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Referendo na Grécia: Mais integração ou o princípio do fim da UE?

A Europa está de olhos postos no referendo deste domingo na Grécia e ninguém sabe muito bem o que pode acontecer a seguir.

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Referendo na Grécia: Mais integração ou o princípio do fim da UE?

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“Assumo pessoalmente a responsabilidade de encontrar uma solução imediatamente a seguir ao referendo. Simultaneamente, peço que reforcem a nossa capacidade negocial dizendo ‘Não’ aos memorandos que estão a destruir a Europa”, disse, esta semana, o primeiro-ministro da Grécia, Alexis Tsipras.

Point of view

O que irá acontecer se o "não" vencer o referendo é a pergunta que vale tanto como a colossal dívida acumulada pelo Estado helénico.

A Europa está de olhos postos no referendo deste domingo na Grécia. O governo, liderado pelo Syriza, foi eleito com a promessa de acabar com anos de austeridade forçada, que fizeram o desemprego disparar para cima dos 25% e o Produto Interno Bruto (PIB) recuar mais ou menos na mesma percentagem.

“Deve ser aceite o acordo proposto, que foi submetido pela Comissão Europeia, o Banco Central Europeu e o Fundo Monetário Internacional no Eurogrupo de 25.06.2015 e que consiste em duas partes, que constituem uma proposta unificada?” Esta é a complicada pergunta a que os gregos vão ter de responder “Sim” ou “Não”.

As propostas dos credores estão em dois documentos escritos em inglês e que são “grego” para os leigos em matérias de economia e finanças.

O governo faz campanha pelo “Não”. A oposição e uma boa parte dos principais líderes europeus fazem ativamente campanha pelo “Sim”, ameaçando a Grécia com uma saída do euro – que não está prevista em nenhum tratado – e até com o espectro de uma saída da União Europeia.

Há também quem considere que o referendo é inconstitucional:

“Claramente, o artigo 44, parágrafo 2, da Constituição grega proíbe, por uma razão, o lançamento de um referendo sobre questões de finanças públicas. O motivo é evidente: matérias tão complexas e delicadas, como são as finanças públicas, não podem ser decididas com uma resposta ‘Sim’ ou ‘Não’”, referiu um analista político, Dimitri Sotiropoulos.

O que irá acontecer se o “não” vencer o referendo é a pergunta que vale tanto como a colossal dívida acumulada pelo Estado helénico.

Os Jogos Olímpicos de Atenas, em 2004, é um exemplo dos “elefantes brancos” desta tragédia grega.

Há também quem veja no referendo o inicio de uma nova era na Europa, com uma democracia mais direta:

“Talvez esta consulta marque o início de um novo período em que vamos ter mais referendos deste género. Recordo que (David) Cameron já se comprometeu a realizar um referendo deste tipo (no caso sobre a permanência na União Europeia). Portanto, estamos provavelmente a avançar para um período de referendos, do “Grexit” para o “Brexit”, em que os estados vão decidir em consulta popular a relação que querem ter com a Europa”, afirmou o constitucionalista Nikos Skoutaris.

Mais integração ou o princípio do fim? O futuro da União Europeia pode começar a desenhar-se este domingo e mais do que o resultado do referendo, será a reação dos políticos que poderá fazer pender a balança para um dos lados.