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Quem sucede a Blatter na FIFA? Ali Bin al-Hussein e Luís Figo vão a jogo

Platini corre por fora, mas é conhecido o sonho do francês em liderar o futebol mundial. As cartas voltam a ser baralhadas

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Quem sucede a Blatter na FIFA? Ali Bin al-Hussein e Luís Figo vão a jogo

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As cartas voltam a ser baralhadas em torno da FIFA. Sepp Blatter anunciou a demissão do cargo, mantendo-se em funções apenas até à realização das eleições. Os candidatos começam a perfilar-se, mas agora há que recomeçar a recolher apoios.

Point of view

Estou disponível para contribuir para um futebol mais transparente e democrático

O português Luís Figo e o príncipe da Jordânia Ali Bin al-Hussein têm boa parte do trabalho feito e já reagiram à demissão do suíço. O Bola de Ouro da FIFA de 2001 fê-lo através das respetivas redes sociais na internet, onde, apesar de ter desistido da corrida à presidência da FIFA há quase duas semanas, se tem mantido bastante ativo, criticando o “regime instalado” na FIFA e, de forma mais direta, Sepp Blatter.

Logo na sexta-feira, minutos após a reeleição do suíço por desistência de Ali bin al-Hussein antes da segunda volta de sufrágio, Figo escrevia que aquela “votação serviu apenas para caucionar a eleição de um homem que não pode manter-se à frente do futebol mundial.”

Esta votação serviu apenas para caucionar a eleição de um homem que não pode manter-se à frente do futebol mundial. Ao…

Posted by Luís Figo on Sexta-feira, 29 de Maio de 2015


“Ao contrário do que Sr. Blatter disse, os acontecimentos da passada quarta-feira não mancham o futebol, mancham a FIFA e os responsáveis que conduziram a organização até aqui”, acrescentou, numa declaração que rematou com uma mensagem clara: “Permaneço disponível para ajudar a FIFA a reerguer-se de tudo isto.”

Na segunda-feira, durante um evento na Fundação a que dá nome, Luís Figo reiterou ter denunciado “o sistema que existe” quando desistiu das eleições para a presidência da FIFA, ato que descreveu como “um plebiscito de entrega do poder absoluto a um só homem”, e reafirmou: “Estou disponível para contribuir para um futebol mais transparente e democrático, mas depende das oportunidades, do momento e dos apoios para voltar a ter uma decisão independente em relação àquilo que quero fazer no futebol.”

Na manhã desta quarta-feira, após a notícia do New York Times, Figo escreveu nas redes sociais: “A FIFA continua nas primeiras páginas, mas pelas piores razões. Até quando?”


Nove horas depois, já conhecedor da demissão de Blatter, o português voltou à carga: “Um dia bom para FIFA e para o futebol. A mudança está finalmente a chegar. Como disse na minha declaração de sexta-feira: o dia podia tardar, mas chegaria. Ele aí está! Devemos agora, de forma responsável e serena, procurar uma solução consensual em todo o mundo para que comece uma nova era de dinamismo, transparência e democracia na FIFA.”

Figo — podemos concluir — está de novo na corrida, apareçam os apoios. A Federação Portuguiesa de Futebol está já na expetativa para os próximos passos do antigo internacional português.

O príncipe está pronto

Ali Bin al-Hussein, por seu turno, ainda não reagiu de viva voz à demissão de Blatter. Mas, através de Salah Sabra, vice-presidente da Federação de Futebol da Jordânia, terá feito saber que está “pronto para assumir a presidência da FIFA no imediato.”


O príncipe jordano chegou a ir a votos contra Blatter. Conseguiu evitar a vitória do suíço logo à primeira volta — eram precisos dois terços do eleitorado, o suíço conseguiu 133 votos e ficou a seis da eleição, o jordano ficou-se pelos 73. a perspetiva da derrota na segunda volta, onde uma maioria simples era o suficiente, levou ali Bin al-Hussein a desistir e a entregar de bandeja a vitória ao suíço.

O sonho de Platini

Terceiro filho do Rei Houssein da Jordânia e vice-presidente da da FIFA para a Ásia, Ali Bin al-Hussein foi a votos com o apoio da UEFA e, em particular, do presidente do organismo europeu, Michel Platini.

Mas o francês nunca escondeu o sonho de também ele chegar um dia a presidente da FIFA. Em agosto do ano passado, Paltini chegou a afirmar ser “ainda cedo” para dar o salto. Mas perante os desenvolvimentos desta quarta-feira, não será de descartar que o presidente da UEFA, atualmente com 59 anos, esteja também a refletir em candidatar-se já à FIFA.

No próximo ano, joga-se o Europeu de futebol em França e, certamente, Platini gostará de saborear a partir do trono do futebol do futebol do Velho Continente esse grande torneio com marca UEFA e no seu país natal. Mas… se for como presidente da FIFA também não será assim tão mau.

O presidente da Federação francesa, Noel Le Graet, que ate terá votado em Sepp Blatter na sexta-feira, já revelou que a sua preferência para a sucessão do suíço está no compatriota. “Platini continua a ser o meu preferido, sempre o disse. Será que está disponível para essa aventura? Não me posso colocar na pele de Platini, mas sempre pensei que ele é o melhor candidato e que se a Europa avançar com um candidato só pode ser ele”, afirmou.

Platini foi uma das vozes mais fortes a exigir a demissão de Sepp Blatter assim que “explodiu”, na quarta-feira, o escândalo da investigação anticorrupção do Departamento de Justiça norte-americano. O suíço não recuou e até acabou reeleito dois dias depois. Os dois cumprimentaram-se logo após a recondução de Blatter e o suíço não conteve uma cara de satisfação perante o francês. Só que, já diz o povo, quem ri por último, ri melhor.

Falta saber é se aquele aperto de mão não poderá ter sido, quem sabe, uma passagem de testemunho. Para já, Platini apenas esboçou uma curta frase sobre a demissao de Blatter e divulgou de forma discreta através de uma nota publicada no site oficial da UEFA: “Foi uma decisão difícil, uma decisão corajosa e decisão certa.”