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"Dhows": os símbolos do passado e futuro das trocas comerciais entre o Dubai e o Irão

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"Dhows": os símbolos do passado e futuro das trocas comerciais entre o Dubai e o Irão

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Os “dhows” no Dubai são verdadeiros testemunhos dos sobreviventes das sanções comerciais ao Irão. Os pequenos barcos de madeira do porto antigo fazem o percurso entre o emirado e a costa iraniana. 10 horas de viagem para transportar todo o tipo de bens.

A posição geográfica dos Emirados sempre facilitou o comércio. E mesmo com as sanções impostas pelos Estados Unidos ao Irão desde 1979, depois da revolução islâmica, rota entre o Dubai e o Irão nunca deixou de existir.

Iman Motameni que trabalha numa empresa de transporte, Sawan Trading, afirma que “no Dubai, estes “dhows” sempre tiveram uma vida própria. Mas o comércio reduziu bastante e as coisas mudaram. Normalmente entre 70 e 80% dos barcos vão para o Irão. Mas depois das últimas sanções, no Irão ninguém quer comprar produtos que venham do Dubai ou que transitem pelo Dubai.”

A possibilidade de um levantamento das sanções como consequência das negociações sobre o nuclear deixa os Emirados Árabes Unidos, e em particular o Dubai numa situação privilegiada.

O vice-presidente do Conselho Iraniano de Negócios, no Dubai lembra que “quando ainda não havia sanções, atingiram-se valores enormes nas importações-exportações com o Irão. Valores esses que foram baixando progressivamente de 12 mil milhões de dólares a 4,5 mil milhões no ano passado. Poderemos regressa a esses valores se as sanções forem levantadas.”

Nos Emirados vive a segunda maior comunidade iraniana no mundo, depois dos Estados Unidos. São cerca de meio milhão.
Um relatório do FMI mostra que as exportações dos Emirados para o Irão foram reduzidas em 30% desde que em 2012 foram impostas mais sanções. Um valor que representa 0,3% do PIB do país.

A correspondente da euronews no Dubai, Rita Del Prete, recorda que “a diáspora iraniana está habituada a todo o tipo de negociações internacionais…e o tratados e compromissos fazem parte da cultura. Esta incerteza não os impede de continuar a fazer negócios como fazem há vários séculos.”