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Jorge Sampaio: "Fiquei muito honrado e feliz (pelo prémio Mandela)"

O ex-Presidente de Portugal é, a par da oftalmologista Helena Ndume, da Namíbia, um dos primeiros agraciados com esta nova distinção da ONU. Um homem e uma mulher de diferentes regiões geográficas vão

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Jorge Sampaio: "Fiquei muito honrado e feliz (pelo prémio Mandela)"

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O ex-Presidente Jorge Sampaio, agraciado esta segunda-feira com o Prémio Nelson Mandela, instituído a partir deste ano pelas Nações Unidas (ONU), declarou-se “muito honrado e feliz” com a distinção, classificando-a “como um estímulo para continuar a agir no contexto das grandes questões humanitárias”.

“Fiquei de facto muito honrado e feliz também, porque, no fundo, [o prémio] tem que ver com todo um conjunto de atividades internas e especialmente também externas no sentido de apoiar os grandes princípios em que se baseia a atividade das Nações Unidas, nomeadamente tudo aquilo por que ela é responsável”, disse Jorge Sampaio à agência Lusa.

O ex-Presidente declarou-se surpreendido com o prémio. Tratando-se de um processo em que há um conjunto de pessoas a apoiar uma candidatura e depois o júri decide, Sampaio não sabia que este processo estava em curso, agradecendo, por isso, “a todos os que, pelo mundo fora”, apoiaram a sua nomeação.

“Prefiro vê-lo como um estímulo para continuar a agir no contexto das grandes questões humanitárias e dos princípios gerais que são próprios das Nações Unidas e, no fundo, indireta ou diretamente, trabalhar pela paz mundial, pela saúde, pela reconciliação, pelo diálogo inter-religioso, etc.”, sublinhou Sampaio, premiado pelo seu trabalho em defesa dos ideais das Nações Unidas, por um mundo melhor.

“Isto também é uma vida, que foi agora reconhecida — para não ser demasiadamente modesto, que ninguém acreditaria — e é uma grande honra para mim e uma grande responsabilidade”, observou.

No texto em que anuncia os premiados, a ONU fundamenta a distinção de Jorge Sampaio, de 75 anos, descrevendo-o como “grande apoiante da democracia portuguesa”, desde os tempos de estudante, em que era um ativista político, até depois do 25 de Abril, como político.

Sampaio presidiu à Câmara Municipal de Lisboa, foi Presidente da República durante dez anos (entre 1996 e 2006), período em que, segundo as Nações Unidas, “trabalhou para construir uma imagem democrática e moderna de Portugal, enquanto apoiava a integração europeia e supervisionava a entrega de Macau à China [em 1999]”.

De 2006 a 2012 foi enviado especial da ONU na luta contra a tuberculose e nos últimos anos tem investido numa iniciativa para fornecer subsídios de emergência para que estudantes sírios possam continuar os seus estudos, apesar da guerra na Síria, a chamada “Plataforma Global de Assistência Académica de Emergência a Estudantes Sírios”.

Além de Jorge Sampaio, foi distinguida na primeira edição deste prémio que será atribuído de cinco em cinco anos a um homem e uma mulher de diferentes áreas geográficas, a oftalmologista da Namíbia Helena Ndume, que criou, nos últimos 20 anos, centros de tratamento oftalmológico em toda a Namíbia, tendo já ajudado cerca de 30.000 pessoas a recuperar a visão e a ter atendimento gratuito para problemas relacionados com cataratas.

Os prémios serão entregues a 24 de julho numa cerimónia na sede da ONU, em Nova Iorque, que se integra nas comemorações do 18 de julho, o Dia Internacional Nelson Mandela, que morreu em dezembro de 2013.