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Acelerador de partículas do CERN melhorado atinge novo recorde de energia


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Acelerador de partículas do CERN melhorado atinge novo recorde de energia

O maior acelerador de partículas do mundo atingiu um novo recorde de energia, com colisões de partículas a 13 teraelectrões-volt.

Após uma interrupção técnica de dois anos, o CERN, Laboratório Europeu de Física Nuclear, retomou as experiências que visam compreender os mistérios da matéria.

O acelerador de partículas LHC (Large Hadron Collider) é um anel gigante construído a 100 metros de profundidade na fronteira franco-suíça.

O novo recorde de energia, atingido no final de maio, é uma enorme motivação para os cientistas.

“É o melhor navio do mundo. O navio mais poderoso, com a melhor tripulação. Estamos prontos para realizar novas explorações”, afirmou Sergio Bertolucci, diretor de Investigação e Computação do CERN.

“É a recompensa após anos de trabalho duro. As pessoas estavam a preparar-se para este momento há mais de dois anos”, disse Paolo Giubellino.

“Para nós, é o início de uma nova aventura. Estou muito feliz. A interrupção durante mais de dois anos. Fizemos testes e melhorámos os feixes e vamos recomeçar a trabalhar”, sublinhou Frédérick Bordry, responsável pelos aceleradores.

A máquina está pronta e deverá produzir uma quantidade astronómica de dados.

Em cada segundo de funcionamento do LHC, vários gigabytes de dados chegam ao centro de computação do laboratório europeu.

A informação é armazenada, classificada e partilhada com cientistas do mundo inteiro.

Um dos objetivos dos investigadores é recriar o que aconteceu nos primeiros segundos após o Big bang para compreender melhor a origem do universo.

No acelerador de partículas, os feixes de protões viajam em sentidos opostos, quase à velocidade da luz, e chocam a altas energias. Dessas colisões resultam novas partículas.

No início, o LHC fazia colisões a energias mais baixas. Em 2012, os choques atingiram os oito biliões de electrões-volt.

Graças aos choques mais energéticos, foi possível detetar o famoso bosão de Higgs no verão de 2012. A chamada partícula de Deus é vista como a chave mestra da estrutura fundamental da matéria.

“Trata-se de um ponto de partida importante porque os níveis elevados de energia vão permitir-nos estudar várias questões fascinantes no domínio da física das partículas”, afirmou Fabiola Gianotti, a nova diretora geral do CERN que assumirá funções no final do ano.

“Vamos fazer novas investigações no domínio das partículas ao longo dos próximos dois anos. Espero que possamos avançar no nosso conhecimento da matéria escura. Esse conhecimento poderá ajudar-nos a perceber as medidas astronómicas da falta de matéria no universo, algo que não percebemos bem”, disse Rob McPherson, da Atlas.

Portugal aderiu ao CERN em 1986. Dezenas de investigadores portugueses estão envolvidos nas pesquisas científicas do maior laboratório de física de partículas do mundo.

A próxima ambição dos cientistas europeus é utilizar o potencial máximo do LHC para atingir colisões de 14 teraelectrões-volt.

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