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Mundial de sub-20: Brasil esbarra em Rajkovic e perde título para a Sérvia

"Carrascos" de Portugal no torneio falham a conquista do sexto título mundial quatro anos após terem conquistado o "penta" na Colômbia. Os sérvios celebram o primeiro título após a dissolução da Jugos

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Mundial de sub-20: Brasil esbarra em Rajkovic e perde título para a Sérvia

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A Sérvia é a nova campeã do Mundo de sub-20, em futebol. Na final da competição, disputada este ano na Nova Zelândia, os sérvios enfrentaram o carrasco de Portugal do torneio, o Brasil, e contaram com a inspiração do guarda-redes Predrag Rajkovic para suster os “penta campeões” da categoria.

Point of view

Dói perder da forma como perdemos. Criámos várias oportunidades durante o jogo, mas não tivemos a sorte de que precisávamos para vencer

Após o empate a um golo nos 90 minutos e à beira do final do prolongamento, o médio Nemanja Maksimovic, médio do Astana do Cazaquistão, tornou-se o herói, ao marcar o golo que permitiu à Sérvia festejar o primeiro título mundial de sub-20 — há 28 anos também houve festa em Belgrado, mas então pelo título da agora extinta Jugoslávia.


Os “canarinhos” procuravam igualar os rivais da argentina, conquistando o sexto título mundial na categoria, mas quatro anos depois de vencerem Portugal na final da Colômbia, falharam.


Na final, a Sérvia foi a primeira a marcar, um pouco contra a corrente do jogo. Depois de uma primeira parte equilibrada, com oportunidades repartidas, na segunda parte o Brasil surgiu melhor, mais rápido e objetivo. Mas a esbarrar na inspiração de Rajkovic.

Os europeus não estavam alheados do jogo e não deixaram Jean, o guarda-redes de 19 anos do Bahia, baixar a guarda. Aos 70 minutos, Staniša Mandić, avançado de 20 anos dos sérvios do Cukaricki, abriu o marcador.


Logo depois, o empate surgiu por Andreas Pereira, que havia entrado aos 65 minutos para o lugar de Gabriel Boschillia, do São Paulo. O médio de 19 anos do Manchester United (Inglaterra) marcou o segundo golo no torneio num belo lance individual.

Pela terceira vez, o Brasil tinha de disputar um prolongamento neste torneio depois de já ter ganho ao Uruguai (5-4, após 0-0 nos 120 minutos), nos oitavos-de-final, e a Portugal (3-1, após 0-0), nos “quartos”, sempre no desempate por grandes penalidades.


Para os sérvios, foi o quarto jogo deste torneio a ir para prolongamento. Desde os oitavos-de-final, com a Hungria (2-1), que a equipa dos Balcãs se foi mantendo em prova a jogar pelo menos 120 minutos. Nos “quartos” afastou os Estados Unidos no desempate por grandes penalidades (6-5, após 0-0 em 120 minutos) e, nas “meias”, voltou a vencer (2-1) após prolongamento, desta feita o Mali.

No prolongamento desta final, a equipa orientada por Rogério Micale mostrou-se mais perigoso que os europeus. A Sérvia apostou no contra-ataque, quem sabe para “fintar” o desgaste acumulado nas “horas extraordinárias” já disputadas na prova.



A equipa de Veljko Paunović foi feliz. Aos 118 minutos, aproveitando uma recuperação de bola na lateral direita, os sérvios partiram rápidos para o contra-ataque, por Ilic, que abriu na direita em Zivkovic e este lançou Maksimovic. O médio do Astana aproveitou a má colocação de Andreas Pereira — já havia sido o médio do Manchester United a perder a bola no ataque e estava em recuperação rápida — para ficar em jogo e marcar o golo do título.


Danilo trocava “Bola de Prata” pelo título


“Dói perder da forma como perdemos”, afirmou Danilo no final do jogo com a Sérvia, prosseguindo: “Criámos várias oportunidades durante o jogo, mas não tivemos a sorte de que precisávamos para vencer. É assim o futebol, só há dois resultados: a vitória ou a derrota. Nós perseguimo-los e melhorámos, mas não conseguimos empatar depois do segundo golo, quando as nossas pernas já estavam cansadas e o ânimo em baixo. Tentámos, tentámos e tentámos, mas o golo não apareceu.”


Sem lágrimas após o desaire na Nova Zelândia, o capitão da “canarinha” de sub-20 preocupou-se mais com os seus companheiros: “Podia dizer-lhes milhões de coisas mas nada atenuaria o que estão a sentir nos seus corações. Dei-lhes um abraço e consolei-os como pude, mas animá-los agora não é uma tarefa fácil.”

Danilo foi eleito o segundo melhor jogador do Mundial de sub-20, mas nem isso o animou. “Eu trocava a minha ‘Bola de Prata’ pela medalha de campeão e por poder celebrar a vitória com os meus companheiros. Isso seria impagável e não o posso comparar com nada. Mesmo assim, estou muito orgulhoso por ter vencido este troféu e, claro, tenho de reconhecer que é muito bom para mim”, rematou, em declarações à FIFA.

Mali conquista terceiro lugar


O jogo de atribuição do terceiro lugar foi disputado entre duas seleções africanas, o Mali e o Senegal. Os senegaleses, que haviam sido goleados pelo Brasil (0-5) nas “meias”, chegaram ao intervalo com menos um jogador, por expulsão com segundo amarelo de Moussa Ba sobre os 45 minutos.


Mesmo em desvantagem numérica, a equipa de Joseph Koto foi a primeira a descobrir o caminho do golo. Ibrahima Wadji inaugurou o marcador aos 64 minutos, aproveitando demasiada cerimónia na defesa maliana.


Sob a batuta de Adama Traoré, o melhor jogador do torneio, o Mali reentrou na duscussão aos 74 minutos. Primeiro, num livre perfeito de pés esquerdo do médio do Lille. Já depois do companheiro Falaye falhar um penálti, o mesmo Traoré concretizou a “cambalhota” no marcador, aos 83 minutos, com mais um grande golo, desta feita de pé direito.


O Senegal não se deu por vencido. Aos 86 dispôs também de uma grande penalidade e da oportunidade para empatar o jogo, mas Niang permite permite a defesa de Djigui Diarra, o guarda-redes maliano de 20 anos que alinha no Stade Malien. O “keeper” ainda parou a recarga de um outro avançado senegalês e segurou a vantagem no marcador.

Já nos descontos, num livre de laboratório que passou por Traoré, Diadié Samassékou fixou o 3-1 final a favor do Mali.

Distinções individuais do Mundial de sub-20 2015


Bola de Ouro (Melhor jogador):
1.° Adama Traore, 19 anos, Mali (Lille, França);
2.° Danilo Silva, 19 anos, Brasil (Sp. Braga, Portugal);
3.° Sergej Milinkovic, 20 anos, Sérvia (Genk, Bélgica).



Bota de Ouro (Melhor marcador):
1.° Viktor Kovalenko, 19 anos, Ucrânia (Sh. Donetsk): 5 golos;
2.° Bence Mervó, 20 anos, Hungria (Gyori ETO): 5;
3.° Marc Stendera, 19 anos, Alemanha (Eintracht Frankfurt): 4


A votação para escolher o melhor golo deste Mundial está a decorrer na página oficial da FIFA na internet. Siga a ligação eletronica incluída no “twitt” em baixo e vote. Estão no top-10 o pontapé de bicicleta do português Ivo contra o Qatar, a “trivela” de Gelson Martins diante da Nova Zelândia e o “bailado” de Andreas Pereira no golo do Brasil apontado na final.


Luva de Ouro (Melhor guarda-redes):
Predrag Rajkovic, 19 anos, Sérvia (Estrela Vermelha)

Prémio ‘Fair Play’ (Equipa que jogou de forma mais leal):
Ucrânia


Curiosidades do torneio


Clubes mais representados:
1.° Wanderers SC (Nova Zelândia): 11 jogadores;
2.° Bunyodkor (Usbequistão): 9;
3.° Yangon United (Birmânia), (Pakhtakor
(Usbequistão) e Ba FC (Ilhas Fiji): 7.

Campeonatos mais representados:
1.° Alemanha e Portugal: 27 jogadores;
2.° Áustria, Birmânia, México, Ucrânia e Usbequistão: 21 jogadores;
3.° Ilhas Fiji e Panamá: 20 jogadores.

Historial do Mundial de sub-20


2015, Nova Zelândia:
Campeão: Sérvia;
Vice-campeão: Brasil;
Terceiro lugar: Mali.
2013, Turquia:
Campeão: França;
Vice-campeão: Uruguai;
Terceiro lugar: Gana.
2011, Colômbia:
Campeão: Brasil;
Vice-campeão: Portugal;
Terceiro lugar: México.
2009, Egito:
Campeão: Gana;
Vice-campeão: Brasil;
Terceiro lugar: Hungria.
2007, Canadá:
Campeão: Argentina;
Vice-campeão: Rep. Checa;
Terceiro lugar: Chile.
2005, Holanda:
Campeão: Argentina;
Vice-campeão: Nigéria;
Terceiro lugar: Brasil.
2003, Emirados Árabes Unidos:
Campeão: Brasil;
Vice-campeão: Espanha;
Terceiro lugar: Colômbia.
2001, Argentina:
Campeão: Argentina;
Vice-campeão: Gana;
Terceiro lugar: Egito.
1999, Nigéria:
Campeão: Espanha;
Vice-campeão: Japão;
Terceiro lugar: Mali.
1997, Malásia:
Campeão: Argentina;
Vice-campeão: Uruguai;
Terceiro lugar: Rep. Irlanda.
1995, Qatar:
Campeão: Argentina;
Vice-campeão: Brasil;
Terceiro lugar: Portugal.
1993, Austrália:
Campeão: Brasil;
Vice-campeão: Gana;
Terceiro lugar: Inglaterra.
1991, Portugal:
Campeão: Portugal;
Vice-campeão: Brasil;
Terceiro lugar: União Soviética.
1989, Arábia Saudita:
Campeão: Portugal;
Vice-campeão: Nigéria;
Terceiro lugar: Brasil.
1987, Chile:
Campeão: Jugoslávia;
Vice-campeão: Rep. Federal da Alemanha;
Terceiro lugar: Rep. Democrática da Alemanha.
1985, União Soviética:
Campeão:Brasil;
Vice-campeão: Espanha;
Terceiro lugar: Nigéria.
1983, México:
Campeão: Brasil;
Vice-campeão: Argentina;
Terceiro lugar: Polónia.
1981, Austrália:
Campeão: Rep. Federal da Alemanha;
Vice-campeão: Qatar;
Terceiro lugar: Polónia.
1979, Japão:
Campeão: Argentina;
Vice-campeão: União Soviética;
Terceiro lugar: Uruguai.
1977, Tunísia:
Campeão: União Soviética;
Vice-campeão: México;
Terceiro lugar: Brasil.

Ranking por campeões


1.° Argentina: 6 títulos;
2.° Brasil: 5;
3.° Portugal: 2;
4.° Espanha; França, Gana, Jugoslávia; Sérvia, Rep. Federal da Alemanha e União Soviética: 1