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OPEP e FIFA: o que vai mudar?

Esta semana, debruçamo-nos sobre as expetativas em torno da próxima reunião da OPEP. No Business Snapshot, falamos do escândalo FIFA e das

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OPEP e FIFA: o que vai mudar?

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Esta semana, debruçamo-nos sobre as expetativas em torno da próxima reunião da OPEP. No Business Snapshot, falamos do escândalo FIFA e das consequências sobre o mercado bolsista de Doha, no Qatar.

Todas as atenções centram-se no encontro da OPEP a realizar-se em Viena no final da semana. É cada vez maior o afastamento entre os membros desta organização e outros países produtores de petróleo. A questão é a mesma dos últimos tempos: reduzir ou não o volume de produção face à queda na procura e aos excedentes na oferta.

A Arábia Saudita e os países do Golfo Pérsico acreditam na retoma económica e na subida dos preços. Mas os países fora da OPEP pedem medidas para controlar o output do setor.

O que vai a OPEP fazer?

O preço do barril de crude oscila em torno dos 65 dólares, um valor muito inferior ao praticado antes da última reunião da OPEP, em novembro passado.

Nessa altura, os membros da organização decidiram não reduzir a produção diária, que se situa nos 30 milhões de barris, levando a uma queda progressiva dos preços – em janeiro, a unidade custava 46 dólares.
 
A Arábia Saudita tem um papel determinante na OPEP e nada indica que vá mudar de estratégia. Os países do Golfo Pérsico seguem a mesma linha, defendendo que a retoma veio para ficar.

Os especialistas salientam então que a OPEP não deverá mudar nada, mesmo após os encontros preliminares previstos com outros países produtores, liderados pela Rússia.

O mês de junho será decisivo para os mercados: vai haver também uma reunião da Reserva Federal americana e o avanço ou não do acordo entre o Irão e o chamado grupo 5+1.

A opinião de Nour Eldeen Al-Hammoury, da ADS Securities

euronews: Há vários indícios que apontam para que tudo fique na mesma. Se isso acontecer, quais são as expetativas para os exportadores e para o mercado?

Nour Eldeen Al-Hammoury: Se não houver uma alteração de política e a produção atual se mantiver, não haverá grande impacto nem para o mercado, nem para os exportadores. Isto porque toda a gente já está preparada para que as coisas não mudem, sobretudo depois das últimas afirmações de alguns ministros da OPEP. O melhor cenário para o mercado seria um corte na produção na ordem do 1 milhão de barris diários. Isso poderia equilibrar as coisas e ajudar os preços a subir para perto dos 70 dólares.

euronews: Até que ponto vão as decisões do Fed afetar o mercado do petróleo?

Nour Eldeen Al-Hammoury: A queda nos preços do petróleo em 2014 e 2015 está ligada à expetativa da subida das taxas de juro por parte da Reserva Federal americana agora em junho. A subida do dólar teve um impacto muito significativo sobre o valor do petróleo. É um dos fatores que explica o colapso dos preços, uma vez que os exportadores seguiam as tendências do Fed. No entanto, essa perspetiva mudou. Se o Fed não mexer nas taxas, isso será negativo para o dólar. Ou seja, o petróleo pode subir ainda mais e a situação ficar ainda mais estabilizada.

euronews: E o acordo entre o Irão e as grandes potências? A Arábia Saudita será obrigada a rever a sua estratégia?

Nour Eldeen Al-Hammoury: Depende do que o Irão fizer depois do acordo, ou seja, se vai ser ou não capaz de exportar 1 milhão de barris para o mercado após o levantamento das sanções. No entanto, alcançar um acordo com o Irão é considerado como um potencial fator negativo, sobretudo se os embargos forem retirados de um momento para o outro. Não acreditamos que a Arábia Saudita vá mudar de estratégia depois de aumentar a fatia de mercado, porque detém reservas imensas e isso ajuda-os a enfrentar qualquer desafio que seja.

Business Snapshot: A FIFA e a bolsa de Doha

O escândalo na FIFA provocou uma onda de choque sobre a bolsa de Doha, no Qatar. Se o país perder a organização do Mundial de Futebol, quais serão as consequências?

O mercado bolsista do Qatar caiu em flecha na semana passada, após o sismo que abalou a FIFA e as subsequentes investigações que foram iniciadas. Na quinta-feira, o índice de títulos despenhou-se em mais de 3%, a maior queda diária em cinco meses, o registo mais baixo em cinco semanas.

As autoridades suíças colocaram em marcha processos contra responsáveis da FIFA, suspeitos de subornos e desvio de fundos relativamente à seleção dos países anfitriões dos Mundiais de 2018 e 2022.

Tanto Doha como a FIFA refutam as acusações. Segundo alguns analistas, a exclusão efetiva do Qatar da organização do campeonato teria um impacto relativamente limitado sobre o mercado.

Entretanto, a Amnistia Internacional apela à FIFA para pressionar o Qatar a implementar medidas que assegurem condições dignas aos trabalhadores que participam na construção dos estádios.