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2015: Chegou a altura de fazer um balanço

O Business Middle East dedicou-se à análise dos resultados económicos do primeiro semestre de 2015. Os números que nos chegam dos Estados Unidos dão

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2015: Chegou a altura de fazer um balanço

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O Business Middle East dedicou-se à análise dos resultados económicos do primeiro semestre de 2015. Os números que nos chegam dos Estados Unidos dão indicações ambivalentes. Entre os aspetos positivos, destaca-se o declínio da taxa de desemprego, que em junho se situou nos 5,3%, o valor mais baixo em sete anos.

As oscilações foram muitas. Aliás, de cada vez que a Reserva Federal se pronunciava, os mercados ressentiam-se fortemente. Vamos agora ver que fatores foram determinando a conjuntura americana.

EUA: Menos crescimento e menos desemprego

As expetativas quanto ao caminho que os Estados Unidos iriam fazer em 2015 eram mais elevadas. Os números que têm sido apurados desde o final do programa de flexibilização quantitativa ficam aquém das previsões.

No fim de 2014, as estimativas apontavam para um crescimento este ano na ordem dos 3,1%. Mas, em março, já se constatava que os valores não iam além dos 2,4%.

O último relatório relativo ao mercado do emprego é ambivalente, até porque os ganhos dos títulos americanos no primeiro trimestre foram menores devido à subida do valor do dólar.

Em junho, o país assistiu à criação de 223 mil postos de trabalho. Mas as previsões colocavam a fasquia acima dos 230 mil. No entanto, a taxa de desemprego caiu dos 5,5% para os 5,3%, em grande medida por causa da diminuição da taxa de participação no mercado de trabalho, a mais baixa nos Estados Unidos desde outubro de 1977.

Médio Oriente: Egito regista contraciclo

Vamos agora olhar para a conjuntura no Médio Oriente ao longo destes seis meses. Apesar das tensões geopolíticas e da queda dos preços do petróleo, os mercados desta região mantiveram o equilíbrio, à exceção do Egito.

Tem havido uma série de acontecimentos a produzir impactos significativos sobre os mercados do Médio Oriente e do Norte de África. Começamos pela turbulência global nas praças financeiras, mas podemos passar pela especulação em torno das taxas de juro americanas e pelos ganhos da bolsa da Arábia Saudita no primeiro trimestre, que superaram a barreira dos 20%, para depois conhecer uma espiral descendente devido ao conflito no Iémen.

As bolsas do Dubai e de Abu Dhabi mantiveram-se estáveis, com uma descida a registar-se no início do período do Ramadão.

O mercado saudita terminou o primeiro semestre deste ano nos 9%, mesmo após a abertura aos investidores estrangeiros. O Dubai colocou-se muito perto, acima dos 8%, e Abu Dhabi com pouco mais de metade. Já o Egito salienta-se pela negativa, através de uma queda que ultrapassou os 6%. As perdas tornaram-se expressivas quando eclodiu a polémica acerca de uma nova taxação dos lucros bolsistas.

A opinião de Nour Eldeen Al-Hammoury, da ADS Securities

euronews: Começamos com os números sobre o emprego. O que é que importa reter?

Nour Eldeen Al-Hammoury: O relatório sobre o emprego apresenta resultados positivos e negativos. A economia americana incorporou menos postos de trabalho do que o esperado, a taxa de desemprego caiu notoriamente, mas também a participação no mercado de trabalho. O aspeto mais relevante neste relatório tem a ver com o crescimento salarial. As estimativas apontavam para subidas mais significativas. Infelizmente, registam-se os níveis mais baixos desde o ano passado. Ou seja ainda existe a margem de manobra de que fala a Reserva Federal. Por isso, tornaram-se mais frágeis as especulações em torno de uma subida das taxas de juro em setembro.

euronews: Quais são as previsões para a segunda metade do ano?

Nour Eldeen Al-Hammoury: As perspetivas são relativamente neutras, sobretudo após as últimas intervenções de Janet Yellen. A Fed não subiu as taxas de juro em junho, tal como era esperado. Isso levantou várias interrogações. A subida do dólar é um fator negativo para a economia e para os lucros das empresas, que têm vindo a cair. É nesta área que se vão concentrar as atenções durante a próxima semana. Agora é uma questão de aguardar por mais indicações para rever as perspetivas em alta ou em baixa.

euronews: Quanto ao Médio Oriente, os mercados mantiveram alguma estabilidade. Mesmo assim, os resultados no período homólogo do ano passado são melhores. Porquê? E o mercado egípcio vai conseguir recuperar?

Nour Eldeen Al-Hammoury: Comparando com 2014, a economia global teve um percurso turbulento no início deste ano. Sucederam-se acontecimentos que aumentaram a incerteza em torno dos mercados árabes. Os principais motivos são de natureza geopolítica, com as guerras na Síria, no Iraque e no Iémen a agravarem a pressão sobre os mercados. E isso deve continuar.

No que toca ao Egito, acreditamos que o mercado vai ser capaz de ultrapassar o quadro presente. É preciso não esquecer que a situação atual levou ao recuo temporário dos investidores. A isso juntou-se o novo imposto sobre os lucros, que provocou quedas notórias. No entanto, o declínio recente tem sido considerado mais como um movimento normal antes de um período de retoma.