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Portugal é o segundo melhor do Mundo a integrar imigrantes

Avaliação da realidade portuguesa é apresentada esta sexta-feira à tarde na Fundaço Calouste Gulbenkian

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Portugal é o segundo melhor do Mundo a integrar imigrantes

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Portugal continua a ser o segundo melhor país do mundo a receber e integrar imigrantes, segundo o MIPEX IV, a quarta edição do Índice de Políticas de Integração de Migrantes. Este estudo internacional, divulgado esta sexta-feira, refere que apesar da crise, o país conseguiu subir na classificação. O melhor país a integrar migrantes, de acordo com o último “ranking”, de 2011, é a Suécia, cuja herdeira da coroa, a princesa Victoria, vemos na foto em cima, no Palácio de Belém, ao lado do Presidente Cavaco Silva, durante a visita a Portugal na semana passada.

[[ Veja aqui, em PDF, o índice anterior e respetivas avaliações publicados há 4 anos ]]

Ainda não foi divulgado o líder desta quarta edição do índice. Ainda assim, a avaliação de Portugal na quarta edição do MIPEX foi devidamente apresentada esta sexta-feira à tarde na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa. A lista comparativa e ordenada dos 38 países avaliados só será conhecida na totalidade no próximo dia 30, em Bruxelas.

O acesso à saúde, educação e habitação permanente ressaltam no estudo como os menos positivos, enquanto emprego, luta contra a discriminação, acesso à nacionalidade e reunião de famílias conseguem as pontuações mais altas.

Portugal atinge uma pontuação de 75, subindo um ponto em relação ao último estudo, realizado em 2010, graças a melhorias como sistemas de proteção a vítimas de violência doméstica e programas de emprego.



O contexto português, refere-se no estudo, destaca-se por haver “atitudes altamente positivas antes e durante a crise económica, sem partidos de extrema-direita” a obterem resultados significativos nas eleições legislativas.

[[ Consulte aqui a atual avaliação de Portugal ]]

Portugal é considerado no estudo como o país da Europa do Sul que mais bem combate a discriminação e promove a igualdade, mas refere que o baixo número de queixas (a rondar os 2,8 por cento da população) não significa que esteja tudo feito no que respeita a educar os imigrantes sobre os seus direitos e as leis existentes para os proteger.

No estudo, a Saúde é identificada como uma das áreas em que os imigrantes em Portugal têm mais dificuldades, por culpa da crise económica, que fez com que “encontrem mais obstáculos administrativos” e “serviços de saúde que dão menos respostas”.

Em Portugal, a igualdade no acesso à saúde para os imigrantes “não é uma prioridade das políticas de saúde ou uma obrigação específica” dos prestadores de cuidados, fatores que colocam o país na 22.ª posição entre 38 países.



Uma das áreas em que Portugal consegue mais pontos na análise do MIPEX é a integração dos imigrantes no mercado de trabalho: segundo números de 2011 e 2012, cerca de 28 por cento dos cidadãos não oriundos da União Europeia estavam desempregados , abaixo dos cerca de 33 por cento da média dos países analisados.

No MIPEX aponta-se Portugal como um dos melhores países no acesso dos imigrantes a emprego com igualdade de oportunidades e direitos, mas ressalva-se que é mais frequente haver imigrantes a trabalhar abaixo das suas qualificações e que não é tão fácil acederem a apoios sociais como subsídio de desemprego.

Na educação, destaca-se a facilidade do acesso dos filhos de imigrantes ao sistema de ensino, mas que este não dá saída às “novas oportunidades e necessidades” que esses alunos representam.



“O desafio é chegar a todos os alunos que precisam em todo o tipo de escolas”, ajudando-os a ultrapassar os obstáculos que encontrem e usando a escola como forma de integrar estudantes e pais, defende-se.

Em 2013, mais de 7.800 novos imigrantes chegaram a Portugal para se juntarem a familiares que já estavam no país, um número inferior a anos anteriores mas que mantem o país como um dos mais favoráveis à reunião de famílias.

Quanto ao acesso à nacionalidade, registaram-se em 2012 mais de 10.800 naturalizações de pessoas nascidas fora da União Europeia, maioritariamente oriundas dos países de língua portuguesa, mas com um número crescente de moldavos, por exemplo.

O ano de 2006 marcou uma viragem no número de naturalizações, que antes estava entre as 2.000 a 4.000 por ano e que atingiu números superiores a 20.000 a partir de 2007.

O MIPEX avalia em 167 parâmetros a integração dos imigrantes em todos os países da União Europeia, Estados Unidos, Austrália, Canadá, Islândia, Japão, Coreia do Sul, Nova Zelândia, Noruega, Suiça e Turquia.

Dos dados já revelados do novo índice, sabe-se que o Canadá desceu para o sexto lugar; que a Finlândia e a Noruega dividem o quarto lugar; a Bélgica é 7.a; os Estados Unidos são nonos; a Alemanha fecha o top-10; e a Itália, que está no centro das atenções na questão da migração clandestina no Mediterrâneo, caiu para 13.o melhor país a integrar imigrantes.