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Como é que os pilotos de aviões reajem ao stress e à pressão psicológica?

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Como é que os pilotos de aviões reajem ao stress e à pressão psicológica?

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Uma equipa de investigadores de vários países está a estudar a forma como os pilotos reagem ao stress e à pressão psicológica. O recente acidente da

Uma equipa de investigadores de vários países está a estudar a forma como os pilotos reagem ao stress e à pressão psicológica.

Point of view

A forma como a informação é apresentada ao piloto na cabine de pilotagem deverá ser melhorada e reduzida, para que eles se possam concentrar-se no que é mais importante.

O recente acidente da Germanwings, em que um piloto depressivo provocou a morte de 150 pessoas, levou a um aumento do interesse público pelo trabalho dos pilotos.

O estudo está a ser desenvolvido na Escola Superior de Aeronáutica e do Espaço, na cidade francesa de Toulouse, e reúne investigadores da França, dos Estados Unidos e do Japão.

O objetivo dos cientistas é conhecer de forma mais detalhada as reações fisiológicas e neurológicas dos pilotos. Outra das ambições do projeto é desenvolver instrumentos que permitam simplificar e melhor o trabalho dos pilotos no interior da cabine de pilotagem.

Graças à monitorização do movimento dos olhos e da atividade cerebral é possível identificar os sinais associados a diferentes comportamentos.

“Queremos compreender melhor o fator humano usando os instrumentos das neurociências, como a eletroencefalografia, a medida fisiológica do ritmo cardíaco, a transpiração, a pupila e o movimento dos olhos, para ver para onde olham os pilotos a cada momento. Usamos todas essas técnicas para perceber melhor o comportamento humano em condições difíceis, sob stress e cansaço, de modo a prevenir os acidentes”, explicou Mickael Causse, professor auxiliar de Neuroergonomia da Escola Superior de Aeronáutica e do Espaço.

Na prática, os investigadores colocam um aparelho na cabeça do piloto que permite identificar os movimentos dos olhos.

“É um aparelho muito leve, pesa menos de 80 gramas, possui uma câmara frontal que nos mostra a direção do olhar do piloto, a perspetiva dele. Temos aqui outra câmara, mais pequena, que nos mostra em tempo real a direção do olhar do piloto”, explicou Frederic Dehais, professor de Neuroergonomia, na Escola Superior de Aeronáutica e do Espaço, em Toulouse.

Os investigadores testam as reações dos pilotos em várias situações, incluindo mau tempo e problemas técnicos. Por exemplo, numa situação de grande tensão, um piloto pode involuntariamente ignorar o sinal sonoro de alarme e focar-se apenas nos sinais visuais.

As informações recolhidas vão ajudar a redesenhar as cabines de pilotagem de modo a limitar o fluxo de informação ao estritamente necessário.

“No futuro, as cabines de pilotagem serão não invasivas, terão uma interface cérebro-máquina, vão poder monitorizar os fluxos de informação e usar contra-medidas graças à tecnologia. A forma como a informação é apresentada ao piloto deverá ser melhorada e reduzida, para que em condições difíceis eles possam concentrar-se no que é mais importante”, sublinhou Daniel Callan, investigador no Instituto Nacional de Informação e Tecnologias de Informação de Osaka, no Japão.

O acidente do avião da Germanwings chamou a atenção para a necessidade de limitar os erros humanos, mas, segundo os cientistas, vai ser difícil para já, propor voos completamente automatizados.

“Há um obstáculo psicológico. Será que os passageiros vão querer entrar num avião sem piloto? Para já, penso que não. Com o acidente da Germanwings, vimos que ter apenas um piloto pode ser problemático. Penso que durante os próximos tempos os dois pilotos vão ser mantidos”, concluiu Mickael Causse.