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Líbia: No inferno dos centros de retenção de imigrantes

60 km a leste de Tripoli, situa-se uma das praias de onde os imigrantes esperam embarcar para a Europa. Alguns conseguem-no; muitos morrem e outros acabam na prisão

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Líbia: No inferno dos centros de retenção de imigrantes

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Nos centros de retenção de imigrantes na Líbia, encontram-se aqueles que foram capturados pelas autoridades líbias, antes de conseguirem dar o salto para a Europa.

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Não há quartos, não há camas. Batem-nos, insultam-nos, tratam-nos como animais. Não há humanidade - Davel Toleran, refugiado da Eritreia

Na Líbia, os imigrantes ilegais podem ficar detidos entre uma semana e um ano.

Num centro de Tripoli estão enclausuradas 470 pessoas, a maioria vindas da Somália e da Eritreia.

Através das grades, Davel Toleran, um refugiado da Eritreia, explica: “É muito má, esta prisão. Não há quartos, não há camas, não há onde dormir. Batem-nos, insultam-nos, tratam-nos como animais. Não há humanidade nesta prisão.”

60 km a leste de Tripoli, situa-se uma das praias de onde os imigrantes esperam embarcar para a Europa. Alguns conseguem-no; muitos morrem a poucos quilómetros da costa, em barcos superlotados e sem condições para a travessia.

“Há 190 corpos enterrados aqui. Passámos uma noite inteira até ser dia, a retirá-los da praia, em outubro último”, explica o comandante Tarek al-Sheerah, apontando para uma imensa vala comum, no meio do deserto.

Devido à proximidade geográfica face à Europa, a Líbia é, historicamente, um país de trânsito para os migrantes africanos – mas o tráfico intensificou-se desde a queda do regime de Mohamed Kadhaffi, em 2011.

Apesar dos perigos, os imigrantes continuam a ver nesta praia o porto de partida para o eldorado europeu.