de reconciliação em todo o lado. Temos o mesmo problema com o cristianismo, não estamos unidos.”

Para a diretora-geral da UNESCO, Irina Bokova, a resolução dos principais conflitos mundiais passa por uma maior aposta na educação. “A situação no mundo é, realmente, preocupante. Vemos mais conflitos e eles estão a mudar… Tornámo-nos mais intolerantes. Penso que não se deu atenção suficiente à cultura, ao nosso património cultural e à diversidade cultural. Não demos atenção suficiente aos programas educacionais. Penso que temos de mudar o conteúdo dos livros escolares. Temos de estudar mais história. Temos de conhecer a nossa própria cultura e a dos outros”, remata.

No decorrer das conversas, sobressaiu uma ideia: é necessário que todos os povos respeitem as diferenças e que a tolerância tem de ser a palavra de ordem.

“Temos de aprender a viver juntos, com a nossa diversidade, sem nos matarmos. É essa a esperança, é esse o grande projeto. O projeto mais pequeno é olhar para as estratégias, olhar para as políticas, olhar para as coisas que funcionam, para que possamos viver juntos”, afirma Paul Morris, da UNESCO.

A participar neste 3° Fórum Mundial para o Diálogo Intercultural, em Bacu, no Azerbaijão, está, também, o Secretário de Estado do Turismo, Adolfo Mesquita Nunes, em representação do governo de Portugal.