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O imperscrutável referendo na Grécia

A Grécia convocou para domingo, 5 de junho, um referendo às últimas propostas dos credores, que o governo de Atenas considera serem uma "humilhação". Fique aqui a conhecer o essencial sobre a consulta

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O imperscrutável referendo na Grécia

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"Imperscrutável", uma palavra de pronunciação complicada, mas não tão ininteligível como a pergunta a que vão responder os gregos no referendo agendado para domingo, 5 de julho:

“Deve ser aceite o acordo proposto, que foi submetido pela Comissão Europeia, o Banco Central Europeu e o Fundo Monetário Internacional no Eurogrupo de 25.06.2015 e que consiste em duas partes, que constituem uma proposta unificada?”

Parece-lhe grego? É em grego que está escrita. Mas, o pior é que os documentos que lhe servem de base – as propostas dos credores internacionais – só estão disponíveis em Inglês, uma língua que a maioria dos gregos não domina. Para complicar o quebra-cabeças, o articulado das propostas é essencialmente técnico e nada acessível aos leigos em matérias de economia e finanças.

Porque é que Atenas convocou um referendo?

A decisão de romper as negociações, no sábado, 25 de junho, e de marcar uma consulta popular às propostas apresentadas pelos credores apanhou toda a gente de surpresa. Jean-Claude Juncker disse mesmo sentir-se traído pela atitude de Atenas.

Entre a espada dos credores e a parede formada pela ala mais radical do Syriza, Alexis Tsipras optou por dar a palavra ao povo.

O que é que um “sim” ou um “não” no referendo significa para a Grécia?

A União Monetária está a entrar “em águas nunca antes navegadas”, como referiu o presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi.

A vitória do “não” no referendo, como deseja o primeiro-ministro grego, poderá conduzir à saída da Grécia do euro. Mas, Atenas já disse que está disposta a ir até à ultima instância para evitar o afastamento:

“Estamos a aconselhar-nos e certamente vamos considerar a possibilidade de uma providência cautelar junto do Tribunal de Justiça Europeu. Os tratados da União Europeia não prevêem a saída do euro e não a aceitamos. A nossa pertença (à união monetária) não é negociável”, declarou Yanis Varoufakis, citado pelo jornal britânico Daily Telegraph.

Em caso de um triunfo do “sim”, Tsipras sofre uma enorme derrota – depois de ter classificado o “ultimato” dos credores como uma “humilhação” – e não seria estranho que apresentasse a demissão.

A única luz ao fundo do túnel parece ser a possibilidade de as partes retomarem as negociações e do referendo não se realizar. Atenas admitiu pela primeira vez, esta terça-feira, “reconsiderar” a consulta popular “se os credores oferecerem à Grécia uma proposta irrecusável”, afirmou Euclid Tsakalotos, que lidera as negociações com as instituições internacionais.