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Turquia: qual o impacto do resultado eleitoral nas relações com a UE?

No rescaldo das eleições gerais deste domingo na Turquia, a União Europeia refere a importância dos principais partidos políticos do país terem

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Turquia: qual o impacto do resultado eleitoral nas relações com a UE?

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No rescaldo das eleições gerais deste domingo na Turquia, a União Europeia refere a importância dos principais partidos políticos do país terem conseguido representação parlamentar.

Os resultados apontam para o “início de uma nova era”, para o país e as relações com os parceiros europeus, como referiu a porta-voz do executivo comunitário Maja Kocijancic: “Esperamos agora pela rápida formação de um novo parlamento e de um governo, para trabalharmos juntos de forma mais estreita. Acreditamos que o período que se segue traz oportunidades para fortalecer ainda mais a relação e a cooperação entre a União Europeia e a Turquia.”

O AKP, partido do Governo turco, fundado pelo presidente Tayyip Erdogan, perdeu pela primeira vez em 13 anos a maioria parlamentar. O escrutínio contou com uma taxa de participação de 86%, que se trata, no entender da UE, de um “sinal claro da fortalecimento da democracia” do país.

A União Europeia aguarda agora pelas conclusões da missão de observação da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa e do Escritório para as Instituições Democráticas e Direitos Humanos.

Futuro das relações entre a União Europeia e a Turquia

As negociações de adesão da Turquia à União Europeia estão praticamente congeladas, mas será que os resultados das eleições podem abrir uma nova página na história das relações entre a Turquia e a União Europeia?

Marc Pierini, Carnegie Europe – “Julgo que é importante, do ponto de vista da Europa, perceber que a paisagem política está deliberadamente equilibrada e por isso é preciso evitar a negação da realidade, por parte do AKP. Este resultado é provavelmente bastante surpreendente para os responsáveis do AKP, porque mais de 12 anos sem partilhar o poder é bastante tempo em democracia, mas a verdade está vista e foi expressa de forma calma, de acordo com uma lógica puramente nacional. Por isso, será preciso esperar para perceber o que se passa.”

Gülsüm Alan, euronews – Estas eleições serviram de teste ao projeto de super-presidência de Erdogan. Como avalia os resultados das eleições deste ponto de vista? De que forma é que a União Europeia seguiu os debates nesta matéria?

Marc Pierini, Carnegie Europe – “Para a União Europeia há quatro elementos principais. Primeiro: o estado de direito vai ser restabelecido na forma em que estava há 18 ou 24 meses. Segundo: a liberdade de imprensa, que foi afetada durante estas eleições, voltará a uma maior normalidade. Terceiro: qual será a política económica e a independência do Banco Central que é fundamental para os investimentos na Turquia. Quarto: a política externa será mais próxima da filiação ocidental da Turquia. Será com base nestes quatro elementos, que serão naturalmente objeto de negociações de um pacto de Governo no caso de haver uma coligação, que se fará uma avaliação.”

Gülsüm Alan, euronews – Além do resultado das eleições, ainda existe um diálogo entre a União Europeia e a Turquia?

Marc Pierini, Carnegie Europe – “Sim. As negociações de adesão estão em ponto morto há vários meses porque houve um recuo do Estado de direito. Por isso, é difícil dizer se a Turquia satisfaz os critérios de adesão. As outras vias de cooperação, pelo contrário, como a modernização da União Aduaneira, estão lançadas. O diálogo sobre os vistos e a readmissão está em curso. Mesmo sendo difícil, a cooperação anti-terrorista está em curso. O programa Erasmus continua a ser um sucesso. Por isso, a cooperação mantém-se bastante ativa. Julgo que o que importa referir aqui é que estas eleições não mudam dois dados fundamentais: um é que a ancoragem económica da Turquia é a Europa, em termos de comércio, de investimento, de tecnologias e o outro é que a ancoragem da Turquia, em termos de segurança, é o Ocidente e a NATO. Isso não vai mudar tão depressa. É uma realidade que se precisa ter em conta em revoluções futuras.”