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Congressso da FIFA: Palestina recusa "jogo da paz" e insiste no "cartão vermelho" a Israel

Reunião magna de 29 de maio em Zurique promete ser quente. Para além da questão israelo-palestiniana, há a eleição para a presidência, com Luís Figo a concorrer com Sepp Blatter

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Congressso da FIFA: Palestina recusa "jogo da paz" e insiste no "cartão vermelho" a Israel

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O presidente da FIFA Sepp Blatter pretende organizar um jogo pela paz entre Israel e a Palestina. Os israelitas dizem-se disponíveis. Os palestinianos, não. A Associação de Futebol da Palestina insiste no pedido de levar à votação no congresso da Federação Internacional de Futebol, de 29 de maio, em Zurique a eventual suspensão da congénere israelita e, por conseguinte, de toda a atividade internacional do futebol israelita.

“Nós mantemos essa proposta na agenda (do congresso) para que haja uma discussão sincera e aberta entre os membros da FIFA. Não haverá compromisso sobre a liberdade dos nossos atletas e dos nossos responsáveis”, afirmou esta quarta-feira Jibril Rajoub, o presidente da Associação palestiniana, numa conferência de imprensa realizada ao lado de Sepp Blatter, em al-Bireh, perto de Rammallah, na Cisjordânia.

O organismo que gere o futebol palestiniano acusa a congénere israelita não só de se manter em silêncio face às restrições impostas pelas autoridades de Israel sobre os futebolistas e outros palestinianos, mas de ser cúmplice dessas mesmas restrições, as quais, acusa a associação palestiniana, violam as regras antirracismo e as da livre circulação de futebolistas onde os clubes estão sedeados. A associação liderada por Jibril Rajoub pretende, por isso, ver aprovada em Zurique a suspensão internacional do futebol israelita.

A gota de água para os palestinianos terá acontecido em novembro do ano passado quando elementos das Forças de Defesa de Israel (IDF) invadiram os escritórios da associação de futebol, num episódio que o presidente do organismo palestiniano descreveu como “sem precedentes no mundo do desporto”. Na altura, Rajoub afirmou logo: “A FIFA tem de mostrar um cartão vermelho a Israel.”


A federação israelita alega que não pode ser responsabilizada pelas restrições impostas pelo próprio Estado de Israel, o qual limita frequentemente a livre circulação dos palestinianos em Gaza ou nas Cisjordânia e suspende por vezes o abastecimento de mantimentos a esses territórios, justificando-o com questões de segurança. “Não creio que haja alguma associação de futebol em todo o mundo que possa dizer ao próprio governo como gerir as questões de segurança”, afirmou Rotem Kamer, o diretor executivo da Associação Israelita de Futebol (AIF).

Sepp Blatter esteve terça-feira em Jerusalém e reuniu-se com o primeiro-ministro de Israel. Benjamin Netanyhau terá gostado da ideia de um jogo de paz. “Um dos assuntos de que falei com o primeiro-ministro Netanyahu e uma ideia que mereceu o seu apoio (…) foi a organização num futuro próximo de uma partida entre as equipas nacionais de Israel e da Palestina”, disse o ainda presidente da FIFA, em conferência de imprensa após o encontro com o chefe do Governo de Israel.




O líder do futebol internacional admitiu que o jogo poderia ser realizado em Zurique, na Suíça. Depois de uma reunião com o presidente da federação israelita Ofer Eini, Blatter mostrou esperança numa solução de compromisso entre os dois organismos vizinhos ao afirmar que “o futebol é uma força com 209 associações e milhões de pessoas ligadas pelo jogo”.

“O futebol é um elo de potência entre culturas. Vou tentar mediar o problema entre a associação israelita e a palestiniana”, garantiu. Mas, afinal, Blatter não terá tido grande sucesso esta quarta-feira na Cisjordânia, embora mantenha om otimismo.

Figo mantém-se na corrida ao lugar de Blatter


À margem da votação da proposta palestiniana de suspender a AIF, o congresso de 29 de maio vai ainda incluir a eleição presidencial para o organismo que superintende o futebol mundial. Sepp Blatter está na corrida à reeleição, mas conta com a concorrência do português Luís Figo, do holandês Michael van Praag e do príncipe da Jordânia Ali Bin Al Hussein. Um porta-voz do holandês revelou que os três concorrentes de Blatter se reuniram para discutir eventuais alianças. Um porta-voz de Luis Figo desmentiu que o antigo capitão da seleção portuguesa e Bola de Ouro de 2001 possa recuar.

“O Luís é um candidato independente e vai continuar a ser independente. Ele não vai viajar para a Holanda, ao contrário dos rumores surgidos. Mantemos o que dissemos desde o primeiro dia”, reiterou o representante do português, citado pela Reuters, contrariando as notícias de um jornal holandês de que Figo iria dar uma conferência de imprensa na Holanda manifestando a sua desistência em favor de Van Praatg.