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#Grexit? Conheça as duas datas que ameaçam sufocar os gregos

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#Grexit? Conheça as duas datas que ameaçam sufocar os gregos

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Há duas datas cruciais no caminho dos gregos. A primeira e mais urgente: esta terça-feira, 30 de junho. A segunda, o dia 20 de julho.


As 18 horas desta terça-feira, em Washinthon — 23 horas em Lisboa e 01 hora da manhã de quarta-feira em Atenas — o governo está obrigado a reembolsar 1,5 mil milhões de euros ao Fundo Monetário Internacional, como parte da amortização acordada com os credores aquando do segundo resgate e, entretanto, com prazos já revistos.


A Grécia já se rendeu e assumiu que não vai cumprir o pagamento esta terça-feira. Fala-se em incumprimento, mas surge agora também o termo de mero atraso que poderá, diz-se, ser corrigido posteriormente.


O analista Jasper Lawler, da CMC Markets, explica que não cumprir este pagamento ao FMI “coloca o país oficialmente em atraso, mas não necessariamente em incumprimento”. “Um atraso, porém, coloca a Grécia ao nível, por exemplo, do Zimbabué. Por isso, a próxima data importante será a do referendo de 5 de julho”, aponta este analista.


Para lá, do pagamento ao FMI, haverá também a aobrigação do referido dia 20 de julho: o reembolso ao Banco Central Europeu de outros 3400 milhões de euros, referentes ao montante do segundo resgate.



O não cumprimento das amortizações acordadas suspende o pagamen to da última tranche do resgate — mais de 7 mil milhões de euros — e isso deixa Atenas com falta de liquidez para respeitar os tratados que fundamentam à associação à zona euro. A permanência helénica na moeda única fica em risco, mas não no imediato. O processo ainda demorará meses.


Até porque o FMI poderá evocar simplesmente um atraso no pagamento grego e não um incumprimento. Isso dará tempo às instituições europeias para reagir e tentar evitar o pedido em massa dos credores que lhes seja restituído de uma vez o investimento feito nos títulos de dívida grega.



Há, contudo, quem veja nos últimos desenvolvimentos manobras de mercado, num jogo com os receios e as expetativas dos investidores. “A maior parte da dívida grega é suportada pelo BCE ou pelos seus representantes. Mas a Grécia não prepresenta um problema económico. Isto não é um problema económico. A Grécia nem chega a representar 2 por cento do PIB da zona euro e é uma percentagem ainda menor do PIB mundial. Este, de facto, é um tema sobre confusão e de como os mercados estimulam e gerem a confusão do que poderá acontecer”, alegou Ed Dempsey, da consultora de investimentos Pension Partners.



O que poderá ou não acontecer, a esta altura ninguém sabe, nem mesmo os protagnostas. As negociações mantêm-se, os telefonemas não param, o relógio continua a contar. Um dos maiores receios, é claro, passa pela eventual saída da Grécia da zona euro.


Para os gregos, podera implicar o regresso ao uso da antiga moeda, o dracma, a um valor a que já não estariam habituados e que representaria também a queda numa outra era de enormes dificuldades. Serão os gregos capazes de se reerguer por si mesmos e mais fortes? A esperança é que tal não venha a ser preciso, mas o referendo poderá mostrar-nos uma resposta diferente. A opção está do lado dos gregos.

O que significa #Grexit?

Expressão que junta as palavras “Grécia” e “saída” (do inglês “exit”), precedida pelo símbolo “#” e que se tornou numa das “hashtag” mais utilizadas na internet ao ser partilhada integrando as publicações nas redes sociais, nomeadamente pelo Twitter ou pelo Facebook, sobre a atual situação económica de Atenas.