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Angus Campbell, FXPro: "Eventual contágio (grego) está a ser superestimado"

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Angus Campbell, FXPro: "Eventual contágio (grego) está a ser superestimado"

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A Bolsa de Lisboa fechou esta segunda-feira a afundar 5,23 por cento, arrastada pela pesada incerteza que paira sobre um cada vez mais próximo incumprimento da Grécia e uma consequente saída dos helénicos do espaço da moeda única.

A meio da tarde, já o PSI-20 havia sofrido um rombo de mais de 2 mil milhões de euros, naquela que terá sido a pior sessão dos últimos dois anos no mercado bolsista português. Pior só mesmo a sessão que seguiu ao pedido de demissão “irrevogável” do então ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, em julho de 2013.



No total dos mercados europeus, a Bloomberg e a Reuters estimam perdas a rondar os 40 mil e milhões de euros.

Os gregos têm de pagar ao Fundo Monetário Internacional cerca de 1,6 mil milhões de euros esta terça-feira e o incumprimento parece cada vez mais inevitável. Os altos responsáveis europeus ainda admitem haver tempo para uma solução que mantenha a Grécia a “navegar” no euro.

O primeiro-ministro grego voltou a pedir a extensão do programa de resgate até depois do referendo de domingo. O presidente do Eurogrupo já vincou que o programa acaba esta terça-feira. as próximas horas vão ser de grande tensão entre Bruxelas e Atenas.


Para aprofundar o que está em causa, falámos com Angus Campbell, analista sénior da FXPro. Depois de um fim de semana de drama grego, as bolsas asiáticas e europeias escorregaram esta segunda-feira e o euro caiu face ao dólar.

Sasha Vakulina, euronews: Angus, a reação dos mercados foi melhor ou pior que o esperado?
Angus Campbell: Penso que aconteceu o esperado, nem pior nem melhor. Mas por acaso, julgo que a evolução dos mercados a partir da abertura europeia acabou por ser um pouco melhor do que o esperado porque recuperaram e, em particular, o euro conseguiu mesmo reverter algumas das perdas sofridas antes. Mas parece-me ser ainda cedo para assegurar que tenha sido eliminado qualquer risco para o euro e quaisquer reduções na volatilidade.

Sem qualquer reforço do Banco Central Europeu nos fundos de emergência dos bancos gregos, quão contagiosa pode ser a crise bancária grega para o resto da zona euro e, em particular, para os periféricos como Portugal?
É claro que é muito importante que se evite o contágio. A situação é atual é muito diferente da que tínhamos na crise anterior, há alguns anos, quando a Grécia negociou o segundo resgate e as amortizações da dívida. A zona euro é agora muito diferente em termos do risco que a Grécia e a dívida soberana representam para a maioria das nações periféricas. Por isso, parece-me que um eventual contágio está a ser superestimado, embora o risco se mantenha e percebemos isso, esta segunda-feira, com os mercados. Por causa dos juros dos empréstimos, as dívidas de Espanha, Itália e Portugal aumentaram.